domingo, 31 de maio de 2015

COM ELE VOCÊ ESTARÁ SEMPRE PROTEGIDO

Estava um dia desses indo para a igreja e presenciei uma cena que me chamou a atenção. Três cães atacavam um pequeno gato, enquanto ele tentava de todas as formas se livrar das investidas deles, até que se viu totalmente indefeso. Suas forças se esvaíram e os cães estavam prontos a concluir sua emboscada. Não me contive em apenas observar aquela cena. Parei o carro e socorri aquele pobre gato. Os cães, diante da minha intervenção, se afastaram e, finalmente, ele conseguiu escapar com vida.

Em muitos momentos das nossas vidas, nos sentimos exatamente assim como aquele gatinho, cercados, encurralados, sem saída diante das ameaças dos “cães da vida”. Eles se mostram de variadas formas. Às vezes, na figura de problemas dos mais terríveis, outras, em situações inusitadas e até mesmo através de ataques diretos dos demônios. Aos olhos humanos, seria impossível para aquele animal sobreviver diante de uma investida tão hostil e desproporcional, mas, em um dado instante, houve uma intervenção salvadora e ele escapou.

Nas horas difíceis da vida em que você também vier a se sentir assim, encurralado, prestes a sucumbir, creia que Jesus, o Leão da tribo de Judá, se levantará para te socorrer e proteger. Ele também é chamado de “o bom Pastor”. Aquele que dá a sua vida pelas ovelhas desprotegidas. Por isso, se você andar com Cristo, mal algum conseguirá lhe atingir. Praga alguma chegará à sua tenda.

Juvenal Oliveira



JESUS E A LEI


Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. (Mateus 5.17)

Em Jesus, a Divindade, o seu recipiente e veículo mais perfeito até hoje conhecido; através de Jesus se revelou o eterno “Logos” (verbo) que no princípio estava com Deus e era Deus, do modo mais puro que a humanidade conhece. A pura humanidade de Jesus não contaminou a pura revelação de Deus; em Jesus, encontrou o eterno Cristo a sua manifestação mais completa e fiel.

Neste sentido, diz o Nazareno: “Eu não vim abolir, mas sim levar à perfeição, a lei e os profetas.”

Infelizmente, andam por aí umas traduções inexatas que dizem “cumprir” em vez de “completar” ou “levar à perfeição.”  Tanto no original grego como na tradução latina da Vulgata está “completa” (em grego plerosai, em latim adimplere). Se Jesus tivesse vindo para cumprir a lei antiga, e não para lhe dar perfeição ulterior, não teriam sentido as palavras “foi dito aos antigos”; eu, porém, vos digo; seria ele um dócil discípulo de Moisés, mas não um mestre de perfeição superior.

 O que Jesus acrescenta à lei antiga é a atitude interior, ao passo que a lei antiga se contenta com atos exteriores. A lei de Moisés opera no plano jurídico horizontal, em que operam as nossas leis civis de hoje. Nenhuma autoridade judiciária condena ou absolve um réu em virtude das suas boas ou más intenções internas, mas unicamente em virtude dos seus atos externos. A alçada do magistrado humano é o foro externo, mas para Deus é muito mais importante o foro interno. O pecado não está, propriamente, no ato externo, físico, mas sim na atitude interna, moral.

 Afirma Jesus que homicida não é somente aquele que, de fato, mata um ser humano, mas também aquele que nutre ódio em seu coração; adúltero é também aquele que, sem cometer adultério exterior, alimenta em seu coração desejos libidinosos e por isto lança olho cobiçoso a uma mulher.

 Atos são efeitos ou sintomas de uma atitude, sendo causa ou raiz. O verdadeiro médico não está precipuamente interessado em curar os sintomas de uma doença, mas a própria raiz do mal.

 O Cristianismo de Cristo não tem por fim impedir que o homem evite apenas atos maus, ou pratique atos bons, mas sim que crie atitude má.

 Pode alguém fazer o bem sem ser bom, mas ninguém pode ser realmente bom e não fazer o bem.

 Os atos considerados em si mesmos são eticamente neutros, incolores, nem bons nem maus, que lhes confere bondade ou maldade ética é a atitude ou intenção do homem.

 Se Jesus tivesse abolido a lei antiga, que girava, sobretudo, em torno de atos, teria declarado inúteis os atos externos. Se tivesse apenas cumprido a lei, isto é, executado literalmente aquilo que a lei antiga preceituava, teria declarado suficientes os atos externos.

 Se tivesse abolido a lei antiga, teria sido revolucionário, demolidor; se tivesse apenas cumprido a lei antiga, seria simples tradicionalista conservador. Mas, como ao mesmo tempo conservou o que havia de bom na lei antiga e lhe acrescentou um novo elemento bom, é ele um verdadeiro evolucionista no terreno espiritual-moral. Sobre a base do passado e do presente, ergue o Mestre o edifício do futuro. Não basta que pratiquemos atos externamente bons, é necessário que sejamos internamente bons.



JAIRO DE SOUZA

A ARMADURA DE DEUS



Por mais que busquemos a tão almejada “paz”, as guerras compõem os grandes cenários descritos pela humanidade ao longo da história. O que muda são as intensidades dos combates, as motivações e os personagens que se deslocam pelos diversos continentes. Algo que nos chama a atenção são os desdobramentos finais, quando o exército com maior superioridade precisa consolidar sua vitória, encurralando o inimigo em seu próprio território. Normalmente, esses são os momentos mais dolorosos, nos quais não há lugar para erros, distrações ou medo.

Não temos autoridade bíblica para prever com exatidão o fim dos tempos, apenas os sinais descritos por Jesus, como a parábola da figueira, e outros eventos que marcariam os dias de Sua volta (Mt 24). É notório que muitos desses acontecimentos já podem ser vistos atualmente. O Senhor dos Exércitos concluirá seu plano de extinguir definitivamente o mal, tipificado pelo Diabo, seus anjos rebeldes e todos os homens que negarem a Cristo (Jo 3.16-18). Diante disso, precisamos estar focados, vigilantes, equipados e bem treinados para vencer.

Devemos ter a certeza de que toda a estratégia, os segredos mais profundos e as formas de agir diante dos ataques furiosos do nosso adversário estão descritos na Bíblia, o nosso manual de coordenadas para a vitória. O único modo de o Diabo atingir a Deus é derrotar a mim e a você; ele usará toda a sua perspicácia para isso por saber que jamais terá chance contra o Eterno. Por isso, não podemos “brincar de ser cristãos”. Nosso adversário não brinca; ele ruge ao nosso derredor, buscando incansavelmente uma oportunidade para nos tragar (1 Pe 5.8).

O apóstolo Paulo, escrevendo aos efésios, sintetiza o tema “Batalha Espiritual” utilizando a figura de um soldado romano (Ef 6.10-20). Baseados nesse texto, observaremos alguns princípios essenciais:

·         1º - Dependência Total: O apóstolo afirma que toda a nossa força vem do Senhor. Sem Ele, é simplesmente impossível vencer. Devemos reconhecer que a derrota do inimigo só ocorre quando estamos em total dependência de Deus.

·         2º - Discernimento Espiritual: É necessário entender que a nossa luta cotidiana não é contra pessoas, mas contra as forças malignas que agem através delas, inclusive na vida de cristãos que lhes dão legalidade.

·         3º - O Cinto da Verdade: Precisamos fechar as brechas. Assim como uma pequena cunha de madeira pode derrubar uma porta, devemos ter cuidado com as “raposinhas” (Ct 2.15), as mentiras cotidianas e os “pecadinhos de estimação”. Como a Bíblia atribui ao Diabo a paternidade da mentira, Paulo nos adverte a estarmos sempre cingidos com a verdade.

·         4º - A Couraça da Justiça: O nosso parâmetro de justiça será sempre o Senhor. Muitos têm sucumbido pelo mau testemunho de homens dominados pelo pecado, mas o soldado deve proteger seu coração com a justiça de Cristo para não desfalecer diante das injustiças alheias.

·         5º - O Calçado do Evangelho: O egoísmo não é uma opção. Deus nos chamou para sermos instrumentos da propagação do Evangelho, não apenas para “garantirmos” o céu. No campo de batalha, o bom soldado arrisca a vida pelo companheiro ferido. Estejamos prontos para transmitir a mensagem que recebemos gratuitamente.

·         6º - O Escudo da Fé: Devemos empregar com eficácia a nossa arma de defesa mais poderosa. Quando as circunstâncias ou o inimigo dizem que você não é páreo, a fé declara: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fl 4.13), pois maior é Aquele que está conosco.

·         7º - O Capacete da Salvação: Nada pode nos separar do amor de Deus (Rm 8.31-39). O maior motivo de nossa alegria não deve ser os sinais ou prodígios, mas o fato de termos nossos nomes escritos no Livro da Vida. O nosso espírito, protegido pela certeza da salvação, é o nosso bem mais precioso.

·         8º - A Espada do Espírito: É imprescindível manejar bem a Palavra de Deus (2 Tm 2.15), que serve tanto para defesa quanto para o ataque. Não é necessário ser um teólogo para manejá-la, mas sim estar disposto a meditar nela diariamente e manter uma vida de oração. Tão importante quanto conhecê-la é praticá-la, para que, ao pregar aos outros, não sejamos nós mesmos reprovados.

Portanto, amados irmãos, estejamos sempre prontos e conscientes do que nos aguarda. O tempo está próximo (Ap 1.3) e não há mais espaço para sermos surpreendidos.

 Juvenal Oliveira



SERÁ QUE VOCÊ DESEJA MESMO “ZOAR”?



Havia, em um passado bem distante, uma cidade cuja transgressão e promiscuidade eram tão grandes que chegaram ao conhecimento do Altíssimo. Ele, o justo juiz, não poderia ficar inerte ou insensível diante de tamanha podridão, talvez algo parecido com o que observamos na sociedade atual. Então, decidiu intervir imediatamente e destruir a cidade de Sodoma com todos os seus habitantes. No entanto, fez isso com muita tristeza, pois a criação é a sua obra-prima. Mas havia ainda um obstáculo: Ele não poderia destruir o justo com os ímpios.

Assim, Deus enviou seus mensageiros para alertar apenas uma família e não era qualquer uma, mas uma com parentesco próximo de seu grande amigo, Abraão. O estado daquela cidade era tão terrível que os homens tentaram abusar sexualmente até mesmo dos anjos enviados pelo Senhor. Porém, Deus tinha um escape, um refúgio, uma solução para Ló e sua família: eles deveriam caminhar para “Zoar”. Ali estariam a salvo, livres e totalmente libertos da ira divina.

A cidade de Zoar, para nós hoje, simboliza a Nova Jerusalém, a cidade santa, preparada para todos os salvos, aqueles justificados pelo sangue do Cordeiro. Infelizmente, a mulher de Ló, apesar da grande manifestação do amor do Pai, preferiu “olhar para trás”. Como consequência, fracassou, sendo transformada em uma estátua de sal. A expressão “olhou para trás”, em hebraico, significa literalmente “demorou-se”. Para aquela mulher, os desejos e a luxúria de Sodoma foram mais fortes do que o desejo de alcançar a salvação, pois ela “demorou-se” em se decidir.

Hoje, uma grande multidão age como a mulher de Ló, demorando-se em escolher entre os prazeres do mundo, representados pela antiga Sodoma e a vida eterna. É preciso decidir entre os banquetes transitórios oferecidos pelo mundo e a garantia da vitória, do livramento e da libertação total, simbolizados pelo que a Bíblia chama de céu.

Embora a expressão “livre-arbítrio” não apareça explicitamente nas Escrituras, podemos perceber esse conceito nitidamente. Deus sempre esteve preocupado com sua criação e continua enviando mensageiros. Sua igreja proclama incansavelmente ao mundo que o Senhor não tem prazer na morte de nenhum homem. Assim como a direção dada à família de Ló foi buscar abrigo em Zoar, para nós, no presente, a única saída é buscar aquele que é o caminho, a verdade e a vida: Jesus de Nazaré (Jo 14.6).

Portanto, qual será a nossa decisão? Sodoma ou Zoar (o céu), oferecido gratuitamente por meio do sacrifício vicário de Cristo? A mulher de Ló estava a um passo da vitória, mas preferiu voltar. Para aqueles que já saíram de Sodoma, o conselho é tomar essa mulher como exemplo e não cometer o mesmo erro. Não é tempo de retroceder! “Aquele que lança a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus”, disse Jesus (Lc 9.62). Avancemos, então, confiantemente para Zoar!

Juvenal Oliveira

 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

NADANDO CONTRA A CORRENTEZA



Apesar de nunca ter vivido tal experiência, já ouvi muitos relatos de pessoas que quase perderam a vida em águas revoltas devido a fortes correntezas. Nadar contra elas é algo extremamente fatigante, até mesmo para os mais exímios nadadores. A diferença entre o profissional e o principiante, muitas vezes, resume-se ao tempo de resistência e à capacidade de não entrar em pânico. Os especialistas ensinam estratégias específicas: mudar a direção do nado, procurar um ângulo perpendicular ou desbordar até alcançar a terra firme.

Existe, claro, a opção de se deixar levar pelo movimento das águas, mas isso significa navegar sem destino definido ou sem a certeza de sobrevivência. Jamais ouvi um nadador habilitado incentivar alguém a persistir no nado frontal contra a força bruta da água. Segundo eles, quem insiste nessa tática será inevitavelmente vencido pelo esgotamento. A tendência é a fadiga absoluta e, por fim, o afogamento.

Para muitos, a vida moderna tornou-se exatamente isso: nadar contra uma grande correnteza social que tenta nos arrastar para posições indesejáveis. Quem nunca sentiu o peso de lutar contra uma força maior, empregando energia sem sair do lugar e vendo suas forças se esvaírem?

Vivemos em um mundo onde a ética é frequentemente descartada e valores morais são rotulados como ultrapassados. Há uma clara tentativa de banalizar a família tradicional em prol de novas configurações de relacionamento. Quem defende a manutenção de princípios como honestidade, bons costumes e os fundamentos bíblicos precisa estar consciente de que enfrentará uma fortíssima oposição.

Um dos temas centrais nesse embate é a forma como o termo “homofobia” tem sido aplicado, muitas vezes de maneira equivocada ou manipuladora. Embora o dicionário a defina como agressão física ou ódio declarado, o termo tem sido usado para silenciar quem apenas se posiciona no campo das ideias. O que vemos é uma tentativa impositiva de inverter valores, tentando transformar conceitos estabelecidos em algo irracional.

Essa resistência não se limita à moralidade; ela permeia todas as estruturas:

  • No Ambiente de Trabalho: O sistema muitas vezes sufoca quem tem potencial. Quem se atreve a questionar métodos ineficientes ou lideranças autoritárias é logo tachado como rebelde ou problemático. Muitos líderes apenas “cumprem protocolo”, mas não ouvem de fato seus liderados.
  • No Campo da Fé: Infelizmente, a luta começa muitas vezes nas igrejas. O espírito crítico e o desânimo partem de quem deveria apoiar. A correnteza se torna mais forte quando o próprio “corpo” coloca obstáculos no caminho de quem deseja avançar.
  • No Sistema Jurídico e Político: A crise ética que assistimos, com escândalos de corrupção que parecem enraizados em quase todos os setores, revela um sistema onde a justiça muitas vezes depende do poder aquisitivo e da influência. É um gigante que faz até os mais íntegros desanimarem, sentindo-se impotentes diante de estruturas tão corrompidas.

No início, mencionei que existe uma estratégia humana para vencer correntezas físicas (desviar, desbordar). No entanto, nas questões da vida e da fé, a solução apresentada por Cristo é diferente. Jesus, no Sermão do Monte, não nos oferece atalhos, mas a porta estreita:

“Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e são muitos os que entram por ela. Porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.” (Mateus 7.13-14)

Neste contexto, a porta estreita significa continuar guerreando. A correnteza simboliza o sistema deste mundo que tenta nos fazer desistir por cansaço. Aqui, não há “desbordamento” possível; é preciso encarar os desafios com perseverança espiritual.

Portanto, enfrentemos a correnteza com fé. Tenhamos a convicção de que o Senhor nos dará a força necessária para vencermos a fadiga e alcançarmos o porto seguro. Lembre-se da promessa:

“Fiel é Deus, que não permitirá que sejamos tentados além do que podemos suportar; antes, com a tentação, dará também o escape.” (1 Coríntios 10.13)

Vale a pena seguir em frente. Ao final, nossa vitória não será fruto da nossa técnica de nado, mas da fidelidade Àquele que nos sustenta sobre as águas.

 

Juvenal Oliveira

terça-feira, 26 de maio de 2015

TALVEZ A ESPERANÇA ESTEJA NO “PÓ”


Por muitos anos, acreditei que o orgulho, a altivez de espírito e a arrogância fossem características exclusivas dos ricos e poderosos. Com o passar do tempo e a maturidade, cheguei à conclusão de que estava totalmente equivocado. A altivez e a arrogância são inerentes ao ser humano. Talvez devido à ação danosa do pecado herdado do primeiro homem e independem de condição social ou financeira. Já tive o privilégio de conviver com pessoas que, apesar de ricas e influentes, demonstravam incrível humildade. Do mesmo modo, conheci pessoas carentes, desprovidas de recursos indispensáveis para a dignidade mínima, que nem por isso deixavam de ser orgulhosas e prepotentes.

Deus escolheu o povo de Israel para servir de modelo às demais nações. Eles foram preparados para influenciar o mundo, mas essa nação tinha, entre tantos defeitos, um que enfurecia o Criador. Por diversas vezes, Deus usava Seus profetas para adverti-los, e uma das expressões divinas recorrentes no Antigo Testamento era: “Este povo é de dura cerviz”, ou seja, de coração endurecido e resistente à mudança. Parecia que suas colunas estavam permanentemente engessadas, impedindo-os de se curvarem, mesmo diante das piores provações.

O profeta Jeremias escreveu o livro de Lamentações. O nome não é casual: trata-se da narrativa de um povo que sofreu terrivelmente o cativeiro babilônico por cerca de 70 anos. Diante do poderio militar de Nabucodonosor, seria humanamente impossível para aquela nação libertar-se da escravidão e recuperar a alegria de viver em liberdade.

Hoje, embora o contexto seja distinto, multidões sofrem horrores semelhantes: miséria em todos os aspectos (do social ao conceitual); aprisionamentos variados (de relacionamentos tóxicos ao uso de entorpecentes); e enfermidades de origens diversas, principalmente as psicossomáticas, as chamadas “doenças da alma”. Somam-se a isso a presunção e a altivez, que levam muitos a recusar o auxílio, acreditando que podem vencer as lutas diárias por conta própria.

O profeta, ao deparar-se com tal cenário, descreve seus lamentos como quem aponta uma saída, talvez a única. Não havia solução mágica, sem esforço ou transformação. Era preciso, antes de tudo, “retirar o gesso das costas”. Precisavam reconhecer seus erros e curvar-se diante dAquele que poderia transformar suas histórias: o Senhor do universo.

No versículo 29 do capítulo 3, Jeremias apresenta uma solução simples: “Ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança.” Mas o que ele pretendia com isso?

Em primeiro lugar, o reconhecimento da própria pequenez, impotência e fragilidade. Era necessário abandonar a autossuficiência. Para um homem, pôr a boca no pó significa curvar-se completamente, até que os lábios toquem o solo e a coluna forme um ângulo convexo. É a imagem da criatura rendendo-se totalmente ao Criador.

Em segundo lugar, Jeremias sugere que, ao fazerem isso, haveria esperança. Existia a probabilidade de Deus intervir na situação e mudar o curso da história. Assim como fez com Israel, concedendo-lhe uma segunda chance e permitindo o retorno à sua terra natal, livre da opressão.

O termo “dura cerviz” aparece na Bíblia cerca de 18 vezes, enquanto a palavra “humilhar” e suas derivações surgem aproximadamente 69 vezes. Para cada advertência sobre a causa do sofrimento, Deus ordena três vezes mais a humilhação como condição básica para o toque e a libertação.

Portanto, se as circunstâncias parecem impossíveis, sigamos a orientação de Jeremias: curvemo-nos totalmente diante dAquele que tem poder para operar infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós: Cristo Jesus. Pois, à luz das Escrituras, não nos resta outra opção viável. (Lc 14.11; 18.14; Ef 3.20)

Soli Deo Gloria!

Juvenal Oliveira

 

NUNCA HOUVE


Nunca houve tantos templos religiosos de variados credos e, simultaneamente, tantas pessoas que desconhecem a Deus, ou que, pelo menos, assim o demonstram pela forma como vivem.

Nunca houve tantos escândalos e tamanha proliferação de falsos ensinos ligados à religião, a despeito da multiplicação dos cursos de Teologia e do surgimento de inúmeros teólogos nas diversas ramificações religiosas deste imenso Brasil. Além disso, a vasta quantidade de Bíblias comercializadas, em variadas traduções, aquece constantemente o chamado “mercado da fé”.

Nunca houve tantos que se apostataram da fé, abandonando a Deus e à religião devido às experiências frustrantes vividas no meio dos chamados “religiosos”. Nunca houve tanto liberalismo entre os que professam a fé em Cristo, a ponto de se perder a distinção entre o justo e o ímpio. A realidade é que muitos não se convertem de fato (no grego, metanoia — mudança de mente e atitudes), mas apenas se filiam a uma instituição, seguindo-a cegamente como se ela estivesse acima do próprio Deus.

Nunca houve tanta carência de amor, a ponto de animais serem, por vezes, mais valorizados que seres humanos. No Brasil, assiste-se ao paradoxo de uma sociedade que se comove e se mobiliza mais rapidamente contra o maltrato animal do que contra a perda da vida humana, apesar de toda a nossa estrutura jurídica.

Nunca houve tamanha inércia por parte da comunidade cristã que, embora tenha crescido significativamente, pouco influencia os rumos do país. Muitos comportam-se como “sal dentro do saleiro”: não preservam, não temperam e aceitam a degradação cultural com naturalidade. Tornaram-se espectadores passivos de entretenimentos que, frequentemente, atacam as bases familiares e os princípios que professam.

Contudo, nunca houve tantos sinais da volta de Cristo. Como Ele mesmo advertiu: “Aprendei, pois, esta parábola da figueira: quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas” (Mateus 24.32-33).

Portanto, o cenário atual não indica que Deus perdeu o controle, mas confirma que tudo já estava previsto. A volta de Cristo aproxima-se. Sejamos como as virgens prudentes: mantenhamos nossas lâmpadas cheias de azeite, prontas para a chegada do Noivo.

MARANATA — Ora, vem, Senhor Jesus. 

Soli Deo Gloria!

Juvenal Oliveira

 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A QUEM DEVEMOS ADORAR

           

A primeira observação necessária diz respeito ao significado da palavra “adoração”. Muitos possuem conceitos próprios sobre o tema, mas é preciso defini-lo corretamente. O termo refere-se geralmente a atos direcionados a um ser sobrenatural, seja uma divindade ou até algo material, como o dinheiro.

No hebraico, adorar significa “servir” ou “prostrar-se”. Para distinguir o serviço cúltico do serviço secular comum, notemos o seguinte: a adoração envolve dedicação exclusiva. É o “servir de corpo e alma”, onde o indivíduo se devota completamente, transformando a rotina em obediência incondicional.

O brasileiro, místico e religioso por natureza, tende a crer em múltiplas fontes. Frequentemente, entrega-se a divindades como solucionadoras imediatas de problemas, ilustrando o dito popular daqueles que “acendem uma vela para Deus e outra para o Diabo”. Contudo, o grande dilema humano não é o ato de adorar em si, mas se essa prostração é direcionada ao Deus verdadeiro.

Por volta de 1520 a.C., Moisés recebeu a missão de libertar Israel do Egito. Ao questionar a Deus sobre como apresentá-lo ao povo, recebeu a resposta: “EU SOU O QUE SOU. Assim dirás aos filhos de Israel: ‘EU SOU’ me enviou a vós outros” (Êxodo 3.13-14). O “EU SOU” (YAHWEH), o Autoexistente e Eterno Criador, é o único que deve ser adorado com todo o nosso ser.

Esse Deus amou o mundo de tal maneira que doou Seu único Filho, Jesus Cristo, para que todo aquele que Nele crer não sofra a morte eterna, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Note que a “religião” aqui é secundária; o que importa é o reconhecimento da Bíblia como a Palavra inerrante, o manual do Criador e a bússola para caminhos eternos.

E por que a adoração deve ser exclusiva a Jesus? Porque Ele a exige (Is 42.8; Tg 4.4-6) e porque as Escrituras o apresentam como o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5). Ele é o único capaz de garantir a vitória sobre o maior inimigo da humanidade: a morte. Assim como Ele ressuscitou, a promessa é que todos os que Nele creem também ressuscitarão. Esta é a nossa maior recompensa, tornando a adoração exclusiva um caminho de esperança e valor absoluto (1 Co 15).

Soli Deo Gloria!

Juvenal Oliveira

 

domingo, 24 de maio de 2015

O GRANDE DESAFIO DE VIVERMOS NO EQUILÍBRIO


O ecossistema é a unidade principal de estudo da ecologia e pode ser definido como um sistema composto pelos seres vivos, o local onde vivem e todas as relações que estabelecem entre si e com o meio. Há um equilíbrio fantástico na natureza criada por Deus: tudo está interligado. No entanto, o homem tem interagido com seu habitat de forma danosa e desequilibrada, causando destruição e gerando problemas ambientais que, segundo grandes cientistas, podem já ser irreversíveis.

Na Física, o equilíbrio significa o estado de um corpo que se mantém sobre um apoio sem se inclinar para nenhum dos lados. Isso parece simples e óbvio, mas o homem parece agir mais como um pêndulo, realizando um movimento oscilatório de vaivém: ora em uma extremidade, ora em outra. Contudo, o desejo de Deus para todos nós, em todos os aspectos da vida, é o equilíbrio, demonstrado e ensinado por Ele em toda a sua criação.

Em décadas passadas, vivemos no Brasil o período chamado de “Ditadura Militar”, em que se afirmava que éramos cerceados de direitos essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade justa e para a promoção de uma alta qualidade de vida. Dizia-se que tudo era censurado e reprimido; isso parecia se refletir até na educação familiar, com pais ríspidos e autoritários que não conseguiam dialogar com seus filhos e resolviam os conflitos apenas pela força.

Clamou-se por mudanças e, hoje, finalmente saímos das garras daquela ditadura. Tínhamos tudo para melhorar, crescer e alcançar patamares mais altos. No entanto, optamos por avançar demais para o extremo oposto: o neoliberalismo e o individualismo exacerbado. Atualmente, o que se define como democracia, na verdade, muitas vezes flerta com a anarquia. Vivemos onde não há limites, onde não se pode dizer “não” a um filho e onde o respeito às normas parece ter se dissolvido.

Tornamo-nos uma terra sem lei, onde o crime ostenta fuzis livremente, enquanto as autoridades policiais sentem-se engolidas por um sistema falido. Enquanto isso, o cidadão de bem vive enclausurado em sua própria residência, dependendo de equipamentos de segurança para garantir a sobrevivência.

No mundo competitivo e consumista atual, outro desafio é manter o equilíbrio financeiro. Como viver sem avareza e, ao mesmo tempo, sem irresponsabilidade? Muitos administram suas finanças de forma desequilibrada e pagam um alto preço por isso. Mas esse não é o desejo do Pai; Seu desejo é que sejamos mordomos equilibrados (Sl 62.10b; Pv 30.8; Mt 6.24).

Poderíamos escrever centenas de páginas sobre o equilíbrio nas diversas áreas da vida: profissional, sentimental e emocional. Mas finalizo abordando o equilíbrio na vida espiritual.

1. Equilíbrio entre conhecimento bíblico e devoção

Podemos identificar dois grupos extremistas nas diversas ramificações cristãs:

·         O primeiro grupo afirma que os milagres cessaram e eram apenas para o passado. Para defender essa tese, mergulham na “letra fria”, preocupando-se excessivamente com a teoria. Usam palavras rebuscadas para impressionar, mas desprezam a oração fervorosa e a busca pelo sobrenatural.

·         O segundo grupo desdenha do conhecimento bíblico aprofundado e coloca ênfase excessiva em profecias, revelações e sinais, muitas vezes sem base doutrinária.

Quem está certo? Nenhum dos dois! Jesus repreendeu os religiosos de Sua época afirmando que erravam por não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus (Mt 22.29). Precisamos da Bíblia para não sermos enganados, pois ela é a nossa regra de fé, mas não podemos ignorar a importância da oração.

2. Equilíbrio entre ministério e família

Outro erro comum é o extremismo na obra ministerial. Há pessoas que, no afã de realizar a “Obra do Senhor”, acabam perdendo seus próprios familiares. De que adianta ganhar o mundo e perder a própria casa? Para alguns, o ministério tornou-se uma “terapia ocupacional” sem frutos reais.

Por outro lado, há aqueles que negligenciam completamente seu chamado em nome de uma dedicação exagerada à família, ignorando a responsabilidade de lidar com vidas. O desejo de Deus é que estipulemos prioridades sem negligência.

3. Equilíbrio entre fé e razão

Há aqueles que espiritualizam tudo, vivendo distantes da realidade e tornando-se presas fáceis para falsos profetas ao se deixarem levar apenas pela emoção. Em contrapartida, há os que desprezam o mundo espiritual, avaliando tudo apenas pela razão e debochando da batalha espiritual.

Precisamos encontrar o meio-termo. Deus exige santidade, mas não nos tira do convívio social. Precisamos de discernimento para entender o que é natural e o que é de origem espiritual. Como Paulo escreveu a Timóteo: “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, amor e de moderação (equilíbrio)” (2 Tm 1.7).

O desejo de Deus é que nosso “pêndulo” fique travado ao centro, longe dos extremos e fundamentado na Sua vontade.

Soli Deo Glória!

Juvenal Oliveira

 

APRESENTAÇÃO DA ORQUESTRA NA 57ª ASSEMBLÉIA DA CONVENÇÃO BATISTA LITORÂNEA1


APRESENTAÇÃO DA ORQUESTRA NA 57ª ASSEMBLÉIA GERAL DA CONVENÇÃO BATISTA LITORÂNEA


sexta-feira, 22 de maio de 2015

CRISTÃO OU RELIGIOSO?


Embora muitos tratem esses termos como sinônimos, uma análise profunda revela que são caminhos distintos.

O religioso segue cegamente a líderes terrenos; o cristão, embora respeite a autoridade eclesiástica, tem em Cristo sua referência suprema.

  O religioso vive de rituais e dogmas; o cristão é sensível à voz do Mestre, entendendo que a obediência vale mais que sacrifícios vazios (1 Sm 15.22).

O religioso zela por sua reputação; o cristão busca a pureza do coração, fugindo da aparência de "sepulcro caiado" (Mt 23.27).

O religioso domina a letra da Lei para policiar o próximo; o cristão guarda a Palavra no coração para transformar a própria vida (Sl 119.11).

O religioso pratica o bem para “comprar” o céu; o cristão pratica o bem como fruto do amor ao próximo e evidência da salvação recebida pela graça (Ef 2.8-10).

O religioso busca impressionar exteriormente; o cristão toca o coração do Pai com a sinceridade da alma, invisível aos olhos humanos (1 Sm 16.7).

O religioso sente-se superior por seus ritos (Lc 18.10-14); o cristão reconhece que é totalmente dependente da misericórdia do Senhor.

Jesus advertiu que nossa justiça deve exceder a dos religiosos de Sua época (Mt 5.20). Fica, então, o desafio: seguiremos o proceder dos homens ou o exemplo de Cristo?

Soli Deo Glória.