Segundo o relato do apóstolo João, aqueles que
vivem na prática do pecado são servos do Diabo que vive pecando desde o
princípio, em contrapartida, aqueles que decidiram abandonar tal prática,
deixaram de ser escravos do pecado e do Diabo, não obstante, passaram a ser
escravos do Deus altíssimo (Rm 14.9-11). Espiritualmente falando, todos, sem
exceção, são escravos, ainda que inconscientemente. O apóstolo João faz a
seguinte distinção entre ambos: “Os filhos de Deus e os filhos do Diabo” (1Jo
3.1-10). De acordo com os ensinamentos contidos na Bíblia, não existe meio
termo ou qualquer possibilidade de alguém se abster desta decisão, ou se render
a um e repelir ao outro e vice-versa (Mt 6.24). Isto tudo parece uma
verdade difícil de ser digerida, afinal de contas, quem é que admitiria ser
considerado um escravo? Que termo mais humilhante! Ser um escravo significa não
ter vontade própria; ser privado de liberdade; ser um capacho; pessoa
desprovida da possibilidade de sonhar. Mas, como sempre há uma exceção às
regras, existem situações em que ser um escravo é uma prerrogativa.
Moisés liderava o povo pelo deserto após a saída do
Egito e Deus lhe dera diversas instruções que eles deveriam observar e cumprir.
Uma delas se referia ao tratamento para com os escravos que deveriam servir ao
seu senhor por um período de seis anos consecutivos e no sétimo teriam o
direito à liberdade. Entretanto, se este escravo decidisse voluntariamente
continuar servindo ao seu senhor, ele deveria ter a sua orelha furada para
distingui-lo dos demais (Ex 21.1-6). Quem olhasse para ele saberia que ele era
um escravo livre, ou seja, servia por amor e a sua vida já não fazia mais
sentido fora da presença do seu senhor.
Quando alguém consegue compreender o tamanho do
amor de Deus; a sua infinita misericórdia; a sua inefável graça; a sua
fidelidade “apesar de” toda a miserabilidade humana. Quando se entende que os
seus mandamentos não são no intuito de privar as pessoas de alcançarem a
felicidade ou de puni-las por algum ato desfavorável, e sim ensiná-las a
viverem melhor (1Jo 5.3; Sl 119.143; Dt 10.13). Enfim, ao compreender o que ele
conseguiu fazer para salvar a humanidade, enviando seu próprio filho para
morrer em nosso lugar (Jo 3.16; Rm 5.8). Então, entendemos não haver
absolutamente nada que possamos fazer que justifique tamanho amor. Normalmente,
ficamos tão gratos e constrangidos que decidimos voluntariamente nos tornarmos
seus servos (2Co 5.14-15). Tornamo-nos “os escravos da orelha furada” para
sempre. Que privilégio é este!!!
Juvenal Oliveira


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