No dia 1º de julho de 1994, sob a
gestão do então presidente Itamar Franco, era criado o Plano Real. O
projeto encerrou um ciclo tenebroso da nossa economia, período em que a
inflação alcançava patamares astronômicos, superiores a 4.000% ao ano, segundo
dados históricos do IBGE. Após sucessivas tentativas frustradas de planos
econômicos, a tão esperada estabilidade financeira finalmente se tornou
realidade.
Três décadas se passaram e, agora,
reencontramos o compromisso de decidir os rumos da nação para o próximo
quadriênio. Trata-se, sem dúvidas, do pleito mais decisivo desde a consolidação
da nossa moeda.
Movido por essa convicção, proponho
esta reflexão sobre a relevância do voto de cada cidadão. O objetivo é fornecer
subsídios para que o maior número possível de brasileiros exerça seu direito de
forma consciente, responsável e criteriosa.
O
Cenário Atual e as Garantias Constitucionais
Aos 56 anos de idade, jamais
vivenciei um momento tão delicado na história recente da nação. O ápice dessa
crise traduziu-se na prisão de mais de 1.400 pessoas em eventos recentes,
conduzidas pela própria instituição que deveria zelar por sua proteção: o
Exército Brasileiro. Centenas foram condenadas por uma suposta tentativa de
golpe, das quais dezenas permanecem em regime fechado. Trata-se de um rito
processual unificado que o ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, classificou
publicamente como "o inquérito do fim do mundo", tamanhas as
atipicidades jurídicas. Nem mesmo a criminalidade de alta periculosidade
costuma receber sanções dessa gravidade em solo nacional.
Ver cidadãos retidos sob motivações
políticas no episódio de 8 de Janeiro de 2023 aponta para um cenário alarmante,
típico de regimes autoritários. Esse contexto, por si só, justifica o rigor com
que devemos encarar as urnas. A liberdade de expressão constitui um dos pilares
mais nobres da vida democrática e, por essa razão, ergue-se como cláusula
pétrea da nossa Constituição Federal, um preceito inalterável da Carta Magna.
Compreendo o desgaste e a desilusão
generalizada em relação à classe política, e não é para menos. Razões não
faltam para o afastamento do debate; eu próprio já cogitei me manter neutro.
Contudo, o alheamento popular é exatamente o cenário almejado pelas velhas
lideranças partidárias: quanto menor for o engajamento da sociedade, mais livre
fica o caminho para a perpetuação de privilégios e a gestão irresponsável dos
recursos públicos.
O único instrumento legítimo para
transformar essa realidade é o sufrágio. Renunciar a ele, seja votando em
branco, seja anulando, significa abdicar da capacidade de escolha e da
autoridade moral para cobrar melhorias futuras. Estatísticas do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) em pleitos anteriores demonstram que a abstenção e os
votos nulos foram determinantes no resultado final. Ao buscarem a neutralidade,
esses eleitores acabaram, ainda que involuntariamente, favorecendo determinado
grupo. Por outro lado, votar sem critério é igualmente nocivo.
Sete
Diretrizes para a Decisão nas Urnas
Afinal, quais diretrizes devem guiar
nossa decisão antes de depositarmos o voto?
1. Análise Econômica e Responsabilidade Fiscal
É indispensável examinar o cenário
financeiro e a viabilidade dos projetos apresentados. Entre 2018 e 2022, o
Brasil emitia sinais claros de recuperação com a conquista de superávit fiscal, dados do Tesouro Nacional confirmam um saldo positivo de R$ 54,1 bilhões em
2022, trajetória interrompida apenas pelos impactos severos da pandemia de
2020.
A partir de 2023, contudo, a gestão
federal adotou uma orientação oposta: expansão acentuada dos gastos públicos,
inchaço da máquina estatal e recriação de ministérios. A consequência direta do
déficit fiscal registrado (que ultrapassou R$ 230 bilhões em 2023) foi a
elevação da carga tributária. A proliferação de novos impostos sob a condução
do Ministério da Fazenda Fernando Haddad gerou forte reação popular e desestabilizou o ambiente
de negócios, provocando a fuga de capital e a migração de empresas. Sem corte
de despesas, a continuidade desse modelo tende a aprofundar o endividamento e a
dependência da população em relação a auxílios estatais.
2. Integridade e Histórico dos Postulantes
Seja para o Executivo ou para o
Legislativo (Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas), a
integridade moral deve ser o filtro primário. A corrupção sistêmica permanece
como o principal gargalo ao desenvolvimento do país. Diante da proliferação de
narrativas e do assassinato de reputações, cabe ao eleitor checar a veracidade
dos fatos em múltiplas fontes independentes, sem se fiar cegamente em
conglomerados de mídia alinhados a interesses financeiros. É preciso examinar
certidões, antecedentes e a coerência de cada figura pública, evitando colocar
no mesmo patamar deslizes formais e condenações por desvios milionários.
3. Qualificação e Capacidade Técnica
Qualquer atividade profissional de
relevância exige preparo e formação compatíveis. Na esfera pública, o critério
não deveria ser diferente. Permitir que quadros despreparados assumam a gestão
do Estado compromete o futuro coletivo. Assim como não submetemos nossa saúde a
um leigo ou nossa segurança a um piloto sem licença, não podemos entregar a
administração pública a nomes destituídos de competência técnica.
4. Propostas Concretas e Transparência de Propósito
O eleitorado já não tolera discursos
populistas e promessas demagógicas. Exige-se clareza quanto aos objetivos reais
do candidato ao ingressar na vida pública. Se a motivação primária não for o
bem comum e a melhoria efetiva das condições de vida da população, a
candidatura descumpre sua função social.
5. Alinhamento Partidário e Pautas Ideológicas
Ninguém governa isolado de sua
legenda. As diretrizes partidárias exercem peso decisivo sobre a atuação de
qualquer parlamentar. Por isso, é fundamental avaliar a postura oficial da
sigla em temas centrais: defesa da família, combate às drogas, controle de
armas, proteção à vida, tamanho da intervenção estatal na economia e
posicionamento em relação a regimes autoritários. O voto em um candidato também
fortalece a ideologia do seu partido.
6. Leitura Estratégica do Cenário Eleitoral
É preciso atentar para candidaturas
de fachada ou pulverizadoras, desenhadas apenas para fragmentar votos e
favorecer grupos específicos. Em um país de dimensões continentais, postulantes
que surgem apenas no período da campanha raramente viabilizam vitórias reais,
atuando, ainda que involuntariamente, como fatores de divisão. Da mesma
forma, a tática de lançar figuras folclóricas ou celebridades busca tão somente
criar "puxadores de voto" para eleger bancadas alinhadas a interesses
de bastidor.
7. Defesa do Equilíbrio entre os Poderes
Torna-se urgente escolher
representantes dispostos a restaurar os limites constitucionais do Poder
Judiciário. Nesse contexto, a renovação do Senado Federal assume papel
estratégico, por tratar-se da única instituição com prerrogativa legal para
fiscalizar e julgar abusos de autoridade cometidos por membros da Suprema
Corte. A estabilidade jurídica e o respeito à separação dos poderes são
pressupostos básicos para atrair investimentos e garantir as garantias
individuais.
Conclusão
Retornando à reflexão inicial: o
futuro das próximas gerações, dos nossos filhos e netos, bem como a preservação
das nossas liberdades fundamentais, dependem diretamente da maturidade com que
encararmos esse compromisso nas urnas.
Pense nisso com carinho e
responsabilidade. Que Deus tenha misericórdia do nosso Brasil!
Juvenal Oliveira










