terça-feira, 24 de setembro de 2019

PRECISO ESTAR CONECTADO PARA SOBREVIVER


   Até o final do século passado, era muito comum serem disponibilizadas variadas revistas nas salas de espera dos centros comerciais para os clientes utilizarem enquanto aguardavam pelo atendimento. Hoje, o passatempo que mais atrai os clientes já não é mais o mesmo. Passou a ser o acesso à ‘internet’, com a liberação gratuita através do sinal de wi-fi. Parece que as pessoas necessitam permanecer conectadas ao mundo cibernético a todo o tempo. Conexão passou a ser uma das palavras mais empregadas na atualidade.


 Quando alguém busca se conectar, dentre tantas coisas, ela está à procura de informações; ela quer estar por dentro dos últimos acontecimentos, das novidades do momento; ela está buscando obter uma visão ampliada do mundo. Para a maioria dos usuários da grande rede, estar conectado é tão prazeroso que a ideia que têm a respeito dela é a de que os seus corpos reagirão a isto, produzindo substâncias químicas naturais como a endorfina, a serotonina, a dopamina e a oxitocina. O grande problema nessa conexão, que parece o paraíso da felicidade, é que ela é viciante assim como as substâncias entorpecentes. A sensação de bem-estar e prazer, lamentavelmente, só dura enquanto houver o “sinal”. Caiu a rede, a alegria logo vai embora junto e o que sobra é uma grande sensação de vazio. Por tudo isto, parece que o mundo virtual possui um gigantesco ímã que tenta sugar a todos, sem qualquer distinção. A humanidade, ao usá-lo, não conseguiu ainda chegar ao clímax do prazer e do contentamento, apesar de ele tentar passar esta ideia para as pessoas que vivem conectadas. Será possível existir alguma coisa mais atraente e abrangente? Existe alguma conexão ainda mais notável do que esta? São perguntas que muitos estão fazendo.


 Certamente, há uma conexão muito mais profunda. A que nos une ao mundo espiritual. O acesso a este é totalmente gratuito e ilimitado, mas não são apenas essas as características que distinguem um do outro. O mundo espiritual pode ampliar a nossa visão ao ponto de compreendermos que tudo aqui é transitório (1Jo 2.15-17); apto a preencher totalmente o vazio existencial que todos os seres humanos possuem, trazendo paz, gozo e alegria duradouros (Jo 7.38).

 Portanto, para subsistir neste mundo cruel e tenebroso, é preciso estar conectado. Não somente a grande rede, a qual é apenas um paliativo. Cada um deve procurar estar atado, ligado sim, mas, aquele que desceu do seu trono de glória; se vestiu de homem; morreu em nosso lugar, assumindo toda a nossa culpa, Jesus Cristo de Nazaré (Fl 2.5-11). Nele estaremos plenamente libertos, por ser poderoso o suficiente para satisfazer as mais profundas necessidades da nossa alma. Para se conectar, é simples. Basta crer, confessar os seus pecados e se render inteiramente, tendo-o como seu Senhor e Salvador (Rm 10.9). A partir de então, sempre haverá sinal disponível para aquele que o buscar de todo o coração. Neste caso, estar conectado significará sobreviver e vencer neste ambiente hostil, dominado pelo pecado, no qual estamos todos inseridos (Ap 2.11; 21.8).

Juvenal Oliveira


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

O PECADO DA OMISSÃO


Augustus Hopkins Strong, o grande teólogo batista, define o pecado como a falta de conformidade com a lei moral de Deus, quer em ato, disposição ou estado. Diz ainda que os sacrifícios mosaicos pelos pecados de ignorância e de omissão e, especialmente pela pecaminosidade em geral, são evidência de que o pecado não se limita simplesmente ao ato, mas inclui algo mais profundo e permanente no coração e na vida (Lv. 1.3; 5.11; 12.8). A palavra “pecado”, “hamartia”, no grego, significa ERRAR O ALVO, isto é, não atingir a meta estabelecida ou não alcançar o fim desejado. Utilizando um linguajar mais popular, pecado é tudo aquilo que desagrada a Deus. O Novo Testamento está repleto de textos que falam sobre o pecado, no entanto, não menciona nada a respeito de haver classificações quanto ao seu grau de gravidade, no quesito necessidade de arrependimento e, consequentemente, na liberação do perdão de Deus. O que pode variar de acordo com aquilo que o homem fizer, serão as consequências do seu ato. Mas, na prática, parece que os homens não compreendem isto muito bem, por acabarem classificando-o como pecado, pecadinho e pecadão. (Rm 3.23, 6.23, 7.11, 8.3; Tg 1.15; 1Pe 2.24; 1Jo 1.8-9, 2.2, 3.4).

Existe um tipo de pecado que costuma passar despercebido, sendo tratado com descaso por muitos “cristãos”, o qual é o pecado da omissão. Jesus, ao ser interpelado por um teólogo judeu que queria tão somente o colocar à prova, lhe contou a seguinte história:

Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele.” (Lc 10.30-34).

Jesus utiliza nesta história a figura de três homens, sendo dois religiosos praticantes e um não praticante, que, se fôssemos contextualizar, os primeiros seriam membros de alguma igreja “evangélica” e o último alguém que não expressa fé alguma. O erro cometido por estes dois religiosos aqui não foi por fazerem alguma coisa errada, pelo contrário, foi exatamente por deixarem de fazer. Ignoraram a pessoa que precisava de ajuda. Talvez tivessem pensado: — Isto não é problema meu. Alguém vai aparecer para ajudá-lo. Ou então: — Deve ser consequência da vida de pecado que ele vive e Deus está por castigá-lo. Ou ainda: — Quando chegar ao templo, vou orar por ele para que Deus faça uma grande obra em sua vida. Uma frase muito empregada por estes “cristãos” que vivem se omitindo é: “Vamos orar”. Mas, eles falam isto apenas para se verem livres do problema ou lançar toda a responsabilidade em Deus. Quanta omissão em nossos arraiais!!! “Eu não vou fazer.” “Não irei decidir.” “Esta responsabilidade não é minha.” “Alguém chame os responsáveis, por favor.”

Portanto, Jesus ensina aquele doutor da lei que não basta ter um profundo conhecimento acerca de Deus e das suas leis, mas que é preciso ir além; ter um coração sensível e disposto a lhe obedecer e fazer a sua vontade. As palavras finais do Mestre para aquele catedrático, que servem para todos nós hoje: “Vai e procede tu de igual modo” (Lc 10.37).

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” (Tiago 4.17).
Juvenal Oliveira

terça-feira, 27 de agosto de 2019

A VONTADE PRECEPTIVA DE DEUS




É muito comum vermos alguém questionar a Deus sempre que algo negativo acontece ou quando as coisas não acontecem da maneira almejada. Os mais incrédulos, logo, concluem que Deus não está nem aí para a humanidade, muito menos para o indivíduo em particular. Já outros ficam questionando o porquê de Ele não interferir em determinadas situações. Como lidar com estas realidades e entender o agir de Deus? Esta é uma pergunta que constantemente ronda os nossos pensamentos sempre que somos confrontados com situações embaraçosas nas diversas áreas da vida.

Um dos atributos incomunicáveis de Deus é a sua onipotência, ou seja, o reconhecimento de que Ele possui todo o poder sobre tudo. Partindo deste princípio, haveria alguma coisa que Ele não pudesse fazer? Se Ele quiser realizar alguma coisa, qualquer coisa, desde que não infrinja as suas próprias leis preestabelecidas, Ele o fará, isto é o que a teologia chama de vontade decretiva de Deus, ou absoluta. Quando Ele resolveu criar a luz, simplesmente disse: “Haja luz” e houve luz (Gn 1.3). Quando olhamos para o presente ou o futuro, esta vontade se torna oculta, pois ninguém pode conhecer a mente do Eterno (Dt 29.29). Mas, de acordo com as Escrituras, Ele revela universalmente qual é a sua vontade para a raça humana. Vontade esta que nem sempre é respeitada ou obedecida, sendo denominada por vontade preceptiva de Deus ou vontade normativa. São mandamentos, leis, orientações estabelecidas pelo Senhor e reveladas na sua Palavra, a qual é a Bíblia. Um pequeno exemplo desta vontade está relatado no livro do profeta Ezequiel, que diz o seguinte: “Teria eu algum prazer na morte do ímpio?, palavra do Soberano Senhor. Pelo contrário, acaso não me agrada vê-lo desviar-se dos seus caminhos e viver?” (Ez 18.23). Deus está afirmando, através do profeta, que a sua vontade é que todos vivam, entretanto, milhares de pessoas partem deste mundo sentenciadas ao inferno por não observarem os seus estatutos.  Outro texto que reforça esta verdade é o trecho da carta do apóstolo Paulo a Timóteo: “Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (1 Tm 2.3-4). Apesar de ser da vontade de Deus que todos se salvem, infelizmente, isto não acontecerá, pois muitos não estarão dispostos a se submeter à sua vontade. 

O que compete ao homem é conhecer a vontade preceptiva de Deus e fazer o possível para andar de acordo com ela. Baseado em tudo aquilo que o Pai nos revelou, fica fácil respondermos a perguntas, como: É da sua vontade que eu e você cresçamos em amor, maturidade, santidade, fé, etc.? Ou seria da vontade dEle que a sua igreja se expandisse, alargando as suas tendas? Estas e muitas outras perguntas são fáceis de serem respondidas. Mas, você pode realizar a seguinte indagação: _ Se é da vontade de Deus e se Ele tem todo o poder, por que esta não é uma realidade na vida de todos os seres viventes? Por que a sua igreja plantada na localidade “X” não cresce como deveria? Por que coisas ruins acontecem o tempo todo?

É certo que não conseguiremos respostas exatas para todas estas perguntas, principalmente em se tratando da vontade de um ser autoexistente, infinito, como Deus. E, quanto à sua vontade, a decretiva, continuaremos sem respostas, mas o mais importante é conhecermos a sua vontade normativa. Estarmos totalmente dispostos a obedecê-la. Aqueles que agirem deste modo serão como aquele paraquedista lançado em um lugar distante e desconhecido, dentro de uma mata fechada, mas que possui um GPS em suas mãos. Com a ajuda deste instrumento, ele conseguirá chegar ao seu destino final, mesmo tendo que enfrentar os inúmeros obstáculos existentes em seu itinerário. O nosso GPS é a Bíblia. Se buscarmos conhecê-la e praticá-la, vivendo sob a sua direção, experimentaremos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.2).


Juvenal Oliveira








quinta-feira, 15 de agosto de 2019

TODO VASO UM DIA PRECISARÁ SER RESTAURADO


Quase todas as substâncias existentes na natureza sofrem algum tipo de deterioração com o passar do tempo. O ferro enferruja, a madeira apodrece, a tinta perde a sua cor, a prata escurece e até o bronze perde o seu brilho com a formação do azinhavre. Os vasos de barro, após alguns anos de uso, também perdem algumas de suas propriedades, principalmente pela ação da umidade, e já não são tão belos conforme no início. São vários os agentes responsáveis por todo este dano.

Muitas vezes, Deus usa, através de sua Palavra, a Bíblia, exemplos práticos e corriqueiros para nos trazer algum tipo de ensinamento. No livro do profeta Jeremias, o homem é comparado a um vaso de barro, com características frágeis, que foi formado exatamente como planejado pelo oleiro; pelo manuseio de suas habilidosas e soberanas mãos. Este oleiro genial, capaz de criar todo o universo, que alguns o chamam de Elohim, agora resolve dar o seu toque final, o homem passa a ser a sua verdadeira obra-prima.

Infelizmente, esta magnífica criação também está suscetível à deterioração. A única diferença está nos agentes causadores. São inúmeras as pessoas que perderam a sua originalidade; não são mais as mesmas de algum tempo atrás; perderam o seu brilho, o seu primeiro amor, a sua alegria e já não “encantam” mais. Neste mundo que jaz no maligno, todos nós somos expostos diuturnamente a influências danosas; ações violentas e homicídios o tempo todo num verdadeiro culto ao ódio, muitas vezes sem causa alguma; indiferença àqueles que estão vivendo na miséria; atritos nos relacionamentos, onde as mágoas e os ressentimentos se enraízam nos corações ao ponto de criar-lhe uma película de pedra; apatia, indiferença a tudo e a todos, principalmente, em relação à espiritualidade, onde a religião se tornou tão atraente que acabou tomando o lugar do próprio Deus, aí, quando a ficha cai, percebemos o quanto estamos distantes dEle.

O profeta Jeremias narra que a Palavra do Senhor veio a ele, mas com uma condicionante: “Dispõe-te e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras.” (Jr 18.2). Quando percebemos que estamos como um vaso quebrado ou apenas deteriorado pelas inúmeras ações deste mundo cruel, a primeira atitude a ser tomada é a de se dispor e buscar a mudança, a restauração ou até mesmo a cura. Devemos tomar a iniciativa, neste caso, em direção àquele que pode realizar todas as coisas, o grande “Oleiro” do universo. Outra atitude a ser tomada é a de “descer”, que significa se humilhar; se colocar na posição de servo; reconhecer a sua insignificância; se despir de toda a altivez e prepotência; se entregar por inteiro àquele que lhe criou. Jeremias é levado a uma visão de um vaso sendo construído que, por algum motivo, se quebra nas mãos do oleiro. O oleiro, em posse daquela matéria, recomeça a sua obra e refaz aquele vaso, agora perfeito, bonito, atraente, pronto para ser usado.

Desta forma, o Senhor ensina ao profeta: “Não poderei Eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel?” (Jr 18.6a). Quem sabe você, presentemente, não esteja se sentindo como um vaso quebrado, inútil, imperceptível, abandonado, sem qualquer serventia. Os agentes, que chamamos de problemas, lhe causaram males terríveis que você não sabe mais como resolvê-los. Jesus, o Oleiro dos oleiros, tem a fórmula do seu DNA nas mãos e pode lhe restaurar por inteiro. Creia nisso!

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;” (Jo 11.25).

 


Juvenal Oliveira Netto