Hoje, principalmente no ocidente, vemos um apelo ao
erotismo e à sensualidade, assim como uma banalização do sexo. Filmes de ação,
por exemplo, em que são inseridas cenas íntimas, totalmente desnecessárias.
Esta realidade vem mexendo com a cabeça dos nossos jovens e adolescentes que
acabam supervalorizando tais práticas como se fossem a fórmula para a
felicidade, sem se preocuparem com as suas consequências, que vão além de uma
possível gravidez ou da transmissão de uma DST. Pior ainda é chegarmos à
conclusão de que é cada vez mais comum termos jovens solteiros nas igrejas
mantendo uma vida sexual ativa, como se fosse a coisa mais normal do mundo, inclusive
participando de todas as atividades e exercendo ministérios. Será que a Bíblia
mudou? Será que a prática sexual antes ou fora do casamento deixou de ser
pecado? Por que muitos líderes, pais e irmãos mais velhos têm feito vista
grossa a este assunto de tamanha relevância?
À luz da Bíblia, o sexo é algo estabelecido pelo
próprio Deus e é uma bênção, caso seja realizado por um homem e uma mulher
devidamente casados. No primeiro livro da Bíblia, está escrito o seguinte:
“Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e
serão ambos uma carne. (Gn 2.24)”. Na concepção de Deus, este ato não é
apenas uma junção de corpos físicos, mas uma união tão intensa e tão profunda
ao ponto de serem considerados “uma só carne”. Há, portanto, um comprometimento
mútuo, uma aliança, uma junção de almas.
Muitos cristãos têm sucumbido aos desejos carnais e
caído no pecado da fornicação. A igreja contemporânea precisa estar preparada
para lidar com este tipo de situação. Até a década de oitenta, era muito comum
ver pessoas se casando puras após um longo período de namoro. É
fácil compreender porque eles conseguiam isto com mais facilidade. Neste
período, as famílias eram mais recatadas; os casais jamais ficavam a sós.
Resumindo, não havia muita oportunidade para avançarem o sinal. Hoje, por mais
que queiramos manter as tradições, é praticamente impossível manter aquele
padrão de comportamento do passado e também acho que existem outros mecanismos
para lidarmos com isto sem precisarmos voltar nele. Já que não conseguimos
voltar aos padrões antigos, o que então podemos fazer para que o tema
santidade, principalmente entre os jovens, não seja nada apenas teórico e
utópico?
O apóstolo Paulo, escrevendo à igreja de Corinto,
dá o seguinte conselho: “Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é
fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio corpo.” (I Co 6.18).
Paulo sabiamente diz que contra os desejos carnais não se deve tentar resistir,
mas que o caminho certo é o da fuga e é imperativo: “fugi”. Nossos jovens
precisam ter esta consciência; precisam ser orientados de que a intimidade é
uma via sem retorno, por isto devem se preservar ao máximo, evitando lugares e
situações propícias a que isto aconteça; ensinados de que o namoro é para levar
a sério, com o intuito de buscar o casamento e não um simples passatempo;
conscientizados de que o verdadeiro amor transcende ao prazer sexual, isto é,
não é conhecendo alguém na sua intimidade que você vai possuir legitimidade
para assumir um futuro compromisso nupcial. Se fosse assim, não veríamos tantos
divórcios em um tempo em que poucos partem para o casamento sendo virgens. O
tempo de namoro deve ser gasto em diálogos francos, sinceros e constantes a fim
de extraírem ao máximo um do outro. Além disto, em oração juntos a fim de
obterem a confirmação de Deus para uma futura aliança, pois, diante dEle, o
caminho para o altar deve ser sem volta.
Portanto, não adianta tentarmos empurrar a sujeira
para debaixo do tapete. A igreja precisa estar preparada e atualizada para
lidar com estes desafios do mundo pós-moderno. Nossos jovens precisam sim e
devem ser confrontados, não por mim ou por você, mas pela Palavra. Os tempos
mudaram sim, mas pecado sempre será pecado e ponto final. Isto não quer dizer que
a partir de agora tenhamos que decepar a cabeça do primeiro que transgredir
algum mandamento. Contudo, é dever nosso, como igreja, orientarmos os mais
novos e alertarmos sobre as possíveis consequências daqueles que optarem
conscientemente por andar em desobediência a Deus e à sua palavra. José, lá no
Egito, diante da tentativa de sedução da mulher de Potifar, ao fugir,
testemunha para todos nós que é possível sim vencer e permanecer fiel a Deus
(Gn 39.12).
Juvenal Oliveira




