terça-feira, 28 de março de 2017

O QUE BUSCAIS?




Muitas pessoas caminham todos os dias em busca de uma fonte que lhes sacie a sede de sua alma. Parece fácil, mas não é. A nossa alma costuma ser muito exigente, enquanto o corpo se contenta com um simples copo d’água; com uma singela refeição, ainda que se delicie com um belo cardápio; uma noite de sono é o bastante para recuperar o cansaço após um longo dia de trabalho pesado; já a alma apresenta necessidades muito mais profundas e complexas e o grande desafio é conseguir encontrar a fórmula para a tão sonhada felicidade; o prazer prolongado; a paz que perdure; o descanso que alivie; a solução para a carência e a baixa autoestima que parecem insaciáveis.

Muitas vezes, as pessoas, ao tentarem encontrar a fonte certa, acabam encontrando apenas paliativos. Estes se revelam na forma de relacionamentos, entretenimentos, atividades, etc. Tudo isto é válido e pode até ser muito saudável, entretanto, na prática, estas coisas não são a origem de tudo aquilo que a alma do homem precisa.

Citarei o exemplo de uma mulher anônima que havia colocado toda a sua expectativa de felicidade nos relacionamentos, pois já havia tido cinco maridos. Não se sabe detalhes da vida dela, mas o que se pode deduzir de uma pessoa assim é que deveria ser mal vista na vizinhança. Devia ser uma pessoa frustrada e infeliz com uma alma ávida por algo que nem mesmo ela saberia descrever o que era.

Um belo dia, ela sai para cumprir a sua rotina de pegar água no poço e se encontra com um Homem-Deus que iria mudar para sempre a sua história. Ela é surpreendida com uma água muito mais refrescante que saciaria não apenas a sede do seu corpo, mas a sede de sua rigorosa alma. Ela experimenta da “água viva” oferecida gratuitamente por Jesus, o Nazareno. Ela agora sai pela cidade a anunciar aos quatro ventos da terra acerca daquele que conseguira suprir toda a sua carência e dar sentido à sua existência (João 4).

Assim como aquela mulher, existe uma multidão sedenta, insaciável e vivendo na rotina dos anódinos, sem saber qual seria a solução ou onde estaria o fundamento para a sua felicidade.

Portanto, Jesus, sendo Deus, é o único que pode preencher o vazio de nossa alma; Ele é a fonte, a origem de tudo aquilo que o homem necessita.

“O qual nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Cl 1.13-17)

 

Juvenal Oliveira

 

sexta-feira, 3 de março de 2017

OS FRACASSOS DOS HOMENS NÃO SIGNIFICAM O FRACASSO DE DEUS




 Um dos programas televisivos que vem batendo recordes de audiência há anos e gerando verdadeiras fortunas para a Rede Globo é o “Big Brother”. O segredo de tanto sucesso é o interesse exacerbado das pessoas em acompanhar bem de perto o comportamento alheio. As pessoas se preocupam tanto com a vida dos outros que inúmeras vezes se esquecem de olhar para si e corrigir os seus próprios erros.

 Em meio a este pluralismo religioso em que vivemos, o que não faltam são as matérias de capa envolvendo escândalos por parte de pastores, bispos, padres e demais líderes religiosos. Em todas as áreas da sociedade existem pessoas que transgridem periodicamente as leis, entretanto, esta categoria de pessoas é muito mais exigida pelo fato de ensinarem os mandamentos divinos. Todos ficam estupefatos, como se estes homens não fossem humanos, ou seja, imunes a qualquer tipo de erro ou falha. Este cobrar dos outros, exigir a perfeição no outro; ser intolerante com a corrupção do outro, acontece também nos bastidores da vida. Pessoas que ficam com uma luneta a fim de detectar uma pequena falha no seu vizinho. Em se tratando de religião, o rigor é ainda maior. Existem os críticos de plantão que fazem questão de disseminar uma notícia negativa que envolva algum religioso, principalmente aqueles que possuem alguma posição de destaque.

A intenção aqui não é a de tentar encobrir os erros cometidos pelos religiosos, mas esclarecer que Deus não tem, absolutamente, nada a ver com estes fracassos. A cada postagem ou matéria com teor pejorativo divulgada nas redes sociais envolvendo pessoas que professam uma fé, proporcionalmente, crescem os índices de pessoas se dizendo desacreditar na religião; pior do que isto, acaba transferindo para Deus toda a sua frustração como se Ele fosse o verdadeiro culpado. Por que Deus permitiu tal escândalo? Por que não removeu tal líder antes? Por que me deixou ser enganado?

Cada vez que leio a Bíblia, fico maravilhado porque em nenhum momento Deus esconde as fraquezas dos homens. Ele chama o Rei Davi de “o homem segundo o seu coração”, não obstante, não omite os deslizes cometidos por ele, e, olha que foram coisas muito sérias. (Atos 13.22; 2 Samuel 12).

Nada foge ao controle de Deus. Ele reina sobre tudo e sobre todos (Salmos 24.1). A Bíblia mostra a realidade de um Deus Todo-poderoso, infalível, invencível, que não precisa pedir conselhos a ninguém; que age como quer e sabe como fazer todas as coisas; que jamais fracassará (Ex 15.18; Salmos 146.10; Apocalipse 11.15). Existe um episódio narrado na Bíblia que distingue muito bem a questão dos fracassos dos homens e o poder infinito do Deus que o invocam. Os filhos do sacerdote Eli, Hofni e Finéias, estavam vivendo dissimuladamente e fazendo coisas reprováveis aos olhos de Deus. Ele permitiu que o povo perdesse a batalha para seus inimigos, os filisteus. Israel voltou novamente, agora levando a Arca, que simbolizava a presença do próprio Deus, acreditando que com ela eles venceriam. Não apenas foram derrotados novamente, como a Arca foi levada pelos inimigos. Os filisteus a puseram no templo do seu deus, chamado Dagom. No dia seguinte, a estátua de Dagom, diante da Arca, estava caída sem a cabeça e as mãos. Os filisteus ficaram apavorados e, às pressas, após serem vitimados por tumores, mandaram de volta a Arca, reconhecendo que puderam vencer a Israel, mas não ao seu Deus.

Por conseguinte, não se apostate da fé por causa dos escândalos, até porque eles já foram previstos pelas Escrituras. Nem se deixe influenciar pelas coisas erradas que algumas pessoas fazem mesmo estando nas Igrejas. Olhe somente para Jesus, autor e consumador da nossa fé, nele eu e você podemos confiar sempre. Ele jamais nos decepcionará (Hebreus 12.1-2; Filipenses 3).

 

 A Deus toda a glória!!!

Juvenal Oliveira

 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

UM INCONFORMADO PERSISTENTE




A realidade sombria do nosso país, dominado pela corrupção ética, moral e espiritual, mostra a face de um grupo considerável de pessoas inconformadas. Desde que haja razoabilidade, o inconformismo pode ser um grande aliado do homem no sentido de tirá-lo da sua zona de conforto e motivá-lo a lutar por seus ideais. Sair da inércia deve ser o primeiro passo, não obstante, deve-se ter o cuidado de não caminhar na direção errada ou lutar contra inimigos imaginários.

A inconformidade parece algo latente na vida humana, pois sempre haverá alguém insatisfeito com alguma coisa. Agora, alguns princípios devem ser observados. Primeiro, é justificável este sentimento, ou seja, será que os motivos são autênticos? Em segundo lugar, é ter discernimento e inteligência para fazer algo que realmente contribua para a mudança acontecer. E, em terceiro lugar, cada um deve perguntar a si mesmo se estaria disposto a ir até as últimas consequências para mudar aquilo que tanto o incomoda. Sendo mais claro, conseguiria morrer combatendo mesmo tendo a percepção de que não poderia mudar tal realidade? Mudar todo um sistema opressor? Uma luta que transcende os limites do visível e do mundo físico ou até mesmo mudar a sua própria natureza?

O apóstolo Paulo, escrevendo à Igreja em Roma, os orienta a que sejam inconformados (Rm 12.2). Inconformados com o pecado, pois o pecado é a única coisa que pode nos separar de Deus. Nem mesmo os demônios, com todo o poder que possuem, conseguem por si só nos separar de Deus (Is 59.2; Rm 8.38-39). Alguém que se conforma com o pecado está propenso à morte (Rm. 6.23; Tg. 1.15).

Inconformados com este sistema, chamado “mundo”, orquestrado por satanás, que vem ceifando a vida de milhares de pessoas através de suas ardilosas ciladas. Muitas vezes utilizando sempre as fraquezas humanas como isca, como, por exemplo, as drogas lícitas e ilícitas, que propiciam um prazer e uma alegria momentâneos, mas, o fim é a escravidão e a morte. A prostituição é outra arma predileta dele que age em conluio com a nossa natureza adâmica, banalizando o valor do corpo que a Bíblia chama de templo do Espírito Santo, tornando-o  apenas um objeto de consumo totalmente descartável. O Diabo age sutilmente até encontrar uma brecha para atingir os homens com toda a espécie de corrupção, tornando-os amantes de si mesmos e totalmente insensíveis à dor alheia. A violência, para ele, tem um valor superestimado por ver as pessoas, a imagem e semelhança de Deus, se destruindo umas às outras e a vida vai perdendo gradativamente o seu valor. 

Inconformados com o número de pessoas que carimbam diariamente o seu passaporte para o inferno, por ignorarem a voz de Deus que sussurra em seus ouvidos até o último suspiro, dizendo: Filho, eu te amo e quero te salvar da condenação eterna, basta se arrepender de seus pecados e crer em mim (Rm. 10.9).

Portanto, é este inconformismo que fará de cada cristão um pregador incansável até a volta de seu Senhor, pois o seu desejo é ver o máximo de pessoas experimentando a mesma graça, o mesmo perdão, o mesmo amor e a mesma salvação.

Soli Deo Glória

Juvenal Oliveira


sábado, 4 de fevereiro de 2017

“SE REVIRANDO NO TÚMULO”



Esta prosopopeia é muito utilizada para afirmar que as ideias e posicionamentos de uma pessoa já falecida estão sendo confrontados ou contrariados. Normalmente, esta figura de linguagem faz menção a alguém que exerceu algum tipo de influência sobre a sua geração ou gerações vindouras, como grandes pensadores, líderes das mais variadas áreas, inventores, atores, cantores e outros.

O apóstolo Paulo, também conhecido como Paulo de Tarso, foi um dos líderes mais proeminentes da história do cristianismo. Escreveu treze cartas com exposições doutrinárias e apologéticas que vêm norteando a vida de milhares de cristãos desde o seu encontro com Jesus, por volta do ano trinta e sete, até os dias atuais. Dentre a cristandade, independentemente da linha teológica adotada, ele é uma figura respeitada. Seus escritos são normalmente aceitos como inspiração divina, não obstante, o que se vê nos dias atuais é um grande número de “líderes cristãos” ensinando doutrinas totalmente contrárias às suas, dentre elas o “triunfalismo”. Este prega um cristianismo sem sofrimento, dor ou perseguição; alguns deles chegam ao extremo, afirmando que quando isto acontece na vida de um cristão é porque ele não tem fé suficiente ou está em pecado.

Logo no início de seu ministério, na sua primeira viagem missionária, o apóstolo Paulo, acompanhado por Barnabé, após ter pregado em várias cidades e ter feito muitos discípulos, resolveu visitar as cidades de Listra, Icônio e Antioquia com o objetivo de fortalecer-lhes a fé. Paulo fez questão de salientar que eles deveriam estar preparados para passar por muitas tribulações a fim de entrar no reino de Deus (Atos 14.22).

Paulo foi chamado para ser um pregador do evangelho e nem por isso foi poupado do sofrimento, pelo contrário, foi açoitado, perseguido, humilhado, sofreu naufrágios, passou fome, mas jamais ficou se lamuriando ou reclamando (Atos 9.16; 2 Coríntios 11.23–27). Quando escreve aos Filipenses, estando ele preso, o que mais dá ênfase é à alegria que sentia de poder servir a Cristo, pois tinha consciência da grande recompensa que o aguardava (Filipenses 1.4; 4.4, 10,11). Paulo nos dá o exemplo de que a nossa comunhão com Cristo e a certeza da vida eterna devem ser as nossas maiores motivações em servi-lo e não apenas a de ser poupado de sofrimentos neste mundo.

 Deste modo, utilizando esta expressão meramente como uma figura de linguagem, “Paulo deve estar se revirando no túmulo” pelas aberrações que andam ensinando por aí em seu nome.

 Sola Scriptura


Juvenal Oliveira