Por
mais que busquemos a tão almejada “paz”, as guerras compõem os grandes cenários
descritos pela humanidade ao longo da história. O que muda são as intensidades
dos combates, as motivações e os personagens que se deslocam pelos diversos
continentes. Algo que nos chama a atenção são os desdobramentos finais, quando
o exército com maior superioridade precisa consolidar sua vitória, encurralando
o inimigo em seu próprio território. Normalmente, esses são os momentos mais
dolorosos, nos quais não há lugar para erros, distrações ou medo.
Não temos autoridade bíblica
para prever com exatidão o fim dos tempos, apenas os sinais descritos por
Jesus, como a parábola da figueira, e outros eventos que marcariam os dias de
Sua volta (Mt 24). É notório que muitos desses acontecimentos já podem ser
vistos atualmente. O Senhor dos Exércitos concluirá seu plano de extinguir
definitivamente o mal, tipificado pelo Diabo, seus anjos rebeldes e todos os
homens que negarem a Cristo (Jo 3.16-18). Diante disso, precisamos estar
focados, vigilantes, equipados e bem treinados para vencer.
Devemos ter a certeza de que
toda a estratégia, os segredos mais profundos e as formas de agir diante dos
ataques furiosos do nosso adversário estão descritos na Bíblia, o nosso manual
de coordenadas para a vitória. O único modo de o Diabo atingir a Deus é
derrotar a mim e a você; ele usará toda a sua perspicácia para isso por saber
que jamais terá chance contra o Eterno. Por isso, não podemos “brincar de ser
cristãos”. Nosso adversário não brinca; ele ruge ao nosso derredor, buscando
incansavelmente uma oportunidade para nos tragar (1 Pe 5.8).
O apóstolo Paulo, escrevendo
aos efésios, sintetiza o tema “Batalha Espiritual” utilizando a figura de um
soldado romano (Ef 6.10-20). Baseados nesse texto, observaremos alguns
princípios essenciais:
·
1º -
Dependência Total:
O apóstolo afirma que toda a nossa força vem do Senhor. Sem Ele, é simplesmente
impossível vencer. Devemos reconhecer que a derrota do inimigo só ocorre quando
estamos em total dependência de Deus.
·
2º -
Discernimento Espiritual:
É necessário entender que a nossa luta cotidiana não é contra pessoas, mas
contra as forças malignas que agem através delas, inclusive na vida de cristãos
que lhes dão legalidade.
·
3º -
O Cinto da Verdade:
Precisamos fechar as brechas. Assim como uma pequena cunha de madeira pode
derrubar uma porta, devemos ter cuidado com as “raposinhas” (Ct 2.15), as
mentiras cotidianas e os “pecadinhos de estimação”. Como a Bíblia atribui ao
Diabo a paternidade da mentira, Paulo nos adverte a estarmos sempre cingidos
com a verdade.
·
4º -
A Couraça da Justiça:
O nosso parâmetro de justiça será sempre o Senhor. Muitos têm sucumbido pelo
mau testemunho de homens dominados pelo pecado, mas o soldado deve proteger seu
coração com a justiça de Cristo para não desfalecer diante das injustiças
alheias.
·
5º -
O Calçado do Evangelho:
O egoísmo não é uma opção. Deus nos chamou para sermos instrumentos da
propagação do Evangelho, não apenas para “garantirmos” o céu. No campo de
batalha, o bom soldado arrisca a vida pelo companheiro ferido. Estejamos
prontos para transmitir a mensagem que recebemos gratuitamente.
·
6º -
O Escudo da Fé:
Devemos empregar com eficácia a nossa arma de defesa mais poderosa. Quando as
circunstâncias ou o inimigo dizem que você não é páreo, a fé declara: “Posso
todas as coisas naquele que me fortalece” (Fl 4.13), pois maior é Aquele que
está conosco.
·
7º -
O Capacete da Salvação:
Nada pode nos separar do amor de Deus (Rm 8.31-39). O maior motivo de nossa
alegria não deve ser os sinais ou prodígios, mas o fato de termos nossos nomes
escritos no Livro da Vida. O nosso espírito, protegido pela certeza da
salvação, é o nosso bem mais precioso.
·
8º -
A Espada do Espírito:
É imprescindível manejar bem a Palavra de Deus (2 Tm 2.15), que serve
tanto para defesa quanto para o ataque. Não é necessário ser um teólogo para
manejá-la, mas sim estar disposto a meditar nela diariamente e manter uma vida
de oração. Tão importante quanto conhecê-la é praticá-la, para que, ao pregar
aos outros, não sejamos nós mesmos reprovados.
Portanto, amados irmãos,
estejamos sempre prontos e conscientes do que nos aguarda. O tempo está próximo
(Ap 1.3) e não há mais espaço para sermos surpreendidos.
Juvenal Oliveira


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