Apesar de nunca ter vivido tal experiência, já ouvi muitos relatos de pessoas que quase perderam a vida em águas revoltas devido a fortes correntezas. Nadar contra elas é algo extremamente fatigante, até mesmo para os mais exímios nadadores. A diferença entre o profissional e o principiante, muitas vezes, resume-se ao tempo de resistência e à capacidade de não entrar em pânico. Os especialistas ensinam estratégias específicas: mudar a direção do nado, procurar um ângulo perpendicular ou desbordar até alcançar a terra firme.
Existe, claro, a opção de se deixar levar pelo movimento das águas, mas isso significa navegar sem destino definido ou sem a certeza de sobrevivência. Jamais ouvi um nadador habilitado incentivar alguém a persistir no nado frontal contra a força bruta da água. Segundo eles, quem insiste nessa tática será inevitavelmente vencido pelo esgotamento. A tendência é a fadiga absoluta e, por fim, o afogamento.
Para muitos, a vida moderna tornou-se exatamente isso: nadar contra uma grande correnteza social que tenta nos arrastar para posições indesejáveis. Quem nunca sentiu o peso de lutar contra uma força maior, empregando energia sem sair do lugar e vendo suas forças se esvaírem?
Vivemos em um mundo onde a ética é frequentemente descartada e valores morais são rotulados como ultrapassados. Há uma clara tentativa de banalizar a família tradicional em prol de novas configurações de relacionamento. Quem defende a manutenção de princípios como honestidade, bons costumes e os fundamentos bíblicos precisa estar consciente de que enfrentará uma fortíssima oposição.
Um dos temas centrais nesse embate é a forma como o termo “homofobia” tem sido aplicado, muitas vezes de maneira equivocada ou manipuladora. Embora o dicionário a defina como agressão física ou ódio declarado, o termo tem sido usado para silenciar quem apenas se posiciona no campo das ideias. O que vemos é uma tentativa impositiva de inverter valores, tentando transformar conceitos estabelecidos em algo irracional.
Essa resistência não se limita à moralidade; ela permeia todas as estruturas:
- No Ambiente de Trabalho: O sistema muitas vezes sufoca quem tem potencial. Quem se atreve a questionar métodos ineficientes ou lideranças autoritárias é logo tachado como rebelde ou problemático. Muitos líderes apenas “cumprem protocolo”, mas não ouvem de fato seus liderados.
- No Campo da Fé: Infelizmente, a luta começa muitas vezes nas igrejas. O espírito crítico e o desânimo partem de quem deveria apoiar. A correnteza se torna mais forte quando o próprio “corpo” coloca obstáculos no caminho de quem deseja avançar.
- No Sistema Jurídico e Político: A crise ética que assistimos, com escândalos de corrupção que parecem enraizados em quase todos os setores, revela um sistema onde a justiça muitas vezes depende do poder aquisitivo e da influência. É um gigante que faz até os mais íntegros desanimarem, sentindo-se impotentes diante de estruturas tão corrompidas.
No início, mencionei que existe uma estratégia humana para vencer correntezas físicas (desviar, desbordar). No entanto, nas questões da vida e da fé, a solução apresentada por Cristo é diferente. Jesus, no Sermão do Monte, não nos oferece atalhos, mas a porta estreita:
“Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e são muitos os que entram por ela. Porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.” (Mateus 7.13-14)
Neste contexto, a porta estreita significa continuar guerreando. A correnteza simboliza o sistema deste mundo que tenta nos fazer desistir por cansaço. Aqui, não há “desbordamento” possível; é preciso encarar os desafios com perseverança espiritual.
Portanto, enfrentemos a correnteza com fé. Tenhamos a convicção de que o Senhor nos dará a força necessária para vencermos a fadiga e alcançarmos o porto seguro. Lembre-se da promessa:
“Fiel é Deus, que não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar; antes, com a tentação, dará também o escape.” (1 Coríntios 10.13)
Vale a pena seguir em frente. Ao final, nossa vitória não será fruto da nossa técnica de nado, mas da fidelidade Àquele que nos sustenta sobre as águas.
Juvenal Oliveira


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