quinta-feira, 28 de maio de 2020

OS SUPERPODERES DE MINISTROS E O RISCO A NOSSA DEMOCRACIA


Primeiramente, é bom que se distinga a Instituição denominada por Supremo Tribunal Federal (STF), dos seus atuais integrantes, embora isso seja muito difícil para todos. A entidade está num patamar muito mais elevado do que seus representantes. Ela merece toda a reverência pelas atribuições importantíssimas que lhe são atribuídas através da nossa Constituição como um dos três poderes da República, harmônicos e independentes, pilar da nossa democracia.

Infelizmente, esse egrégio Tribunal não vem sendo bem representado ultimamente pelo seu colegiado. Ele tem recebido críticas constantes nas redes sociais, um espaço onde todos podem e devem se expressar livremente, desde que não ofendam ou caluniem qualquer que seja a pessoa. A origem dessa insatisfação com os ministros possui várias causas. Primeiro, a sua leniência em julgar os crimes cometidos por aqueles que possuem o foro privilegiado. Contra fatos não há o que se argumentar, basta levantar quantos políticos foram julgados, condenados e presos por esse tribunal. A maioria dos processos contra os políticos prescreve pela demora em que são conduzidos. Não adianta argumentar que é devido à quantidade de processos, pois, quando há interesse, as coisas funcionam em menos de 24 horas. Habeas Corpus que transitaram desde a primeira instância até a Suprema Corte na velocidade da luz. Numa questão de horas, um ministro emite um despacho para soltar um réu ‘pedigree’. Outro erro grave que vem sendo cometido pelo colegiado é o de extrapolar a sua esfera de competência institucional. A missão do STF não é criar leis, mas eles têm entrado constantemente na seara do Legislativo. Questões polêmicas como aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo, prisão a partir da segunda instância e muitos outros temas pertinentes vêm sendo conduzidos pela corte ditatorialmente. Lembrando a todos que o STF, dos três poderes, é o que menos expressa a vontade popular. Todos os integrantes do Executivo e do Legislativo possuem a legitimidade das urnas, ou seja, foram eleitos pelo povo para bem representá-lo. Todavia, os ministros do STF foram indicados pelo representante máximo do Executivo e, após serem “sabatinados” pelo Senado, aprovados para ocuparem seus respectivos cargos. Nenhum ministro dessa corte possui legitimidade direta do povo, não obstante, possuem mais poder do que aqueles eleitos pelo resultado das urnas. Eles agem como semideuses e possuem motivos para tanto. Os seus cargos são vitalícios. Alguns chegam a permanecer na Suprema Corte por mais de trinta anos. Somente o Senado Federal pode retirar um ministro de lá. Eles sabem que isso é praticamente impossível, pois grande parte dos parlamentares responde a processos e adivinhem quem os julga? Isso mesmo, são esses ministros tão misericordiosos com o Congresso Nacional.

Há uma narrativa desde a pré-campanha  presidencial de que Bolsonaro seria homofóbico, racista, louco e até um ditador fascista, mas quem tem agido de forma antidemocrática e ditatorial não é ele e sim os ministros do STF. A começar pelo ministro Luis Roberto Barroso, que interferiu numa decisão diplomática de competência exclusiva da Presidência da República quando impediu, na caneta, que diplomatas pertencentes a um governo venezuelano não reconhecido fossem expulsos do nosso país. Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes, numa decisão monocrática, sem qualquer motivo justificável, atendendo a uma solicitação de um partido político, emitiu uma liminar impedindo o presidente de nomear Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. O presidente estava apenas cumprindo uma de suas atribuições constitucionais, sendo impedido e confrontado. As alegações eram de que o presidente tinha afinidade com o indicado para o cargo, mas o senhor Alexandre de Moraes se esqueceu de que ele foi parar no STF graças a um relacionamento muito íntimo com o ex-presidente Temer. Quanta hipocrisia! Outro comportamento reprovável foi a maneira utilizada pelo decano Celso de Melo ao utilizar uma expressão desrespeitosa e autoritária, “debaixo de vara”, para convocar três Oficiais Generais quatro estrelas, ministros do Governo, para depor num processo onde o ex-ministro Sérgio Moro teria levantado suspeitas sobre possível interferência do presidente na Polícia Federal. Sérgio Moro afirmou em depoimento à PF que a gravação da última reunião presidencial com os seus ministros comprovaria a tal interferência, algo que não se confirmou. Mais uma vez, o Excelentíssimo Senhor Celso de Mello agiu de maneira irresponsável ao quebrar o sigilo de uma reunião secreta realizada pelo alto escalão do Governo, expondo para toda a população assuntos de segurança nacional. Dias depois, Vossa Excelência, o ministro Alexandre de Moraes, novamente tenta enquadrar um dos ministros, o Abraham Weintraub, da Educação, por suas falas nessa mesma reunião. Daí a explicação do Celso de Mello ter tirado o sigilo de toda a reunião, sendo que ele poderia abrir apenas os trechos que interessassem ao processo. Nota-se a malícia por detrás de tudo isso, em perseguir mais um integrante do governo por ter criticado o intocável colegiado. Ontem, dia 27 de maio de 2020, o senhor Alexandre de Moraes emitiu mandados de busca e apreensão à casa de vários cidadãos de bem, inclusive de Deputados Federais, dando prosseguimento a um processo inconstitucional chamado de “Processo das Fake News”. Processo esse que já havia sido mandado arquivar ano passado pela então Procuradora Geral da República, Raquel Dodge. Esse processo, segundo os maiores juristas do país, está em desacordo com a Constituição, pois, nele, o STF inicia uma investigação, coisa que não é da sua competência e sim do Ministério Público. Segundo, para investigar pessoas que vêm criticando, não a Instituição “STF”, mas o posicionamento arbitrário e antidemocrata de alguns ministros. A Constituição nos dá o direito à liberdade de expressão. Quer dizer que podem criticar e até difamar o Presidente, o Papa, os Senadores e Deputados, mas, Vossas Excelências do STF, jamais, como se fossem homens imunes ao erro, acima das leis, intocáveis? Que absurdo!

À vista disso, vale sempre ressaltar a ilustre frase de Rui Barbosa quando diz: “a pior ditadura é aquela imposta pelo judiciário onde não há a quem recorrer”. Tem sido muito preocupante o posicionamento de alguns ministros do STF. Se querem melhorar a sua imagem diante da opinião pública, o caminho não é perseguir quem os critica, mas reavaliar os seus posicionamentos. Os senhores ministros do STF não ocupam cargos políticos e não têm o poder constitucional para tanto. O que o povo brasileiro espera dos senhores é que cumpram bem os seus deveres, nas suas respectivas esferas de competência, julgando, como guardiões da Carta Magna, e punindo a todos aqueles que transgredirem as leis. Os ministros do STF têm sido hoje um dos maiores percalços para o desenvolvimento do nosso país. Será que vão querer me prender também por esse texto, com a justificativa de ser mais uma fake news?

Que Deus tenha misericórdia da nossa nação!!!


Juvenal Netto

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