quarta-feira, 4 de setembro de 2019

O PECADO DA OMISSÃO


Augustus Hopkins Strong, o grande teólogo batista, define o pecado como a falta de conformidade com a lei moral de Deus, quer em ato, disposição ou estado. Diz ainda que os sacrifícios mosaicos pelos pecados de ignorância e de omissão e, especialmente pela pecaminosidade em geral, são evidência de que o pecado não se limita simplesmente ao ato, mas inclui algo mais profundo e permanente no coração e na vida (Lv. 1.3; 5.11; 12.8). A palavra “pecado”, “hamartia”, no grego, significa ERRAR O ALVO, isto é, não atingir a meta estabelecida ou não alcançar o fim desejado. Utilizando um linguajar mais popular, pecado é tudo aquilo que desagrada a Deus. O Novo Testamento está repleto de textos que falam sobre o pecado, no entanto, não menciona nada a respeito de haver classificações quanto ao seu grau de gravidade, no quesito necessidade de arrependimento e, consequentemente, na liberação do perdão de Deus. O que pode variar de acordo com aquilo que o homem fizer, serão as consequências do seu ato. Mas, na prática, parece que os homens não compreendem isto muito bem, por acabarem classificando-o como pecado, pecadinho e pecadão. (Rm 3.23, 6.23, 7.11, 8.3; Tg 1.15; 1Pe 2.24; 1Jo 1.8-9, 2.2, 3.4).

Existe um tipo de pecado que costuma passar despercebido, sendo tratado com descaso por muitos “cristãos”, o qual é o pecado da omissão. Jesus, ao ser interpelado por um teólogo judeu que queria tão somente o colocar à prova, lhe contou a seguinte história:

Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele.” (Lc 10.30-34).

Jesus utiliza nesta história a figura de três homens, sendo dois religiosos praticantes e um não praticante, que, se fôssemos contextualizar, os primeiros seriam membros de alguma igreja “evangélica” e o último alguém que não expressa fé alguma. O erro cometido por estes dois religiosos aqui não foi por fazerem alguma coisa errada, pelo contrário, foi exatamente por deixarem de fazer. Ignoraram a pessoa que precisava de ajuda. Talvez tivessem pensado: — Isto não é problema meu. Alguém vai aparecer para ajudá-lo. Ou então: — Deve ser consequência da vida de pecado que ele vive e Deus está por castigá-lo. Ou ainda: — Quando chegar ao templo, vou orar por ele para que Deus faça uma grande obra em sua vida. Uma frase muito empregada por estes “cristãos” que vivem se omitindo é: “Vamos orar”. Mas, eles falam isto apenas para se verem livres do problema ou lançar toda a responsabilidade em Deus. Quanta omissão em nossos arraiais!!! “Eu não vou fazer.” “Não irei decidir.” “Esta responsabilidade não é minha.” “Alguém chame os responsáveis, por favor.”

Portanto, Jesus ensina aquele doutor da lei que não basta ter um profundo conhecimento acerca de Deus e das suas leis, mas que é preciso ir além; ter um coração sensível e disposto a lhe obedecer e fazer a sua vontade. As palavras finais do Mestre para aquele catedrático, que servem para todos nós hoje: “Vai e procede tu de igual modo” (Lc 10.37).

“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” (Tiago 4.17).
Juvenal Oliveira

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