sexta-feira, 1 de setembro de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (AMOR INCLUSIVO – SÉRIE IV)

 


A humanidade sempre passou por ciclos distintos e, com o avanço bombástico da tecnologia da informação, esse processo tornou-se mais dinâmico. Muitas alterações comportamentais têm surgido e, com elas, novos conceitos, os quais são disseminados utilizando técnicas para influenciar o maior número de pessoas possível em um curto período. Um dos métodos é o emprego constante de determinadas palavras-chave.

Falar sobre amor é tremendamente complexo. Muitos poetas conceituados já escreveram livros inteiros no intuito de nos trazer uma compreensão mais profunda. No entanto, a melhor definição que alguém pôde dar até hoje sobre ele foi através do apóstolo Paulo (I Co 13). Para se tornarem autênticos, os conceitos precisam ser acompanhados de ação e não apenas oratória, essa é a grande questão. Alguns dizem que amar é uma decisão e não somente um sentimento, instável e circunstancial. Mesmo que isso seja verdade, uma coisa é decidir, outra, bem diferente, é colocar em prática essa atitude, o que é extremamente radical. As palavras de Paulo ecoam na história devido ao seu testemunho, dando sentido e autenticidade a cada frase elaborada por ele.

A onda do momento é falar sobre ‘inclusão’, no entanto, quando o assunto é amor, para o cristão, ele deve suplantar esse nível. A preocupação daqueles que a defendem costuma ser elementar e voltada apenas para o presente, sem se preocuparem com regras e possíveis consequências. O amor verdadeiro deve ser muito mais abrangente, tratando o homem como um ser completo, possuidor de corpo, alma e espírito. O que adianta um indivíduo experimentar toda a “felicidade do mundo” de forma transitória e ter um final infeliz e desastroso? Enquanto Paulo foi aquele que melhor definiu, Cristo foi o que inquestionavelmente melhor demonstrou esse nobre sentimento. Jesus se preocupava com todos, indistintamente, e andava no meio de pecadores, como prostitutas, cobradores de impostos e mendigos. Foi um revolucionário para sua época, no bom sentido da palavra, inserindo até mesmo as mulheres numa cultura que as tratava como um ser de terceira classe. No entanto, seu padrão de amor por essas pessoas ia além de uma inserção temporária a determinado grupo sociológico. Jesus estendeu sua mão perdoadora para uma mulher adúltera, mas concluiu seu diálogo com ela dando a seguinte advertência: “Vá e não peques mais.” (Jo 8.1-11). Seu olhar compassivo não fixa apenas no presente, mas foca a eternidade, onde almeja levar a muitos. À semelhança do Mestre, o cristão deve amar o próximo em níveis muito mais profundos do que os estabelecidos pelo mundo. O amor autêntico e verdadeiro é aquele que distingue a pessoa de seus atos e comportamentos. Como um pai disposto a amar seu filho até o fim irrestritamente, não obstante, com o mesmo empenho em corrigi-lo toda vez que se fizer necessário, visando o seu bem futuro.

Que o Espírito Santo inunde nosso ser de tal maneira que amemos as pessoas sem qualquer preconceito ou distinção, o que não significa aceitar com passividade seus erros. Aquele que ama, verdadeiramente, fala a verdade e aponta a direção correta a ser seguida. Nesse “Cruzeiro” chamado vida, mais importante do que as instalações do navio é chegarmos com segurança em um porto seguro. Essa é a inclusão completa, mostrar o caminho pelo qual cada um chegará à cidade santa, ao paraíso preparado por Deus para aqueles que o amam.

Juvenal Netto

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