sexta-feira, 15 de setembro de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (SEXO NO RELACIONAMENTO – SÉRIE V)

 


O vocabulário humano é muito limitado quando se trata de definirmos os atributos de Deus. Os teólogos mais brilhantes que o mundo já conheceu escreveram milhares de páginas tentando esquadrinhar sua natureza, no entanto, nenhum deles conseguiu decifrá-lo na sua plenitude. Não conhecemos quase nada sobre o que foi criado, tendo em vista o número de galáxias existentes no universo, entretanto, focando apenas na Terra, é o suficiente para nos rendermos às maravilhas de tudo aquilo que gira em torno da vida. Uma delas é provavelmente a relação sexual, diria um percentual bastante considerável da população mundial. Inclusive, há comprovações científicas quanto aos dezessete benefícios proporcionados por ela à nossa saúde. O aumento nos níveis de serotonina, hormônio associado ao bom humor, é um deles, ou seja, diminui a irritabilidade, a ansiedade e a depressão.

Não há nenhuma sombra de dúvidas sobre o criador de algo tão prazeroso para as pessoas, entretanto, Deus estabeleceu parâmetros a serem observados quanto às suas práticas. Elas devem ser, exclusivamente, entre seres humanos, heterossexuais e monogâmicas, digo, praticada entre pessoas de sexo oposto; apenas entre um homem e uma mulher e por casais, devidamente unidos através do matrimônio (Lv 18.20-23; Rm 1.26,27; I Co 5.1-11, 6.9-19, 7.2; I Tm 1.10). Além destas, há ainda a abominação de relações que envolvam parentes mais próximos e aquelas em que não há consentimento de uma das partes (Dt 22.25). Todo relacionamento fora destes padrões é veementemente reprovado pelo Eterno e considerado imoralidade sexual. Aqueles que o desobedecerem sofrerão as devidas consequências de seus atos em tempo oportuno. Cabe destacar a diferença entre pecar e viver em pecado. O salário para aqueles que vivem desse modo é a morte (Rm 6.23).

Deus é o único ser perfeito, absoluto em sabedoria, e criou as regras supramencionadas não por um rigor barato e punitivo, mas pelo amor e zelo que possui sobre a obra criada. Cremos que, ao delimitá-las, não somente em relação ao assunto em pauta, mas também aos demais, ele busca o melhor para cada um de nós. Mesmo que não houvesse razão alguma para suas restrições, ainda assim, devemos aceitá-las sem quaisquer questionamentos, pois a criatura jamais poderá se contrapor ao Criador (Rm 9.20).

Em algumas traduções da Bíblia, a palavra “conhecer” é utilizada para definir o ato sexual (Gn 4.25, 19.8; Nm 31.18, 31.35, 19.25), ou seja, é algo muito profundo que une muito mais que corpos, envolve a alma e o espírito (Mt 19.5,6). Praticado no casamento, é uma bênção divina que transcende a finalidade de procriação, isto é, deve ser desfrutado ao máximo, proporcionando prazer a ambos os sexos, não obstante, deve ser acompanhado de respeito mútuo, amor e carinho que excede a uma simples atração física (Gn 26.8).

É muito natural que pessoas descrentes ignorem os princípios deliberados pelo Criador, realizando diversas práticas envolvendo o sexo, tais como: estupro, bestialidade, incesto, fornicação, adultério, homossexualidade, prostituição e toda sorte de pornografias. No entanto, quando voltamos nosso olhar para a igreja cristã, não podemos encarar tais atos com naturalidade. O pecado precisa ser confrontado e denunciado não com a intenção medíocre de expor, humilhar ou massacrar os indivíduos, mas para produzir arrependimento, cura e libertação. Como foi dito inicialmente, o sexo é muito atrativo, por isso, se constitui em uma ferramenta muito utilizada por Satanás para causar destruição. Mal utilizado, ele gera inúmeras enfermidades, as quais vão desde doenças físicas, passando pelas emocionais, até chegar ao ápice, as espirituais, com desdobramentos envolvendo a eternidade.

Sendo assim, o discípulo de Cristo não pode ignorar suas orientações, as quais possuem fundamentação nas Escrituras e devem nortear nosso estilo de vida. Alguns tentam, maquiavelicamente, esconder os textos correlacionados, outros caminham de forma ainda mais sorrateira, imprimindo e disseminando uma falsa Bíblia sem os referidos trechos. Deus sempre colocou diante de nós a escolha entre a bênção e a maldição (Dt 11.26-28). O que o sexo tem proporcionado aos cristãos desta geração? Pense nisso com muito carinho!

Juvenal Netto

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

EVANGELIZAR OS EVANGELIZADOS UM DESAFIO DUPLO

 


A matemática é vista como ciência exata, por estar inserida numa área de conhecimento fundamentada na lógica e na precisão. Quem nunca ouviu a expressão: “Os números nunca mentem”? É difícil discordar desde que eles sejam utilizados sem considerar nenhum outro parâmetro. Apesar de não errarem, há a possibilidade de serem manipulados consoante os interesses a alcançar. Essa prática é muito usual justamente por se sustentar na exatidão dos cálculos.

Os últimos censos realizados no Brasil revelam um crescimento expressivo do número de evangélicos, no entanto, será que esses dados correspondem à realidade? É preciso esclarecer que não há questionamentos aqui quanto ao resultado, provavelmente, fruto de uma pesquisa individual onde o entrevistado apenas responde qual é a sua religião. Nesse caso, os números podem apresentar distorções, pois a questão não é tão simples assim. Para ratificar esse recenseamento, obrigatoriamente muitos outros indicadores deveriam ser observados.

Esses números supramencionados ratificam que a igreja tem sido eficiente na proclamação do evangelho, não obstante, pode não estar obtendo o mesmo rendimento no discipulado. Como podemos chegar a essa constatação? Quando observamos o estilo de vida de grande parte desses novos discípulos, muitos deles não congregam ou o fazem irregularmente; não se engajam na missão da igreja; conhecem a Bíblia superficialmente; continuam com o mesmo comportamento de antes e não estão preparados para formar outros discípulos. O apóstolo Paulo, na sua segunda viagem missionária, retorna a algumas cidades, como Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia, com o intuito de fortalecer a fé daqueles novos cristãos (At 14.21,22). Ele enxergava a necessidade de gastar mais tempo para preparar melhor aquelas pessoas. A igreja precisa atentar para o ir, sim, mas não ignorar a necessidade de retornar para ver como estão as sementes plantadas; se elas germinaram ou não, e acompanhar de perto o seu crescimento. Principalmente depois da pandemia, é possível ver nitidamente como as igrejas recém-organizadas precisam de apoio. Obreiros carecendo urgentemente de auxílio, em todos os sentidos. Nesse contexto, ainda há aqueles que tiveram algum contato com o evangelho há mais tempo, portanto, não devem ser considerados recém-convertidos. Ainda assim, estes casos podem ser enquadrados na mesma situação que os novos na fé por viverem do mesmo jeito.

Desse modo, ao voltarmos nossa atenção para a campanha de Missões Nacionais de 2023, constatamos que a igreja precisa cumprir a Grande Comissão trabalhando em pelo menos duas frentes. Anunciar o evangelho àqueles não evangelizados, os quais nunca tiveram contato com o plano da salvação. No entanto, à semelhança do grande apóstolo dos gentios, retornar aos lugares e pessoas já evangelizados para fortalecer sua fé. A missão é árdua, mas o Senhor é conosco e nos fará prosseguir até a cumprirmos cabalmente. Então, poderemos gritar com todo ímpeto: Maranata, ora vem, Senhor Jesus!

Juvenal Netto

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (AMOR INCLUSIVO – SÉRIE IV)

 


A humanidade sempre passou por ciclos distintos e, com o avanço bombástico da tecnologia da informação, esse processo tornou-se mais dinâmico. Muitas alterações comportamentais têm surgido e, com elas, novos conceitos, os quais são disseminados utilizando técnicas para influenciar o maior número de pessoas possível em um curto período. Um dos métodos é o emprego constante de determinadas palavras-chave.

Falar sobre amor é tremendamente complexo. Muitos poetas conceituados já escreveram livros inteiros no intuito de nos trazer uma compreensão mais profunda. No entanto, a melhor definição que alguém pôde dar até hoje sobre ele foi através do apóstolo Paulo (I Co 13). Para se tornarem autênticos, os conceitos precisam ser acompanhados de ação e não apenas oratória, essa é a grande questão. Alguns dizem que amar é uma decisão e não somente um sentimento, instável e circunstancial. Mesmo que isso seja verdade, uma coisa é decidir, outra, bem diferente, é colocar em prática essa atitude, o que é extremamente radical. As palavras de Paulo ecoam na história devido ao seu testemunho, dando sentido e autenticidade a cada frase elaborada por ele.

A onda do momento é falar sobre ‘inclusão’, no entanto, quando o assunto é amor, para o cristão, ele deve suplantar esse nível. A preocupação daqueles que a defendem costuma ser elementar e voltada apenas para o presente, sem se preocuparem com regras e possíveis consequências. O amor verdadeiro deve ser muito mais abrangente, tratando o homem como um ser completo, possuidor de corpo, alma e espírito. O que adianta um indivíduo experimentar toda a “felicidade do mundo” de forma transitória e ter um final infeliz e desastroso? Enquanto Paulo foi aquele que melhor definiu, Cristo foi o que inquestionavelmente melhor demonstrou esse nobre sentimento. Jesus se preocupava com todos, indistintamente, e andava no meio de pecadores, como prostitutas, cobradores de impostos e mendigos. Foi um revolucionário para sua época, no bom sentido da palavra, inserindo até mesmo as mulheres numa cultura que as tratava como um ser de terceira classe. No entanto, seu padrão de amor por essas pessoas ia além de uma inserção temporária a determinado grupo sociológico. Jesus estendeu sua mão perdoadora para uma mulher adúltera, mas concluiu seu diálogo com ela dando a seguinte advertência: “Vá e não peques mais.” (Jo 8.1-11). Seu olhar compassivo não fixa apenas no presente, mas foca a eternidade, onde almeja levar a muitos. À semelhança do Mestre, o cristão deve amar o próximo em níveis muito mais profundos do que os estabelecidos pelo mundo. O amor autêntico e verdadeiro é aquele que distingue a pessoa de seus atos e comportamentos. Como um pai disposto a amar seu filho até o fim irrestritamente, não obstante, com o mesmo empenho em corrigi-lo toda vez que se fizer necessário, visando o seu bem futuro.

Que o Espírito Santo inunde nosso ser de tal maneira que amemos as pessoas sem qualquer preconceito ou distinção, o que não significa aceitar com passividade seus erros. Aquele que ama, verdadeiramente, fala a verdade e aponta a direção correta a ser seguida. Nesse “Cruzeiro” chamado vida, mais importante do que as instalações do navio é chegarmos com segurança em um porto seguro. Essa é a inclusão completa, mostrar o caminho pelo qual cada um chegará à cidade santa, ao paraíso preparado por Deus para aqueles que o amam.

Juvenal Netto

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

“A SOLUÇÃO É JESUS”, SERIA APENAS MAIS UM JARGÃO?

 


Existem venenos com ação imediata e os que matam lentamente. Apesar de ambos levarem à morte, estes podem ser ainda mais perigosos, pelo fato de não apresentarem sintomas imediatos, ou seja, quando a pessoa percebe, já é tarde demais. Assim acontece quando banalizamos progressivamente algo considerado vital para a nossa sobrevivência.

Não há sombra de dúvidas sobre Jesus, o filho de José e Maria, nascido em Belém da Judéia, ser o homem com maior supremacia na história da humanidade. Proporcionalmente à sua fama, há o perigo eminente de torná-lo comum. Algumas religiões já fazem isso ao considerá-lo apenas como um grande profeta. Já se passaram mais de 2.000 anos desde o seu nascimento e podemos chegar ao dobro desse tempo, ainda assim, ele continuará a exercer sua essencialidade, se as pessoas atentarem para o fato de possuir duas naturezas, a humana e a divina.

Todos os homens, em algum espaço de tempo, passarão por situações embaraçosas. Até mesmo os mais ricos e influentes terão que lidar com as suas limitações e necessitarão de alguém para ajudá-los a solucionar os seus problemas. Se fizéssemos uma escala de zero a dez, sobre a capacidade individual em resolver estes infortúnios, onde o zero significasse a total impossibilidade diante deles e o dez, o inverso, qual o nível máximo que um ser humano conseguiria alcançar? 

Jesus, sendo Deus, saiu do seu trono de glória e se vestiu de homem para compreender a fundo as estruturas mais profundas da sua obra-prima (Jo 1.1-3). Por isso, além de possuir plenos poderes no céu e na terra para fazer o que quiser, ele entende as nossas dores, angústias, ansiedades e demais sentimentos e emoções, as quais muitas vezes nos furtam a alegria e a esperança (Mt 28.18). Somente ele pode curar todas as enfermidades. Até a natureza, com todas as suas complexidades, lhe está sujeita por inteiro, por conseguir fazer o vento e o mar se aquietarem (Mt 8.27). Se pode fazer tudo isso, não pode também mudar quaisquer circunstâncias que venham nos sobrevir?  

Sobretudo, quando afirmamos que Jesus é a solução, nossa visão deve ir muito além da sua capacidade em resolver situações difíceis dos indivíduos enquanto estiverem aqui na terra, mesmo aquelas consideradas um milagre. O pior dos sofrimentos terrenos não pode ser comparado com uma eternidade longe de Deus, o que a Bíblia chama de segunda morte e inferno (Ap 2.11, 20.14). A morte é o maior inimigo dos homens e todos terão que encará-la em algum momento. A boa notícia é que existe, sim, solução para ela. O apóstolo João tem uma revelação sobre os últimos dias na terra e, no primeiro capítulo do livro de Apocalipse, ele faz a seguinte narrativa sobre Jesus:

“E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Ap 1.17,18).

Diante do exposto acima, concluímos que existem verdades que jamais poderão ser banalizadas. Assim como todos pecaram e a morte adentrou no mundo, somente através do sangue de Jesus conseguiremos o perdão do Pai e, assim, venceremos esse terrível inimigo (Jo 3.16-18, 14.6; At 4.12; Rm 3.23, 6.23, 10.9; I Jo 1.7). Jesus Cristo é a única solução!

Juvenal Netto

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (INTEGRIDADE – SÉRIE III)

 


Uma frase atribuída ao Advogado capixaba, chamado Luiz Maria Borges dos Reis, expressa perfeitamente o assunto a ser abordado nesta terceira série sobre a autenticidade dos seguidores de Cristo. Ela diz assim: “Ser honesto não é qualidade e sim obrigação”. Em uma cultura evoluída, característica peculiar dos países desenvolvidos, essa afirmativa será certamente vista como algo lógico e coerente. Isso pode sinalizar que existem questões, as quais transcendem ao âmbito da religião.

O comportamento desonesto, apesar de ser repelido veementemente por Deus, descritos em inúmeras passagens bíblicas, tornou-se parte da natureza do homem a partir de sua queda no Jardim do Éden. Quando olhamos atentamente pelo retrovisor da história, facilmente nos depararemos com narrativas de vários indivíduos agindo sem nenhum pudor. O modo corrupto de proceder não escolhe raça, sexo, classe social ou profissão. É possível encontrar desde pessoas simples e anônimas, até autoridades renomadas envolvidas em atos ilícitos, inclusive, aqueles que deveriam ser exemplo para a população, como os juízes e demais integrantes de órgãos ligados ao Poder Judiciário.

Mesmo reconhecendo que a igreja é composta por seres imperfeitos, o que a sociedade espera dessas pessoas é que suas atitudes sejam alicerçadas na ética, além de possuírem uma conduta ilibada e exemplar. Todos ficam na expectativa de que a igreja será a última barreira a ser vencida no que tange a preservar princípios basilares, como honestidade, justiça e lealdade, dentre muitos outros. No entanto, há um percentual considerado que vem denegrindo a imagem do evangelho pelo mal testemunho. Pessoas desonestas, trapaceiras e caloteiras, as quais ao denominar-se como cristãs, causam repúdio aqueles que estão a sua volta. Esse é um dos maiores motivos de rejeição a qualquer espécie de religião, como se ela fosse a responsável por esse procedimento reprovável. Jesus faz um alerta sobre o perigo que estes correm:

“E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.” (Lc 17.1,2).

O Testemunho de Zaqueu, serve como base para validar a realidade de uma pessoa que teve um encontro com Cristo. Ele era um homem que havia enriquecido por meio de práticas desvirtuosas, tendo em vista que exercia a função de cobrador de impostos. Uma profissão repudiada pelos judeus na época, exatamente pela prática de extorsão que a maioria deles cometia. Zaqueu, ao encontrar-se com Jesus, voluntariamente, se predispôs a restituir tudo aquilo que havia roubado, dando sinais de uma autêntica conversão (Lc 19.1-10).

Assim, mesmo admitindo que a virtude da honestidade ultrapassa o campo da religião, como abordado inicialmente, a luz da Bíblia, chegamos à conclusão de que todo aquele que passou por uma experiência real com Cristo foi transformado por inteiro, como aconteceu com Zaqueu e outros milhares de pessoas (II Co 5.17; Ef 4.28). Então, se afirmo ser cristão, consequentemente, ou sou íntegro, ou não passo de um impostor.

Juvenal Netto

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

REFÚGIO: A ÚNICA CIDADE SEGURA

 


O calcanhar de Aquiles dos habitantes das grandes cidades brasileiras chama-se violência urbana. Um problema que tira a paz das famílias e afeta a qualidade de vida de milhares de pessoas. Por esse motivo, existe um êxodo gigantesco; gente de todas as classes sociais fugindo dos conflitos, os quais se aproximam cada vez mais de suas residências. A grande questão é: onde encontrar um local seguro?

O povo de Israel foi libertado da escravidão do Egito e conduzido a Canaã, uma terra altamente produtiva, a qual poderia oferecer grandes possibilidades de recomeço a uma população que vinha sofrendo há tanto tempo. Nesse período, Israel era formado por doze tribos, sendo essa terra repartida entre onze delas. Deus tinha uma missão exclusiva para a tribo de Levi. Foi ela a responsável pela espiritualidade dos israelitas. Manter esse povo fiel às leis e aos mandamentos entregues a Moisés era um grande desafio. Para tanto, receberam 48 cidades posicionadas estrategicamente de forma a alcançar toda a área ocupada (Nm 35.7). As leis eram bem rígidas para uma nação que seria um protótipo para o mundo (Dt 19.21). No entanto, apesar de toda severidade, havia um público que ficaria desprotegido. A Bíblia os chama de “homicidas involuntários”, o que seria chamado hoje de culposo, ou seja, onde não há a intenção de matar. Os levitas receberam mais uma atribuição, dentre as cidades supramencionadas, deveriam separar seis delas, as quais seriam utilizadas como cidades de refúgio (Nm 35.9-15). Como naquela época não existiam tribunais, nem juízes, aqueles que porventura cometessem um crime de forma “involuntária”, estariam sujeitos a vinganças por parte dos parentes das vítimas, algo que poderia redundar em um grande banho de sangue inocente. Essas pessoas eram colocadas nesses locais e lá permaneciam até que fossem julgadas por uma comissão de anciãos formada por integrantes de cada tribo. Somente poderiam sair dali após a morte do sumo sacerdote. Para elas, o único local seguro era permanecer nos limites territoriais dessas localidades.

As cidades de refúgio, alegoricamente, apontam para Cristo. Quando uma pessoa tem um encontro com ele, permanece pecadora, entretanto, agora “involuntário”, assim como aqueles homicidas do Antigo Testamento. Para esse pecador, a sua segurança não está mais em um lugar, mas, exclusivamente, na pessoa de Jesus (Jo 5.24, 10.27-30). Ministrando a uma multidão, ele disse para seus ouvintes não temerem aqueles que matam apenas o corpo, mas, ao que tem poder para, além de matar, lançar suas almas no inferno (Lc 12.4,5).

À vista disso, eis a oportunidade para todos os que andam temerosos e aflitos. Infelizmente, não encontraremos nenhum lugar cem por cento seguro nesse mundo. Se você ainda não teve uma experiência com Cristo, isto é, peca sem peso na consciência, hoje é o dia para tomar essa decisão e encontrar descanso, mesmo em meio às incertezas desse mundo tão cruel. Caso já tenha optado por isso, lembre-se de que sua segurança está condicionada a permanecer sob a proteção de Cristo, porque fora dele não há salvação (Mt 11.28-30; Lc 11.21,22; At 4.12; Hb 2.1-3).

Juvenal Netto

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS – SÉRIE II)

 


“Não pode” é uma expressão habitualmente utilizada pelos pais ao lidar com as travessuras de seus filhos, principalmente na idade inferior a dez anos. Quem não se lembra disso em virtude de tê-la ouvido incontáveis vezes, não é mesmo? O pior não é ser impedido de fazer algo, mas o silêncio ou a indiferença de alguns pais em não responderem o porquê da proibição. Essa atitude causa um efeito ainda pior do que o próprio “não”, em especial, na fase da adolescência. Trataremos aqui sobre um assunto controverso, que exige respostas convincentes e que possuam embasamentos sólidos. O que a Bíblia nos orienta quanto à ingestão de bebidas alcoólicas por parte do público cristão reformado?

Certa feita, estava conversando com um pedreiro, o qual realizava um trabalho em minha casa, e ele me perguntou se era permitido ao cristão recorrer a bebidas alcoólicas. Eu respondi para ele que sim. Diante de minha resposta, percebi o seu espanto, talvez pelo fato de me conhecer e saber que sou cristão há muitos anos. Daí, ele, curioso, me fez a segunda pergunta. — E você bebe? Respondi que não. Sem entender nada, fez-me a terceira pergunta. — Se não é proibido, por que você não bebe? Diante de sua perplexidade, logo percebi ter a obrigação de explicar-lhe detalhadamente o motivo pelo qual havia tomado tal decisão. Exporei a seguir os mesmos argumentos que utilizei para responder ao questionamento daquele senhor.

A Bíblia não contém texto algum dizendo “não recorrerás à bebida alcoólica” ou frase parecida que contenha essa mesma conotação. Ela não condena o ingerir e sim o embriagar-se (Pv 20.1, 23.20; Is 5.11, 5.22, 28.7; Ef 5.18). Entretanto, a maioria das pessoas que recorre ao álcool com frequência não consegue evitar o estado de embriaguez, sem contar aquelas que evoluem para a dependência, e são milhares delas. Quantas vidas e famílias inteiras foram destruídas por causa do alcoolismo? De acordo com um editorial publicado este ano pela “The Lancet Public Health”, uma revista inglesa de grande prestígio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta afirmando que não existe nível de consumo de álcool que seja seguro à saúde. Acrescentando ainda que mesmo o uso leve ou moderado está associado à incidência de câncer. Com certeza, Deus não está nesse negócio.

Todo cristão sabe que o nosso corpo é templo do Espírito Santo, por isso, devemos cuidar dele com todo zelo e responsabilidade, ou seja, devemos ser bons mordomos de algo tão precioso que o Senhor nos concedeu temporariamente (ICo 3.16; 6.19). O álcool é danoso à saúde, bem como muitas outras substâncias, portanto, deve ser evitado. Uma das piores características dele é o fato de ser uma substância que causa dependência. Uma pessoa que afirma “beber socialmente” pode perder o controle ao passar por momentos difíceis na vida. Quem já não testemunhou essa triste realidade?

Na cultura brasileira, com algumas exceções, os cristãos reformados (evangélicos) não usam bebidas que contenham álcool. Algumas denominações chegam a se posicionar radicalmente contrárias. Por isso, esses cristãos que optam por fazer uso dessas bebidas se tornam motivo de escândalo para o público em geral. O apóstolo Paulo foi um dos maiores missionários da história. Além de pregar o evangelho, ele se preocupava com a saúde espiritual daqueles novos discípulos. Escrevendo aos romanos, Paulo instrui a igreja a nutrir um amor profundo uns pelos outros, à semelhança de Cristo, chegando ao ponto de não se tornarem pedra de tropeço na vida do irmão.

“Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.” (Rm 14.21)

Isto posto, apesar de não haver proibição expressa na Bíblia quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, não obstante, pelos motivos supramencionados, não é aconselhável que o discípulo de Cristo faça uso delas. Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém (I Co 10.23).

Juvenal Netto

sábado, 29 de julho de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO - VOCABULÁRIO

 


 

O livro de Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, conta a história dos primeiros passos da igreja após o Senhor Jesus ser assunto aos céus. Uma trajetória marcada por injúrias, tribulações, perseguições e martírios, não obstante, de triunfos, milagres e crescimento, proporcionalmente a tudo isso, fazendo se cumprir o que Jesus havia prometido (Mt 16.18). Depois da morte de Estevão, um dos primeiros mártires, houve uma grande dispersão dos discípulos para a Fenícia, Chipre e Antioquia. Esta, considerada a terceira maior cidade do império romano, onde os discípulos passaram a evangelizar não apenas os judeus, mas também os gentios. Muita gente se converteu nessa cidade e ali os discípulos começaram a ser chamados de “cristãos” (At 11.26).

Com o crescimento da igreja, logo surgiu o primeiro embate, pois um grupo de judeus queria obrigar os gentios convertidos a serem circuncidados e a cumprirem toda a lei de Moisés. Após uma reunião, realizada em Jerusalém com os apóstolos e presbíteros, sob a liderança de Tiago, líder da igreja, decidiram por não exigir tais ordenanças, estabelecendo algumas diretrizes específicas (At 15). Começava a se formar o corpo doutrinário da igreja cristã, fundamentado mais tarde nos livros que compõem o Novo Testamento. Iniciaremos uma série de reflexões sobre fundamentos da fé cristã, motivados principalmente pela pluralização doutrinária e pela banalização do evangelho existente em meio a centenas de denominações cristãs que surgiram nos últimos anos no Brasil.

Na mesma proporção em que o número de cristãos aumenta, segundo os últimos censos realizados, menos conseguimos identificá-los. Seus hábitos, costumes e comportamentos estão cada vez mais parecidos com os daqueles que não professam a fé em Cristo Jesus. Cabe ressaltar que estamos nos referindo à observância dos ensinamentos do Mestre (doutrina) e não meramente a usos e costumes estabelecidos pelo homem. Nesta reflexão, abordaremos a utilização inadequada de palavras, jargões, gírias, etc. Qual deve ser o padrão para o vocabulário utilizado pelo cristão? O apóstolo Paulo nos responde a esta pergunta, dizendo o seguinte: “Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas. Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.” (Cl 3.7,8). Em sua carta aos efésios, ele também faz menção a esse assunto, assim: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Ef 4.29,30). Apesar de ser em um contexto mais abrangente, podemos sim, utilizar também a passagem de Mateus 12.33-37, quando Jesus nos adverte quanto ao emprego impróprio das palavras, que ele chama de “frívolas”, e suas consequências para aqueles que as utilizam com frequência.

Sendo assim, amados irmãos em Cristo Jesus, não banalizemos o efeito negativo que existe em determinadas palavras, em especial, aquelas consideradas obscenas (popularmente “palavrão”). Esforcemo-nos para dar um bom testemunho em meio à grande nuvem de testemunhas que nos cercam, utilizando sempre um vocabulário apropriado à santidade que o Senhor requer de cada um de nós (Hb 12.14).

Juvenal Netto

sexta-feira, 21 de julho de 2023

CONSTRUA O ALTAR E ELE VIRÁ

 


Existem pequenos gestos que passam despercebidos pelas multidões por parecerem desprezíveis, entretanto, alguns deles são carregados de um significado tão profundo capaz de atrair e mover o braço do Eterno. Os chamados “patriarcas” o utilizaram em momentos cruciais e não era por acaso, pois sabiam o quanto era importante para estreitarem seu relacionamento com ele.

Noé foi comissionado por Deus a construir um grande navio porque a terra passaria por um dilúvio e essa embarcação era o único modo de salvar as pessoas e os animais (Gn 6.13-22). Aquele patriarca obedeceu, apesar de ainda não ter chovido sobre o planeta. Perseverou diante de escárnios e zombarias por parte de uma geração obstinada pelo pecado e pela depravação moral. Tudo aconteceu como o Senhor havia advertido e as comportas do céu se abriram, somente ele e sua família conseguiram escapar. Depois que as águas baixaram, a primeira ação daquele homem foi construir um altar para oferecer sacrifícios em adoração ao Todo-Poderoso (Gn 8.20). Com essa atitude, ele estava não somente agradecendo pelo grande livramento, mas por ter sido escolhido com a missão de reiniciar o povoamento da raça humana. Um gesto muito singelo se observado por alguém que nunca teve uma experiência com Deus. No entanto, Noé sabia que não era dotado de qualidades excepcionais, ou seja, reconhecia suas limitações como um mero mortal, mesmo assim, experimentava a inexplicável graça do Senhor (Gn 6.8). Atitude idêntica foi repetida por outros grandes personagens. Abraão construiu um altar, abrindo mão do seu bem mais precioso, seu único filho, Isaque, mas o Senhor providenciou um cordeiro como substituto. Essa atitude lhe assegurou o título de “o pai da fé”, por crer que ele poderia até mesmo ressuscitar seu filho após ter sido sacrificado (Rm 4.16-18; Hb 11.19). O profeta Elias, diante de um altar, protagonizou uma das experiências mais incríveis envolvendo o relacionamento entre Israel e Yahweh. Em um momento de apostasia do povo, onde estavam em dúvida sobre quem deveriam adorar, encorajados e influenciados por lideranças corruptas (Rei Acabe, sua esposa Jezabel e seus falsos profetas). Elias desafiou 450 profetas de Baal, um falso deus pagão; reconstruiu o altar que estava em ruínas e invocou o Deus de Israel, que respondeu com fogo do céu consumindo o holocausto. Ele deixou seu trono e visitou seu povo para confirmar sua soberania. Quando o altar é construído a partir de um coração sincero, ele certamente virá (IRs 18).

Como os sacrifícios oferecidos sobre o altar apontavam para Cristo, o Cordeiro de Deus que se entregou como oferta viva para purificação dos nossos pecados, o altar a partir de então ganha um novo sentido (IPe 1.18-20). Jesus deixa isto muito claro no diálogo com a mulher samaritana quando lhe responde onde seria o local exato para a adoração (construção do altar). Não seria mais em um local específico, seguindo um ritual religioso, mas, a partir de corações totalmente voltados para o Senhor, os quais ele chama de “os verdadeiros adoradores” (Jo 4.1-30).

Isto posto, concluímos que não precisamos construir altares à semelhança dos patriarcas, não obstante, aquele que almeja manter um relacionamento íntimo com o Senhor precisará manter a essência daquele ato. Jesus, durante o seu sermão no monte, nos ensina como devemos orar: “... entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.6). O Mestre não está aqui condicionando ou restringindo a oração, pois esse diálogo com o Senhor pode ser feito em qualquer lugar e a qualquer momento, no entanto, existem ocasiões em que precisamos nos refugiar, “construirmos um altar”. Jesus constantemente se isolava e ia orar no monte, creio que o segredo estava no “estar a sós com o Pai e não no lugar”, apesar de não ver nenhum problema em quem assim procede. Se quisermos prevalecer em meio às lutas e tribulações, não podemos abdicar dos nossos momentos a sós com Ele. Prepare o altar do seu coração e Ele virá.

Juvenal Netto

sábado, 8 de julho de 2023

VOCÊ CONHECE A AGENDA DE DEUS?

 


Segundo matéria recente divulgada pela revista Forbes, existem no ano de 2023 aproximadamente 2.668 bilionários, sendo 32 apenas no Brasil. Muitos desses homens possuem patrimônios que ultrapassam o PIB de muitos países. Em relação ao percentual da população mundial, eles não passam dos míseros 0,00003335%. Vocês podem imaginar a dificuldade daqueles que não fazem parte desse seleto grupo em conseguir uma simples audiência com eles? Tal patrimônio os torna mais poderosos que presidentes de alguns países desenvolvidos e demais autoridades dos diversos poderes constituídos e áreas sociológicas. Na verdade, grande parte da população não conseguirá sequer se aproximar de um desses indivíduos.

Ainda segundo a Forbes, o líder atual dessa lista chama-se Bernard Arnaut e possui um patrimônio estimado em 234 bilhões de dólares, isto é, o homem mais rico e poderoso do planeta Terra. Apesar de toda essa fortuna que o torna detentor de muitíssima influência mundial, diante daquele que criou a terra e todas as galáxias, ele não passa de um mero mortal com data de validade por vencer. Poderíamos, inclusive, reunir toda essa elite global que nem assim chegaria aos seus pés em termos de poder e autoridade. Já vimos o quanto seria difícil nos aproximarmos desses bilionários que poderiam ajudar milhares de pessoas a solucionarem muitos dos problemas que as afligem. Quem sabe você não sonha em conseguir um espaço na agenda de um desses poderosos para relatar-lhe seu problema de tão difícil resolução e conseguir ajuda? E se receber o conselho para tentar falar com o mais poderoso de todos? Não me refiro ao Bernard, mas ao Criador de todo o universo. Será que existe vaga em sua agenda diante de 8 bilhões de pessoas que habitam este planeta enfrentando tantos desafios simultaneamente?

O único Deus de Israel teve sua agenda bastante restrita durante todo o período que precedeu a vinda de seu filho, Jesus Cristo, em virtude do pecado que afastou o homem dele. Nesse tempo, apenas os sacerdotes tinham acesso direto a Ele, sendo uma vez por ano, e cumpriam o papel de representantes do povo (Êxodo 30.10). Quando Jesus deu seu último suspiro na cruz, o véu do Templo se rasgou de alto a baixo, simbolizando que a separação existente entre ambos, definitivamente, havia se extinguido (Mateus 27.50-51).

Assim, Jesus, após ter recebido na cruz toda a condenação imposta pelo pecado oriundo do primeiro casal, Adão e Eva, e transmitido indistintamente a toda a humanidade, tornou livre o acesso de todos ao Pai (Romanos 5.18-19). Não importa sua raça, condição social, opção religiosa ou qualquer outro requisito. Você também não precisa entrar numa fila de espera, nem de senha, a qualquer dia e horário, pode ir ao seu encontro. Que privilégio tremendo, seres imperfeitos, fracos e pecaminosos como nós, conseguirmos nos relacionar com um ser perfeito, transcendente, amoroso e infinito. Glória a Jesus! A única condição é crer que ele existe e que se torna premiador daqueles que o procuram (Hebreus 11.6). Ele possui todo o poder no céu e na terra, tendo solução para seu dilema (Mateus 28.18). Busque sua face ainda hoje, pois chegará o dia em que sua agenda se fechará para sempre e virá em seguida o juízo final (Isaías 55.6).

Juvenal Netto