segunda-feira, 25 de novembro de 2019

UM DIAGNÓSTICO CRISTÃO SOBRE O USO DE TATUAGENS


A prática de aplicar desenhos sobre o corpo é muito antiga e existem provas arqueológicas comprovando que este costume já era habitual em povos de diversas etnias há mais de 2000 anos a. C. O uso de tatuagens apesar de não ser proibido, com raras exceções, é um assunto que gera muita polêmica e evidencia preconceitos; no meio cristão, muito mais ainda. O propósito aqui não é ser taxativo, radical ou preconceituoso para com aqueles que já possuem algum tipo de tatuagem no corpo, mas, a luz da Bíblia, trazer alguns parâmetros a serem observados por aqueles que estão em dúvida se devem ou não fazer uso delas.
O primeiro aspecto que deve ser observado com muita atenção é o fato destes desenhos serem praticamente irreversíveis. Dependendo do tamanho, quantidade de cores e do tipo, se tornará impossível removê-lo por inteiro sem deixar cicatrizes na pele. Nós mudamos de ideia e de pensamentos constantemente no decorrer da vida e isto não ocorre somente na fase da adolescência e juventude, mas, na fase adulta também. Quem fizer uso deve estar totalmente consciente de que será para sempre, ou seja, não haverá oportunidade para arrependimentos ou mudanças de ideias e estilos. Somente este motivo já seria suficiente para fazer muita gente pensar com mais cautela antes de pintar o seu corpo. Atualmente, parece que está em alta aplicar tatuagens, ou seja, virou uma tendência; uma moda adotada por grande parte da sociedade pós-moderna. Mas, não podemos esquecer que as tendências costumam ser cíclicas. Logo aparece outra novidade para substituir a atual.
O segundo aspecto a ser analisado é quanto à questão cultural. Uma cultura não se muda da noite para o dia. Apesar do crescimento gigantesco da população que utiliza algum tipo de tatuagem, ainda existe muito preconceito, discriminação e desconfiança por parte dos brasileiros, principalmente, aquelas mais extravagantes e que são aplicadas em mais de 20% do corpo. Estas pessoas acabam sendo associadas a outros determinados grupos que não tem uma boa aceitação no âmbito geral da sociedade, como, por exemplo, as gangues organizadas. E, por falar em cultura, as igrejas cristãs reformadas de um modo geral, especificamente no Brasil, não veem com bons olhos esta questão; assim como, o ingerir bebida alcoólica, ainda que de forma moderada e sem causar embriaguez. Poderia citar aqui ainda muitas outras práticas que envolvem apenas questões culturais no meio da igreja, sem haver um respaldo mais contundente contrário na Bíblia. No capítulo oito da 1ª carta do apóstolo Paulo aos Coríntios ele trata sobre um assunto que estava afetando a fé de alguns irmãos que era o comer alimentos que haviam sido oferecidos a ídolos. Paulo discorre sobre o assunto e chega a dizer que não havia qualquer problema diante de Deus o comer ou não estes alimentos, não obstante, se isto estaria, de alguma forma, afetando a fé de alguns ao ponto de haver problemas maiores na comunidade como um todo, melhor seria que todos não comessem.
“Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo. Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize.” (ICo 8.12-13)
No capítulo dez desta mesma carta, Paulo disserta ainda sobre os limites da liberdade cristã, afirmando o seguinte:
“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar.” (ICo 10.23,32-33)
Será que estas orientações do apóstolo Paulo também não se encaixariam na questão em lide? E, um detalhe importantíssimo, ele começa a sua fala no capítulo oito, enfatizando o amor como premissa e não o conhecimento, deixando claro que não estava dando uma orientação meramente religiosa ou farisaica. O saber sem o amor se torna antissocial.
O terceiro aspecto a ser observado envolve o tema “mordomia cristã”. Partindo do pressuposto que todos os homens vivem por um período limitado na terra; logo depois morrem; e que o seu corpo retorna ao pó; se desprendendo do espírito, que volta para Deus, eu posso afirmar que não somos donos absolutos do nosso corpo (Ec 12.7). Isto quer dizer que Deus o concedeu temporariamente e que devo cuidar bem dele como um bom mordomo. Alguém, ao chegar até aqui na leitura deste artigo, pode argumentar o seguinte: – Mas, por que você está falando sobre mordomia em relação à tatuagem, tendo em vista, que existem muitos outros cuidados com o corpo que se sobrepõe a este em importância? Quando falamos em mordomia do corpo, automaticamente, estamos nos referindo a todos os procedimentos que visem cuidar bem dele como, realizar atividades físicas rotineiramente, se alimentar moderadamente, dormir pelo menos oito horas por dia, etc. E, também cuidar da sua aparência. Existem determinados desenhos que são verdadeiras pichações. Será que eu estaria glorificando a Jesus com o meu corpo todo pichado? Se a resposta for sim, quem sou eu para questioná-lo.
O quarto aspecto é parecido com o terceiro e tem a ver com o local em que Deus habita. O templo dos judeus era dividido em vários compartimentos. Um deles, chamado de “o Santo dos Santos” ou “Santíssimo”, só o sumo sacerdote entrava nele e uma vez por ano; ele tinha que estar com a sua vida santificada, senão, seria fulminado.  Era o lugar que representava a presença do próprio Deus. Jesus quebra as barreiras da separação e, a partir de então, todo aquele que o confessa como Senhor e Salvador, o seu corpo passa a ser o templo de Deus; o lugar da habitação do seu Espírito (ICo 3.6,17, 6.19). Até que ponto valerá a pena fazer estampas no lugar que é a morada do Espírito Santo?  
O quinto aspecto a ser analisado tem a ver com a comunicação que a imagem é capaz de produzir. Por exemplo, sem uma palavra e apenas com uma imagem seria capaz de passarmos uma mensagem sobre o apoio ao movimento “LGBT”. Muitos tatuadores fazem pactos e utilizam desenhos místicos com o intuito de enaltecerem determinada entidade ou passar alguma mensagem subliminar. Nesta linha de pensamento, um cristão pode argumentar que nem sempre a mensagem a ser transmitida será ruim e isto realmente é verdade. Agora, resta saber o seguinte: Ao analisarmos todos os aspectos envolvidos, será que valerá a pena utilizá-la mesmo assim?
O sexto aspecto não menos importante que os anteriores têm a ver com a intimidade com Deus. O Senhor se relaciona conosco. Ele não é um Deus mudo e fala aos corações dos homens que possuem ouvidos sensíveis. Para isto, faz-se necessário que nos aproximemos com um coração sincero e totalmente disposto a fazer a sua vontade. Com certeza, Ele nos dará direção e discernimento a fim de realizarmos tudo aquilo que for o melhor para cada um de nós e, ainda, glorificarmos o seu excelso nome com todo o nosso modo de viver (Jr 33.3; Tg 1.5).
Portanto, amados irmãos em Cristo Jesus, mais uma vez quero reiterar-vos de que a finalidade deste texto não é trazer nenhum peso, fardo ou complexo de culpa a vida daqueles que já possuem algum tipo de tatuagem. Todos nós somos conhecedores acerca da superabundante graça que há em Cristo Jesus, sendo capaz de nos manter ligados nEle em toda e qualquer circunstância, desde que haja arrependimento de pecados (Rm 8.31-39). O verdadeiro objetivo aqui é oferecer elementos, tendo como base a própria Bíblia, a fim de poder orientar a todos aqueles que estiverem em dúvida quanto ao uso de tatuagens. Enfatizando que todas estas orientações se aplicam também ao uso desequilibrado de brincos, piercing e outros tipos de adereços ligados ao corpo.
“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” (ICo 10.31)

Juvenal Oliveira


4 comentários:

  1. Obrigado meu grande amigo por ter deixado o seu comentário. Se gostou, compartilhe com seus amigos e me ajude a disseminar o meu trabalho.

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  2. Resolvi escrever sobre este tema, principalmente para os jovens, pois as igrejas quase não se posicionam sobre o assunto, talvez por ser muito polêmico no meio evangélico. Quem defende o uso pode ser tachado de liberal e os contrários, de fundamentalista e religioso. Mas, os cristãos precisam sair de cima do muro.

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