sábado, 19 de setembro de 2026

2026 – AS ELEIÇÕES MAIS IMPORTANTES DOS ÚLTIMOS 30 ANOS

 

    No dia 1º de julho de 1994, sob a gestão do então presidente Itamar Franco, era criado o Plano Real. O projeto encerrou um ciclo tenebroso da nossa economia, período em que a inflação alcançava patamares astronômicos, superiores a 4.000% ao ano, segundo dados históricos do IBGE. Após sucessivas tentativas frustradas de planos econômicos, a tão esperada estabilidade financeira finalmente se tornou realidade.

    Três décadas se passaram e, agora, reencontramos o compromisso de decidir os rumos da nação para o próximo quadriênio. Trata-se, sem dúvidas, do pleito mais decisivo desde a consolidação da nossa moeda.

    Movido por essa convicção, proponho esta reflexão sobre a relevância do voto de cada cidadão. O objetivo é fornecer subsídios para que o maior número possível de brasileiros exerça seu direito de forma consciente, responsável e criteriosa.

O Cenário Atual e as Garantias Constitucionais

Aos 56 anos de idade, jamais vivenciei um momento tão delicado na história recente da nação. O ápice dessa crise traduziu-se na prisão de mais de 1.400 pessoas em eventos recentes, conduzidas pela própria instituição que deveria zelar por sua proteção: o Exército Brasileiro. Centenas foram condenadas por uma suposta tentativa de golpe, das quais dezenas permanecem em regime fechado. Trata-se de um rito processual unificado que o ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, classificou publicamente como "o inquérito do fim do mundo", tamanhas as atipicidades jurídicas. Nem mesmo a criminalidade de alta periculosidade costuma receber sanções dessa gravidade em solo nacional.

    Ver cidadãos retidos sob motivações políticas no episódio de 8 de Janeiro de 2023 aponta para um cenário alarmante, típico de regimes autoritários. Esse contexto, por si só, justifica o rigor com que devemos encarar as urnas. A liberdade de expressão constitui um dos pilares mais nobres da vida democrática e, por essa razão, ergue-se como cláusula pétrea da nossa Constituição Federal, um preceito inalterável da Carta Magna.

    Compreendo o desgaste e a desilusão generalizada em relação à classe política, e não é para menos. Razões não faltam para o afastamento do debate; eu próprio já cogitei me manter neutro. Contudo, o alheamento popular é exatamente o cenário almejado pelas velhas lideranças partidárias: quanto menor for o engajamento da sociedade, mais livre fica o caminho para a perpetuação de privilégios e a gestão irresponsável dos recursos públicos.

    O único instrumento legítimo para transformar essa realidade é o sufrágio. Renunciar a ele, seja votando em branco, seja anulando, significa abdicar da capacidade de escolha e da autoridade moral para cobrar melhorias futuras. Estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em pleitos anteriores demonstram que a abstenção e os votos nulos foram determinantes no resultado final. Ao buscarem a neutralidade, esses eleitores acabaram, ainda que involuntariamente, favorecendo determinado grupo. Por outro lado, votar sem critério é igualmente nocivo.

Sete Diretrizes para a Decisão nas Urnas

Afinal, quais diretrizes devem guiar nossa decisão antes de depositarmos o voto?

1. Análise Econômica e Responsabilidade Fiscal

    É indispensável examinar o cenário financeiro e a viabilidade dos projetos apresentados. Entre 2018 e 2022, o Brasil emitia sinais claros de recuperação com a conquista de superávit fiscal, dados do Tesouro Nacional confirmam um saldo positivo de R$ 54,1 bilhões em 2022, trajetória interrompida apenas pelos impactos severos da pandemia de 2020.

    A partir de 2023, contudo, a gestão federal adotou uma orientação oposta: expansão acentuada dos gastos públicos, inchaço da máquina estatal e recriação de ministérios. A consequência direta do déficit fiscal registrado (que ultrapassou R$ 230 bilhões em 2023) foi a elevação da carga tributária. A proliferação de novos impostos sob a condução do Ministério da Fazenda Fernando Haddad gerou forte reação popular e desestabilizou o ambiente de negócios, provocando a fuga de capital e a migração de empresas. Sem corte de despesas, a continuidade desse modelo tende a aprofundar o endividamento e a dependência da população em relação a auxílios estatais.

2. Integridade e Histórico dos Postulantes

    Seja para o Executivo ou para o Legislativo (Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas), a integridade moral deve ser o filtro primário. A corrupção sistêmica permanece como o principal gargalo ao desenvolvimento do país. Diante da proliferação de narrativas e do assassinato de reputações, cabe ao eleitor checar a veracidade dos fatos em múltiplas fontes independentes, sem se fiar cegamente em conglomerados de mídia alinhados a interesses financeiros. É preciso examinar certidões, antecedentes e a coerência de cada figura pública, evitando colocar no mesmo patamar deslizes formais e condenações por desvios milionários.

3. Qualificação e Capacidade Técnica

    Qualquer atividade profissional de relevância exige preparo e formação compatíveis. Na esfera pública, o critério não deveria ser diferente. Permitir que quadros despreparados assumam a gestão do Estado compromete o futuro coletivo. Assim como não submetemos nossa saúde a um leigo ou nossa segurança a um piloto sem licença, não podemos entregar a administração pública a nomes destituídos de competência técnica.

4. Propostas Concretas e Transparência de Propósito

    O eleitorado já não tolera discursos populistas e promessas demagógicas. Exige-se clareza quanto aos objetivos reais do candidato ao ingressar na vida pública. Se a motivação primária não for o bem comum e a melhoria efetiva das condições de vida da população, a candidatura descumpre sua função social.

5. Alinhamento Partidário e Pautas Ideológicas

    Ninguém governa isolado de sua legenda. As diretrizes partidárias exercem peso decisivo sobre a atuação de qualquer parlamentar. Por isso, é fundamental avaliar a postura oficial da sigla em temas centrais: defesa da família, combate às drogas, controle de armas, proteção à vida, tamanho da intervenção estatal na economia e posicionamento em relação a regimes autoritários. O voto em um candidato também fortalece a ideologia do seu partido.

6. Leitura Estratégica do Cenário Eleitoral

    É preciso atentar para candidaturas de fachada ou pulverizadoras, desenhadas apenas para fragmentar votos e favorecer grupos específicos. Em um país de dimensões continentais, postulantes que surgem apenas no período da campanha raramente viabilizam vitórias reais, atuando, ainda que involuntariamente, como fatores de divisão. Da mesma forma, a tática de lançar figuras folclóricas ou celebridades busca tão somente criar "puxadores de voto" para eleger bancadas alinhadas a interesses de bastidor.

7. Defesa do Equilíbrio entre os Poderes

    Torna-se urgente escolher representantes dispostos a restaurar os limites constitucionais do Poder Judiciário. Nesse contexto, a renovação do Senado Federal assume papel estratégico, por tratar-se da única instituição com prerrogativa legal para fiscalizar e julgar abusos de autoridade cometidos por membros da Suprema Corte. A estabilidade jurídica e o respeito à separação dos poderes são pressupostos básicos para atrair investimentos e garantir as garantias individuais.

Conclusão

    Retornando à reflexão inicial: o futuro das próximas gerações, dos nossos filhos e netos, bem como a preservação das nossas liberdades fundamentais, dependem diretamente da maturidade com que encararmos esse compromisso nas urnas.

    Pense nisso com carinho e responsabilidade. Que Deus tenha misericórdia do nosso Brasil!

Juvenal Oliveira

sábado, 4 de abril de 2026

ALELUIA, NOSSA PÁSCOA É JESUS

 


A história da humanidade começa com a revelação do Deus autoexistente, o “EU SOU” (Êxodo 3.14), o Criador não criado que, ao formar o universo, fez do homem sua obra-prima, criado à sua imagem e semelhança (Gênesis 1.26-27). O projeto original do Eterno previa comunhão plena e vida eterna, mas a quebra da única cláusula estabelecida trouxe a depravação e a morte como sentença irrevogável (Gênesis 3.17-19). Diante de uma geração corrompida, a graça divina manifestou-se a Noé, estabelecendo uma aliança universal de preservação da vida (Gênesis 9.11).

Apesar disso, a humanidade continuou a trilhar caminhos opostos aos do Criador, que em sua soberania escolheu Abraão para dar início a uma segunda aliança, prometendo-lhe uma nação, uma terra e uma descendência que abençoaria todas as famílias da terra (Gênesis 12.1-3). Conforme revelado, seus descendentes peregrinaram no Egito até que Deus levantasse Moisés para liderá-los. A libertação veio pelo impacto das dez pragas, culminando na Páscoa, onde o sangue de um cordeiro imaculado nos umbrais das portas serviu de escape contra a morte dos primogênitos (Êxodo 12.12-13).

No Monte Sinai, uma nova aliança foi firmada através da Lei, exigindo sacrifícios contínuos de animais para a purificação dos pecados (Levítico 17.11). Entretanto, a função da lei mosaica não era salvar, mas sim provar a impossibilidade do homem caído em se justificar perante o Justo Juiz, revelando que todos os descendentes de Adão estavam sob condenação eterna (Romanos 3.20). O preço do pecado continuava sendo a morte, mas a esperança foi mantida viva pelos profetas, que anunciaram a vinda de um Messias sem pecado, capaz de quitar a dívida humana (Isaías 53.5).

Após mil e quinhentos anos daquela Páscoa no Egito, Jesus Cristo reuniu seus discípulos para a última ceia, apresentando o pão e o vinho como Seu corpo e Seu sangue, selando a Nova Aliança para o perdão dos pecados (Mateus 26.26-28). Ele se entregou voluntariamente como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29), cumprindo todos os requisitos exigidos pelo Pai. Para nós, a Páscoa não é mais uma memória de saída geográfica, mas a pessoa de Jesus, que nos redimiu e venceu a morte ao ressuscitar ao terceiro dia (1 Coríntios 15.3-4). Hoje, o convite para a mesa permanece aberto aos que lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro, garantindo o acesso à árvore da vida e à cidade eterna (Apocalipse 22.14).

Uma feliz Páscoa para todos os nossos amigos!

Juvenal Oliveira e família

 

 

sábado, 24 de janeiro de 2026

BODAS DE HEMATITA

 

Não é por acaso que, ao completarmos vinte e oito anos de casamento, celebramos as bodas de hematita — uma pedra rara, também conhecida como diamante negro. Suas características singulares dialogam com a história de um casal que caminha junto há quase três décadas. Antes de avançar, aproveito este momento para refletir sobre essas propriedades e aplicá-las ao nosso matrimônio, fazendo, para isso, algumas considerações iniciais.

O sentimento que transborda em meu coração, num instante tão singular, é a gratidão. Gratidão a Ti, Senhor, que selaste a nossa união e nos sustentaste dia após dia ao longo de todos esses anos. Gratidão a Ti, Pai, pelos inúmeros frutos gerados desse enlace, em especial aqueles concebidos no ventre de minha esposa — Débora e Esther — verdadeiras pérolas confiadas por Ti às nossas mãos para serem lapidadas com amor, cuidado e temor. E como não lembrar de tantos outros frutos nascidos de relacionamentos construídos, fortalecidos e alicerçados por meio de nossas vidas?

O enlace matrimonial é, sem dúvida, uma bênção. Isso, porém, não o torna imune às lutas, aos desafios e até mesmo às crises. O sábio Salomão, inspirado por Deus, discorre sobre o valor da cooperação e da comunhão entre os homens. Ainda que suas palavras não sejam direcionadas especificamente ao casamento, seus princípios encontram nele pleno abrigo. Por isso, faço questão de transcrever o texto na íntegra:

“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque, se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só, pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.”
(Eclesiastes 4.9–12)

Retomando as características da hematita e sua aplicação no cotidiano do convívio a dois, talvez não possamos afirmar que as vivenciamos em sua totalidade. Ainda assim, é sempre oportuno refletir sobre elas e buscar, a partir de agora, aplicá-las com maior intencionalidade onde for necessário.

A hematita é um mineral forte e resistente — assim como a nossa união, que atravessou adversidades e permaneceu firme, sustentada pela graça de Deus. Sua durabilidade e solidez também nos refletem. Chegar até aqui, mesmo conscientes da longa jornada que ainda pode nos aguardar, conforme o tempo que nos for concedido, permite-nos testemunhar o quanto o Senhor tem consolidado o nosso matrimônio. Foram muitas as batalhas vencidas; cada uma delas nos fortaleceu ainda mais. E, pela fé, seguimos crendo na vitória sobre aquelas que, certamente, ainda surgirão.

Superar o desgaste — absolutamente natural nos relacionamentos humanos, e no casamento não é diferente — é um desafio comum a todos, sem exceção. Nosso propósito diário tem sido preservar o brilho no olhar que existia quando éramos apenas “candidatos ao namoro”, sabendo que hoje esse brilho é mais verdadeiro, despido pelas rotinas do convívio diário, onde não há espaço para máscaras. Nosso alvo vai além das quatro paredes do lar: desejamos que esse brilho testemunhe à sociedade o quanto Deus se importa com a saúde do matrimônio.

As bodas de Hematita celebram nossos 28 anos de casamento, marcados por um amor maduro, forte e duradouro — fruto de um cuidado mútuo exercido dia após dia. O brilho, a beleza e a resistência desse diamante só se revelam sob intensa pressão. Assim também Deus tem nos ensinado, juntos, a atravessar os “processos”, compreendendo que aquilo que Ele realiza em nós gera beleza e faz irradiar Sua luz por onde quer que passemos.

"Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois em uma carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mt 19:4-6)


Juvenal Oliveira