Em um dia glorioso, o Eterno estava assentado sobre
o Seu alto e sublime trono. Ao Seu redor, um coro magnífico de anjos, querubins
e serafins entoava a mais bela canção: “Santo, Santo, Santo é o Deus
Todo-Poderoso...” De repente, algo diferente alcançou os ouvidos do Pai.
Ele ordenou que a orquestra parasse por um
instante. Queria ouvir melhor aquela melodia que acabava de chegar. O som não
Lhe era estranho. Ele já o ouvira antes, mas raramente com tamanha intensidade.
Era a voz do coração de uma mulher com o espírito atribulado; alguém exausta de
ser humilhada por uma sociedade que a discriminava por não poder gerar filhos.
Ela já havia tentado de tudo, recorrido a todos os chás e conselhos dos
melhores curandeiros da época, até compreender que o que precisava, na verdade,
era de um milagre.
Nessa luta incessante pela cura, suas forças se
esgotaram. Seus lábios já não conseguiam produzir som algum. Foi nesse instante
de fraqueza extrema que Ana se lembrou dos ensinamentos da infância sobre um
Deus sensível a um clamor específico: aquele que não nasce apenas nas pregas
vocais, mas no íntimo de um coração sincero e contrito.
Disposta a usar sua última estratégia, ela foi ao
santuário. De joelhos, começou a orar com insistência. Inicialmente, de seus
lábios saía um som incapaz de alcançar o destino, mas ela não se deu por
vencida. Apesar da exaustão física e mental, ela persistiu em balbuciar sua
dor. O sacerdote Eli, em um julgamento precipitado, chegou a classificá-la como
embriagada, mas Ana não se deixou abater. Estava focada.
Naquele momento, seu coração emitiu uma nota
diferente. O som produzido por ela rompeu as barreiras do universo, atravessou
as dimensões e tocou o Trono da Graça. Seria impossível para o Criador
permanecer inerte diante daquele espetáculo; ignorar tal apelo iria contra a
Sua própria natureza fiel e contra as Suas promessas. Ele já havia garantido
que todo aquele que O buscasse de todo o coração, O encontraria.
Ana O encontrou. Como resultado desse encontro, o
milagre aconteceu: Deus abriu a sua madre e ela deu à luz Samuel, que se
tornaria um dos maiores líderes, profetas e juízes de Israel.
Essa experiência de Ana não é um evento preso ao
passado. Pelo contrário, ela se repete hoje. O Senhor permanece imutável, com
os ouvidos sempre atentos para captar o som que vem do nosso coração.
Soli Deo Glória
Juvenal Oliveira


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