sábado, 14 de outubro de 2023

QUE TODOS SE CURVEM A ARTE DO ENSINO

 

O que seria da humanidade se não houvesse pessoas vocacionadas e empenhadas na nobre tarefa de transmitir conhecimento?  O mundo, através dos séculos, vem passando por transformações significativas, as quais impactam diretamente as populações, contribuindo para obtermos excelência na maneira de viver, e isso só é possível pela existência dos professores.

Alguns definem o ensino apenas como uma profissão. São as pessoas com propósito exclusivo de se dedicarem ao aprendizado de uma matéria, chegando ao ponto de conseguir dominá-la, e, assim, realizar a disseminação da mesma para outros, remuneradamente, fazendo desta o exercício de seu sustento. No entanto, tamanha é sua expressividade, não podemos deixar de encará-lo por outros ângulos. Ele pode ser definido também como um dom. Gente que nasceu com a capacidade intrínseca de ensinar com maestria. Pessoas com esta virtude tendem a conseguir maior êxito, por transmitirem as informações de maneira mais clara, obtendo como resultado um melhor aproveitamento de seus alunos. Quando a arte de ensinar extrapola o puro recebimento de um dom ou as questões meramente remuneratórias, movida por amor intenso, ela ganha uma nova conotação e se transforma em um ministério. Alguém com o coração em chamas, desejando ser instrumento de Deus com o intuito de ajudar outras pessoas a progredirem em determinada(s) área(s) de sua vida. O renomado escritor e médico psiquiatra, Augusto Cury, escreveu o livro “Mestre dos mestres”, cujo título se refere a Jesus de Nazaré, o Mestre por excelência. Os seus ensinamentos iam além de pensamentos filosóficos, ou apenas didáticos. Eles eram pedagógicos na essência, sempre com o propósito de bem servir ao próximo, alcançando a plenitude, isto é, seu corpo e alma/espírito. Além do mais, se perpetua por séculos a fio e continua norteando milhares de vidas na atualidade.

No sistema de energia elétrica, toda a carga é transmitida via fios condutores por quilômetros de distância, desde a sua origem até chegar ao destino.  Do mesmo modo, independentemente das classificações mencionadas anteriormente, o professor exerce um papel proeminente para a sustentação e avanço da sociedade. Ele é esse fio condutor, responsável por ligar gerações através dos séculos, fazendo chegar o conhecimento adquirido aos lugares mais longínquos da Terra.

Para expressar todo nosso reconhecimento, admiração e respeito por cada brasileiro, o qual se dedica à tarefa ímpar de transmitir seus aprendizados a outrem, com ou sem diplomas acadêmicos, conclamo a todos a aplaudirem de pé esses exímios educadores. Que Deus esteja revigorando as vossas forças, aperfeiçoando seus ministérios e os conduzindo de fé em fé até a trajetória final.  O maior bem que um ser humano pode deixar neste mundo, ao passar por ele, é o seu legado e vocês têm essa oportunidade. Façam isso sem medir esforços, pois a recompensa um dia virá.  Que Deus abençoe a todos os professores do nosso amado Brasil!

Juvenal Netto


sábado, 30 de setembro de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (GENEROSIDADE – SÉRIE VI)

 


O universo todo espera com muita impaciência o momento em que Deus vai revelar o que os seus filhos realmente são (Rm 8.19). Estas foram palavras utilizadas pelo apóstolo Paulo escrevendo aos romanos. Existe uma grande responsabilidade delegada por Deus aos seguidores de seu Filho. Diante de tantos aspectos acerca da sua doutrina, um deles é o exercício da generosidade. O cristão não foi chamado apenas para ter seu nome escrito no livro da vida e andar numa redoma espelhada, admirando sua própria imagem constantemente.

O sentido da palavra “generosidade” possui inúmeras definições, no entanto, será observado nesta reflexão apenas o de se dispor a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem. A virtude de uma pessoa generosa não está, necessariamente, atrelada a ser adepta a uma religião. Até mesmo um ateu pode possuir habilidades e dons naturais que o caracterizem como tal. Todo ser humano possui certo grau de egoísmo inerente à sua natureza, uma das consequências do pecado. Não obstante, o que se espera daqueles que tiveram um encontro com o Mestre são atitudes predominantemente altruístas.

Para determinados cristãos, exercitar a compaixão não é tão difícil, tendo em vista que, mesmo antes de se converterem, já eram inclinados à prática de ajudar o próximo. Em relação a outros, é um desafio constante, uma luta travada entre sua natureza carnal e a ação do Espírito Santo. Para se tornar um aprendiz obediente, o discípulo de Cristo deve compreender que demonstrar amor pelas pessoas vai muito além de pregar-lhes o evangelho. O Mestre jamais deixou de ensinar prioritariamente seus ouvintes sobre o que deveriam fazer para herdar o reino do céu. Entretanto, demonstrava toda sua generosidade, pois entendia perfeitamente que sua obra deveria ser completa, alimentando corpo e alma/espírito. À semelhança de Cristo, somente seus discípulos estão habilitados a exercer esta virtude no sentido mais profundo.

O mundo pós-pandemia se tornou ainda mais enfermo, em especial, o acometimento de doenças que envolvem diretamente a mente. Os terapeutas têm contribuído sobremaneira, utilizando todo o conhecimento adquirido para prestar auxílio a esses cidadãos. Todavia, por muitas vezes, além dessa ajuda, necessitaremos da intervenção divina. As pessoas estão extremamente carentes, assustadas e desesperançadas. Os relacionamentos, hoje, predominantemente virtuais, não conseguem suprir as carências por serem frios, sem calor humano, portanto, ineficazes.  

Que o Espírito Santo nos encha de fervor espiritual, ajudando-nos a vencer a indiferença e a frieza que assolam o mundo. Não duvidamos de que esta é a vontade do Pai, pois fomos chamados para cumprir este propósito (Jo 15.16). Então, o que compete a cada um de nós (cristãos) é buscar incessantemente sua face, dispostos a sermos seus instrumentos para a glória de Jesus.

Juvenal Netto

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

UM MINISTÉRIO INVISÍVEL NÃO MENOS EXCELENTE

 


Embora os judeus acreditassem na existência de pelo menos sete céus, o apóstolo Paulo faz menção a apenas três (2 Co 12.2). Acredita-se que o primeiro seja o que vemos a olho nu; o segundo, composto por inúmeras galáxias, somente visto mediante o uso de equipamentos; já o terceiro, é o trono do Altíssimo, o qual será desfrutado apenas pelos salvos, após o Juízo Final. Entretanto, todas as vezes em que um simples mortal se dirige ao seu Criador, através da oração, um fenômeno magnífico acontece. O seu reino vem até nós, criando uma espécie de ponte, uma linha de transmissão direta entre o céu e a terra (Mt 18.18).

É possível verificar na Bíblia algumas categorias de oração e uma delas é a intercessão (Jo 17.20). Há cristãos muito dedicados a essa prática, transformando-a em um autêntico ministério (serviço), objetivando sempre trazer algum benefício ao próximo (Tg 5.16). A seguir, será utilizada uma narrativa bíblica, fazendo um paralelo para demonstrar a relevância desta oração.

O povo de Israel saiu do Egito sob a liderança de Moisés e começou a peregrinar pelo deserto. Em dado momento, eles se depararam com uma tribo de beduínos, liderados por um homem chamado Amaleque, provavelmente descendentes de Esaú. Houve um impasse e o confronto era inevitável. Moisés mandou Josué escolher os homens e partir para a batalha, enquanto isso, ele, Arão e Hur subiriam ao monte com o bordão de Deus. Assim procedeu seu comandante. No decorrer da peleja, quando Moisés, em posse do bordão, levantava a mão, Israel prevalecia, no entanto, ao baixá-la por conta do cansaço, era o inimigo quem triunfava. Então, Arão e Hur pegaram uma grande pedra e fizeram Moisés se sentar nela, enquanto se posicionavam um de cada lado dele. Eles mantiveram a mão de Moisés sempre erguida até a vitória final, desempenhando uma função de extrema importância ao ajudar o líder de seu povo a cumprir sua missão (Ex 17.8-16).

À semelhança da experiência daqueles israelitas, a Intercessão exerce sustentação para os demais Ministérios nas igrejas, em especial, aos Pastorais. Diante da luta espiritual à qual todos os cristãos são submetidos, ininterruptamente, ela contribui para o fortalecimento dos missionários, concedendo-lhes sabedoria, força e intrepidez para cumprirem a grande missão de pregar o evangelho aos povos não alcançados. Por se tratar de uma guerra contra principados e potestades, não adianta utilizar armas humanas. É preciso recorrer a instrumentos adequados.

O Ministério de Intercessão é uma das ferramentas mais poderosas a ser utilizada pela igreja de Cristo. Lucas, escrevendo acerca dos primeiros passos da igreja primitiva, comenta sobre a prisão do apóstolo Pedro (At 12.9-19). Aos olhos humanos, era impossível ele escapar, entretanto, diante do poder intercessor da igreja, Deus enviou um anjo e o arrancou de lá de maneira inacreditável. A intercessão parece não ter tanta relevância, talvez, por ser exercida frequentemente no anonimato (Mt 6.6). Os irmãos chamados para exercerem este ministério devem ter ciência quanto à necessidade de utilizarem armas apropriadas, como a oração e a fé (Ef 6.10-19). Essas armas devem ser empregadas com toda ousadia através da intimidade com Deus, sendo alcançadas por vidas totalmente consagradas a ele.

Portanto, apesar de sua invisibilidade, o Ministério de Intercessão é indispensável para a conquista dos objetivos impostos pelo Mestre à sua igreja, bem como dos traçados pela nossa Junta de Missões Nacionais.

Juvenal Netto

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (SEXO NO RELACIONAMENTO – SÉRIE V)

 


O vocabulário humano é muito limitado quando se trata de definirmos os atributos de Deus. Os teólogos mais brilhantes que o mundo já conheceu escreveram milhares de páginas tentando esquadrinhar sua natureza, no entanto, nenhum deles conseguiu decifrá-lo na sua plenitude. Não conhecemos quase nada sobre o que foi criado, tendo em vista o número de galáxias existentes no universo, entretanto, focando apenas na Terra, é o suficiente para nos rendermos às maravilhas de tudo aquilo que gira em torno da vida. Uma delas é provavelmente a relação sexual, diria um percentual bastante considerável da população mundial. Inclusive, há comprovações científicas quanto aos dezessete benefícios proporcionados por ela à nossa saúde. O aumento nos níveis de serotonina, hormônio associado ao bom humor, é um deles, ou seja, diminui a irritabilidade, a ansiedade e a depressão.

Não há nenhuma sombra de dúvidas sobre o criador de algo tão prazeroso para as pessoas, entretanto, Deus estabeleceu parâmetros a serem observados quanto às suas práticas. Elas devem ser, exclusivamente, entre seres humanos, heterossexuais e monogâmicas, digo, praticada entre pessoas de sexo oposto; apenas entre um homem e uma mulher e por casais, devidamente unidos através do matrimônio (Lv 18.20-23; Rm 1.26,27; I Co 5.1-11, 6.9-19, 7.2; I Tm 1.10). Além destas, há ainda a abominação de relações que envolvam parentes mais próximos e aquelas em que não há consentimento de uma das partes (Dt 22.25). Todo relacionamento fora destes padrões é veementemente reprovado pelo Eterno e considerado imoralidade sexual. Aqueles que o desobedecerem sofrerão as devidas consequências de seus atos em tempo oportuno. Cabe destacar a diferença entre pecar e viver em pecado. O salário para aqueles que vivem desse modo é a morte (Rm 6.23).

Deus é o único ser perfeito, absoluto em sabedoria, e criou as regras supramencionadas não por um rigor barato e punitivo, mas pelo amor e zelo que possui sobre a obra criada. Cremos que, ao delimitá-las, não somente em relação ao assunto em pauta, mas também aos demais, ele busca o melhor para cada um de nós. Mesmo que não houvesse razão alguma para suas restrições, ainda assim, devemos aceitá-las sem quaisquer questionamentos, pois a criatura jamais poderá se contrapor ao Criador (Rm 9.20).

Em algumas traduções da Bíblia, a palavra “conhecer” é utilizada para definir o ato sexual (Gn 4.25, 19.8; Nm 31.18, 31.35, 19.25), ou seja, é algo muito profundo que une muito mais que corpos, envolve a alma e o espírito (Mt 19.5,6). Praticado no casamento, é uma bênção divina que transcende a finalidade de procriação, isto é, deve ser desfrutado ao máximo, proporcionando prazer a ambos os sexos, não obstante, deve ser acompanhado de respeito mútuo, amor e carinho que excede a uma simples atração física (Gn 26.8).

É muito natural que pessoas descrentes ignorem os princípios deliberados pelo Criador, realizando diversas práticas envolvendo o sexo, tais como: estupro, bestialidade, incesto, fornicação, adultério, homossexualidade, prostituição e toda sorte de pornografias. No entanto, quando voltamos nosso olhar para a igreja cristã, não podemos encarar tais atos com naturalidade. O pecado precisa ser confrontado e denunciado não com a intenção medíocre de expor, humilhar ou massacrar os indivíduos, mas para produzir arrependimento, cura e libertação. Como foi dito inicialmente, o sexo é muito atrativo, por isso, se constitui em uma ferramenta muito utilizada por Satanás para causar destruição. Mal utilizado, ele gera inúmeras enfermidades, as quais vão desde doenças físicas, passando pelas emocionais, até chegar ao ápice, as espirituais, com desdobramentos envolvendo a eternidade.

Sendo assim, o discípulo de Cristo não pode ignorar suas orientações, as quais possuem fundamentação nas Escrituras e devem nortear nosso estilo de vida. Alguns tentam, maquiavelicamente, esconder os textos correlacionados, outros caminham de forma ainda mais sorrateira, imprimindo e disseminando uma falsa Bíblia sem os referidos trechos. Deus sempre colocou diante de nós a escolha entre a bênção e a maldição (Dt 11.26-28). O que o sexo tem proporcionado aos cristãos desta geração? Pense nisso com muito carinho!

Juvenal Netto

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

EVANGELIZAR OS EVANGELIZADOS UM DESAFIO DUPLO

 


A matemática é vista como ciência exata, por estar inserida numa área de conhecimento fundamentada na lógica e na precisão. Quem nunca ouviu a expressão: “Os números nunca mentem”? É difícil discordar desde que eles sejam utilizados sem considerar nenhum outro parâmetro. Apesar de não errarem, há a possibilidade de serem manipulados consoante os interesses a alcançar. Essa prática é muito usual justamente por se sustentar na exatidão dos cálculos.

Os últimos censos realizados no Brasil revelam um crescimento expressivo do número de evangélicos, no entanto, será que esses dados correspondem à realidade? É preciso esclarecer que não há questionamentos aqui quanto ao resultado, provavelmente, fruto de uma pesquisa individual onde o entrevistado apenas responde qual é a sua religião. Nesse caso, os números podem apresentar distorções, pois a questão não é tão simples assim. Para ratificar esse recenseamento, obrigatoriamente muitos outros indicadores deveriam ser observados.

Esses números supramencionados ratificam que a igreja tem sido eficiente na proclamação do evangelho, não obstante, pode não estar obtendo o mesmo rendimento no discipulado. Como podemos chegar a essa constatação? Quando observamos o estilo de vida de grande parte desses novos discípulos, muitos deles não congregam ou o fazem irregularmente; não se engajam na missão da igreja; conhecem a Bíblia superficialmente; continuam com o mesmo comportamento de antes e não estão preparados para formar outros discípulos. O apóstolo Paulo, na sua segunda viagem missionária, retorna a algumas cidades, como Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia, com o intuito de fortalecer a fé daqueles novos cristãos (At 14.21,22). Ele enxergava a necessidade de gastar mais tempo para preparar melhor aquelas pessoas. A igreja precisa atentar para o ir, sim, mas não ignorar a necessidade de retornar para ver como estão as sementes plantadas; se elas germinaram ou não, e acompanhar de perto o seu crescimento. Principalmente depois da pandemia, é possível ver nitidamente como as igrejas recém-organizadas precisam de apoio. Obreiros carecendo urgentemente de auxílio, em todos os sentidos. Nesse contexto, ainda há aqueles que tiveram algum contato com o evangelho há mais tempo, portanto, não devem ser considerados recém-convertidos. Ainda assim, estes casos podem ser enquadrados na mesma situação que os novos na fé por viverem do mesmo jeito.

Desse modo, ao voltarmos nossa atenção para a campanha de Missões Nacionais de 2023, constatamos que a igreja precisa cumprir a Grande Comissão trabalhando em pelo menos duas frentes. Anunciar o evangelho àqueles não evangelizados, os quais nunca tiveram contato com o plano da salvação. No entanto, à semelhança do grande apóstolo dos gentios, retornar aos lugares e pessoas já evangelizados para fortalecer sua fé. A missão é árdua, mas o Senhor é conosco e nos fará prosseguir até a cumprirmos cabalmente. Então, poderemos gritar com todo ímpeto: Maranata, ora vem, Senhor Jesus!

Juvenal Netto

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (AMOR INCLUSIVO – SÉRIE IV)

 


A humanidade sempre passou por ciclos distintos e, com o avanço bombástico da tecnologia da informação, esse processo tornou-se mais dinâmico. Muitas alterações comportamentais têm surgido e, com elas, novos conceitos, os quais são disseminados utilizando técnicas para influenciar o maior número de pessoas possível em um curto período. Um dos métodos é o emprego constante de determinadas palavras-chave.

Falar sobre amor é tremendamente complexo. Muitos poetas conceituados já escreveram livros inteiros no intuito de nos trazer uma compreensão mais profunda. No entanto, a melhor definição que alguém pôde dar até hoje sobre ele foi através do apóstolo Paulo (I Co 13). Para se tornarem autênticos, os conceitos precisam ser acompanhados de ação e não apenas oratória, essa é a grande questão. Alguns dizem que amar é uma decisão e não somente um sentimento, instável e circunstancial. Mesmo que isso seja verdade, uma coisa é decidir, outra, bem diferente, é colocar em prática essa atitude, o que é extremamente radical. As palavras de Paulo ecoam na história devido ao seu testemunho, dando sentido e autenticidade a cada frase elaborada por ele.

A onda do momento é falar sobre ‘inclusão’, no entanto, quando o assunto é amor, para o cristão, ele deve suplantar esse nível. A preocupação daqueles que a defendem costuma ser elementar e voltada apenas para o presente, sem se preocuparem com regras e possíveis consequências. O amor verdadeiro deve ser muito mais abrangente, tratando o homem como um ser completo, possuidor de corpo, alma e espírito. O que adianta um indivíduo experimentar toda a “felicidade do mundo” de forma transitória e ter um final infeliz e desastroso? Enquanto Paulo foi aquele que melhor definiu, Cristo foi o que inquestionavelmente melhor demonstrou esse nobre sentimento. Jesus se preocupava com todos, indistintamente, e andava no meio de pecadores, como prostitutas, cobradores de impostos e mendigos. Foi um revolucionário para sua época, no bom sentido da palavra, inserindo até mesmo as mulheres numa cultura que as tratava como um ser de terceira classe. No entanto, seu padrão de amor por essas pessoas ia além de uma inserção temporária a determinado grupo sociológico. Jesus estendeu sua mão perdoadora para uma mulher adúltera, mas concluiu seu diálogo com ela dando a seguinte advertência: “Vá e não peques mais.” (Jo 8.1-11). Seu olhar compassivo não fixa apenas no presente, mas foca a eternidade, onde almeja levar a muitos. À semelhança do Mestre, o cristão deve amar o próximo em níveis muito mais profundos do que os estabelecidos pelo mundo. O amor autêntico e verdadeiro é aquele que distingue a pessoa de seus atos e comportamentos. Como um pai disposto a amar seu filho até o fim irrestritamente, não obstante, com o mesmo empenho em corrigi-lo toda vez que se fizer necessário, visando o seu bem futuro.

Que o Espírito Santo inunde nosso ser de tal maneira que amemos as pessoas sem qualquer preconceito ou distinção, o que não significa aceitar com passividade seus erros. Aquele que ama, verdadeiramente, fala a verdade e aponta a direção correta a ser seguida. Nesse “Cruzeiro” chamado vida, mais importante do que as instalações do navio é chegarmos com segurança em um porto seguro. Essa é a inclusão completa, mostrar o caminho pelo qual cada um chegará à cidade santa, ao paraíso preparado por Deus para aqueles que o amam.

Juvenal Netto

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

“A SOLUÇÃO É JESUS”, SERIA APENAS MAIS UM JARGÃO?

 


Existem venenos com ação imediata e os que matam lentamente. Apesar de ambos levarem à morte, estes podem ser ainda mais perigosos, pelo fato de não apresentarem sintomas imediatos, ou seja, quando a pessoa percebe, já é tarde demais. Assim acontece quando banalizamos progressivamente algo considerado vital para a nossa sobrevivência.

Não há sombra de dúvidas sobre Jesus, o filho de José e Maria, nascido em Belém da Judéia, ser o homem com maior supremacia na história da humanidade. Proporcionalmente à sua fama, há o perigo eminente de torná-lo comum. Algumas religiões já fazem isso ao considerá-lo apenas como um grande profeta. Já se passaram mais de 2.000 anos desde o seu nascimento e podemos chegar ao dobro desse tempo, ainda assim, ele continuará a exercer sua essencialidade, se as pessoas atentarem para o fato de possuir duas naturezas, a humana e a divina.

Todos os homens, em algum espaço de tempo, passarão por situações embaraçosas. Até mesmo os mais ricos e influentes terão que lidar com as suas limitações e necessitarão de alguém para ajudá-los a solucionar os seus problemas. Se fizéssemos uma escala de zero a dez, sobre a capacidade individual em resolver estes infortúnios, onde o zero significasse a total impossibilidade diante deles e o dez, o inverso, qual o nível máximo que um ser humano conseguiria alcançar? 

Jesus, sendo Deus, saiu do seu trono de glória e se vestiu de homem para compreender a fundo as estruturas mais profundas da sua obra-prima (Jo 1.1-3). Por isso, além de possuir plenos poderes no céu e na terra para fazer o que quiser, ele entende as nossas dores, angústias, ansiedades e demais sentimentos e emoções, as quais muitas vezes nos furtam a alegria e a esperança (Mt 28.18). Somente ele pode curar todas as enfermidades. Até a natureza, com todas as suas complexidades, lhe está sujeita por inteiro, por conseguir fazer o vento e o mar se aquietarem (Mt 8.27). Se pode fazer tudo isso, não pode também mudar quaisquer circunstâncias que venham nos sobrevir?  

Sobretudo, quando afirmamos que Jesus é a solução, nossa visão deve ir muito além da sua capacidade em resolver situações difíceis dos indivíduos enquanto estiverem aqui na terra, mesmo aquelas consideradas um milagre. O pior dos sofrimentos terrenos não pode ser comparado com uma eternidade longe de Deus, o que a Bíblia chama de segunda morte e inferno (Ap 2.11, 20.14). A morte é o maior inimigo dos homens e todos terão que encará-la em algum momento. A boa notícia é que existe, sim, solução para ela. O apóstolo João tem uma revelação sobre os últimos dias na terra e, no primeiro capítulo do livro de Apocalipse, ele faz a seguinte narrativa sobre Jesus:

“E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Ap 1.17,18).

Diante do exposto acima, concluímos que existem verdades que jamais poderão ser banalizadas. Assim como todos pecaram e a morte adentrou no mundo, somente através do sangue de Jesus conseguiremos o perdão do Pai e, assim, venceremos esse terrível inimigo (Jo 3.16-18, 14.6; At 4.12; Rm 3.23, 6.23, 10.9; I Jo 1.7). Jesus Cristo é a única solução!

Juvenal Netto

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (INTEGRIDADE – SÉRIE III)

 


Uma frase atribuída ao Advogado capixaba, chamado Luiz Maria Borges dos Reis, expressa perfeitamente o assunto a ser abordado nesta terceira série sobre a autenticidade dos seguidores de Cristo. Ela diz assim: “Ser honesto não é qualidade e sim obrigação”. Em uma cultura evoluída, característica peculiar dos países desenvolvidos, essa afirmativa será certamente vista como algo lógico e coerente. Isso pode sinalizar que existem questões, as quais transcendem ao âmbito da religião.

O comportamento desonesto, apesar de ser repelido veementemente por Deus, descritos em inúmeras passagens bíblicas, tornou-se parte da natureza do homem a partir de sua queda no Jardim do Éden. Quando olhamos atentamente pelo retrovisor da história, facilmente nos depararemos com narrativas de vários indivíduos agindo sem nenhum pudor. O modo corrupto de proceder não escolhe raça, sexo, classe social ou profissão. É possível encontrar desde pessoas simples e anônimas, até autoridades renomadas envolvidas em atos ilícitos, inclusive, aqueles que deveriam ser exemplo para a população, como os juízes e demais integrantes de órgãos ligados ao Poder Judiciário.

Mesmo reconhecendo que a igreja é composta por seres imperfeitos, o que a sociedade espera dessas pessoas é que suas atitudes sejam alicerçadas na ética, além de possuírem uma conduta ilibada e exemplar. Todos ficam na expectativa de que a igreja será a última barreira a ser vencida no que tange a preservar princípios basilares, como honestidade, justiça e lealdade, dentre muitos outros. No entanto, há um percentual considerado que vem denegrindo a imagem do evangelho pelo mal testemunho. Pessoas desonestas, trapaceiras e caloteiras, as quais ao denominar-se como cristãs, causam repúdio aqueles que estão a sua volta. Esse é um dos maiores motivos de rejeição a qualquer espécie de religião, como se ela fosse a responsável por esse procedimento reprovável. Jesus faz um alerta sobre o perigo que estes correm:

“E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.” (Lc 17.1,2).

O Testemunho de Zaqueu, serve como base para validar a realidade de uma pessoa que teve um encontro com Cristo. Ele era um homem que havia enriquecido por meio de práticas desvirtuosas, tendo em vista que exercia a função de cobrador de impostos. Uma profissão repudiada pelos judeus na época, exatamente pela prática de extorsão que a maioria deles cometia. Zaqueu, ao encontrar-se com Jesus, voluntariamente, se predispôs a restituir tudo aquilo que havia roubado, dando sinais de uma autêntica conversão (Lc 19.1-10).

Assim, mesmo admitindo que a virtude da honestidade ultrapassa o campo da religião, como abordado inicialmente, a luz da Bíblia, chegamos à conclusão de que todo aquele que passou por uma experiência real com Cristo foi transformado por inteiro, como aconteceu com Zaqueu e outros milhares de pessoas (II Co 5.17; Ef 4.28). Então, se afirmo ser cristão, consequentemente, ou sou íntegro, ou não passo de um impostor.

Juvenal Netto

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

REFÚGIO: A ÚNICA CIDADE SEGURA

 


O calcanhar de Aquiles dos habitantes das grandes cidades brasileiras chama-se violência urbana. Um problema que tira a paz das famílias e afeta a qualidade de vida de milhares de pessoas. Por esse motivo, existe um êxodo gigantesco; gente de todas as classes sociais fugindo dos conflitos, os quais se aproximam cada vez mais de suas residências. A grande questão é: onde encontrar um local seguro?

O povo de Israel foi libertado da escravidão do Egito e conduzido a Canaã, uma terra altamente produtiva, a qual poderia oferecer grandes possibilidades de recomeço a uma população que vinha sofrendo há tanto tempo. Nesse período, Israel era formado por doze tribos, sendo essa terra repartida entre onze delas. Deus tinha uma missão exclusiva para a tribo de Levi. Foi ela a responsável pela espiritualidade dos israelitas. Manter esse povo fiel às leis e aos mandamentos entregues a Moisés era um grande desafio. Para tanto, receberam 48 cidades posicionadas estrategicamente de forma a alcançar toda a área ocupada (Nm 35.7). As leis eram bem rígidas para uma nação que seria um protótipo para o mundo (Dt 19.21). No entanto, apesar de toda severidade, havia um público que ficaria desprotegido. A Bíblia os chama de “homicidas involuntários”, o que seria chamado hoje de culposo, ou seja, onde não há a intenção de matar. Os levitas receberam mais uma atribuição, dentre as cidades supramencionadas, deveriam separar seis delas, as quais seriam utilizadas como cidades de refúgio (Nm 35.9-15). Como naquela época não existiam tribunais, nem juízes, aqueles que porventura cometessem um crime de forma “involuntária”, estariam sujeitos a vinganças por parte dos parentes das vítimas, algo que poderia redundar em um grande banho de sangue inocente. Essas pessoas eram colocadas nesses locais e lá permaneciam até que fossem julgadas por uma comissão de anciãos formada por integrantes de cada tribo. Somente poderiam sair dali após a morte do sumo sacerdote. Para elas, o único local seguro era permanecer nos limites territoriais dessas localidades.

As cidades de refúgio, alegoricamente, apontam para Cristo. Quando uma pessoa tem um encontro com ele, permanece pecadora, entretanto, agora “involuntário”, assim como aqueles homicidas do Antigo Testamento. Para esse pecador, a sua segurança não está mais em um lugar, mas, exclusivamente, na pessoa de Jesus (Jo 5.24, 10.27-30). Ministrando a uma multidão, ele disse para seus ouvintes não temerem aqueles que matam apenas o corpo, mas, ao que tem poder para, além de matar, lançar suas almas no inferno (Lc 12.4,5).

À vista disso, eis a oportunidade para todos os que andam temerosos e aflitos. Infelizmente, não encontraremos nenhum lugar cem por cento seguro nesse mundo. Se você ainda não teve uma experiência com Cristo, isto é, peca sem peso na consciência, hoje é o dia para tomar essa decisão e encontrar descanso, mesmo em meio às incertezas desse mundo tão cruel. Caso já tenha optado por isso, lembre-se de que sua segurança está condicionada a permanecer sob a proteção de Cristo, porque fora dele não há salvação (Mt 11.28-30; Lc 11.21,22; At 4.12; Hb 2.1-3).

Juvenal Netto

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS – SÉRIE II)

 


“Não pode” é uma expressão habitualmente utilizada pelos pais ao lidar com as travessuras de seus filhos, principalmente na idade inferior a dez anos. Quem não se lembra disso em virtude de tê-la ouvido incontáveis vezes, não é mesmo? O pior não é ser impedido de fazer algo, mas o silêncio ou a indiferença de alguns pais em não responderem o porquê da proibição. Essa atitude causa um efeito ainda pior do que o próprio “não”, em especial, na fase da adolescência. Trataremos aqui sobre um assunto controverso, que exige respostas convincentes e que possuam embasamentos sólidos. O que a Bíblia nos orienta quanto à ingestão de bebidas alcoólicas por parte do público cristão reformado?

Certa feita, estava conversando com um pedreiro, o qual realizava um trabalho em minha casa, e ele me perguntou se era permitido ao cristão recorrer a bebidas alcoólicas. Eu respondi para ele que sim. Diante de minha resposta, percebi o seu espanto, talvez pelo fato de me conhecer e saber que sou cristão há muitos anos. Daí, ele, curioso, me fez a segunda pergunta. — E você bebe? Respondi que não. Sem entender nada, fez-me a terceira pergunta. — Se não é proibido, por que você não bebe? Diante de sua perplexidade, logo percebi ter a obrigação de explicar-lhe detalhadamente o motivo pelo qual havia tomado tal decisão. Exporei a seguir os mesmos argumentos que utilizei para responder ao questionamento daquele senhor.

A Bíblia não contém texto algum dizendo “não recorrerás à bebida alcoólica” ou frase parecida que contenha essa mesma conotação. Ela não condena o ingerir e sim o embriagar-se (Pv 20.1, 23.20; Is 5.11, 5.22, 28.7; Ef 5.18). Entretanto, a maioria das pessoas que recorre ao álcool com frequência não consegue evitar o estado de embriaguez, sem contar aquelas que evoluem para a dependência, e são milhares delas. Quantas vidas e famílias inteiras foram destruídas por causa do alcoolismo? De acordo com um editorial publicado este ano pela “The Lancet Public Health”, uma revista inglesa de grande prestígio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta afirmando que não existe nível de consumo de álcool que seja seguro à saúde. Acrescentando ainda que mesmo o uso leve ou moderado está associado à incidência de câncer. Com certeza, Deus não está nesse negócio.

Todo cristão sabe que o nosso corpo é templo do Espírito Santo, por isso, devemos cuidar dele com todo zelo e responsabilidade, ou seja, devemos ser bons mordomos de algo tão precioso que o Senhor nos concedeu temporariamente (ICo 3.16; 6.19). O álcool é danoso à saúde, bem como muitas outras substâncias, portanto, deve ser evitado. Uma das piores características dele é o fato de ser uma substância que causa dependência. Uma pessoa que afirma “beber socialmente” pode perder o controle ao passar por momentos difíceis na vida. Quem já não testemunhou essa triste realidade?

Na cultura brasileira, com algumas exceções, os cristãos reformados (evangélicos) não usam bebidas que contenham álcool. Algumas denominações chegam a se posicionar radicalmente contrárias. Por isso, esses cristãos que optam por fazer uso dessas bebidas se tornam motivo de escândalo para o público em geral. O apóstolo Paulo foi um dos maiores missionários da história. Além de pregar o evangelho, ele se preocupava com a saúde espiritual daqueles novos discípulos. Escrevendo aos romanos, Paulo instrui a igreja a nutrir um amor profundo uns pelos outros, à semelhança de Cristo, chegando ao ponto de não se tornarem pedra de tropeço na vida do irmão.

“Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.” (Rm 14.21)

Isto posto, apesar de não haver proibição expressa na Bíblia quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, não obstante, pelos motivos supramencionados, não é aconselhável que o discípulo de Cristo faça uso delas. Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém (I Co 10.23).

Juvenal Netto