Se esta pergunta tivesse partido de um ateu ou de
uma pessoa que não soubesse nada sobre Deus, seria naturalmente compreensível,
mas vindo de um povo que acabara de ver coisas extraordinárias acontecerem, é,
no mínimo, incongruente.
O salmista faz uma síntese do período compreendido
entre a saída dos israelitas do Egito, sua peregrinação pelo deserto durante
quarenta anos, a chegada à terra prometida e a divisão dela pelas doze tribos
(Sl 78). O que chama a atenção neste texto é o comportamento de uma população
ingrata, rebelde e incrédula que teima em arguir a Deus em tudo. Eles cometem
pelo menos três grandes erros que servem de lição para nós hoje.
O primeiro erro foi não reconhecerem o que Deus
vinha fazendo no meio deles. A partir do versículo onze, o salmista relata como
Deus operou grandes milagres ainda no Egito, para libertá-los da escravidão que
já perdurava quatrocentos e trinta anos. Narra como Deus abriu o mar vermelho para
que pudessem escapar do exército de Faraó. Como Ele os guiava no deserto
através de uma coluna de nuvem durante o dia a fim de protegê-los do sol
escaldante e das altíssimas temperaturas, e durante a noite com uma coluna de
fogo para aquecê-los do frio intenso. Fez fluir água da rocha e pão caía do céu
diariamente para alimentá-los (maná). Mas tudo isto, por incrível que pareça,
ainda não era o suficiente para aqueles descrentes.
O segundo erro foi querer que tudo acontecesse do
seu jeito e no seu tempo. O versículo dezoito afirma que eles tentaram contra
Deus exigindo um cardápio “ao seu gosto”.
O terceiro erro (vs.19) foi limitar o poder de Deus
ao fazerem a petulante pergunta se Ele seria capaz de lhes preparar uma mesa,
um banquete, em pleno deserto, ou seja, colocaram em cheque um dos atributos
incomunicáveis do Senhor, a sua onipotência.
Quantas vezes repetimos os mesmos erros ao
ignorarmos as grandes coisas que Deus faz por nós constantemente? Talvez você,
neste exato momento, não esteja conseguindo se lembrar de nenhuma delas também.
Que tal então começar perguntando para o carteiro quando chegará a sua fatura
com a quantidade de oxigênio que utilizou este mês? Quantas vezes queremos que
Deus faça as coisas da nossa maneira e no nosso tempo, como Marta e Maria que
disseram para Jesus que Ele havia chegado atrasado. Ele jamais se atrasa, por
saber como e quando fazer as coisas. Quantas vezes nos portamos com terrível
incredulidade e duvidamos do poder do Eterno?
Finalizando, o que nos deixa perplexos é saber que
Deus é pura misericórdia. O escritor diz que, apesar de tudo isso, quando eles
se arrependiam, Deus perdoava as suas iniquidades e não os destruía, antes
desviava a sua fúria (vs. 38). Que Deus é este? É por isto que nos prostramos e
lhe rendemos glórias e aleluias, pois assim ele também age conosco diante de
nossos murmúrios!
Juvenal Oliveira


ResponderExcluirestudo interessante