Existe um tipo de pecado que costuma passar
despercebido, sendo tratado com descaso por muitos “cristãos”, o qual é o
pecado da omissão. Jesus, ao ser interpelado por um teólogo judeu que queria
tão somente o colocar à prova, lhe contou a seguinte história:
“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e
caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se
retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho
certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo,
também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de
largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e,
vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas,
deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma
estalagem, e cuidou dele.” (Lc 10.30-34).
Jesus utiliza nesta história a figura de três
homens, sendo dois religiosos praticantes e um não praticante, que, se fôssemos
contextualizar, os primeiros seriam membros de alguma igreja “evangélica” e o
último alguém que não expressa fé alguma. O erro cometido por estes dois
religiosos aqui não foi por fazerem alguma coisa errada, pelo contrário, foi
exatamente por deixarem de fazer. Ignoraram a pessoa que
precisava de ajuda. Talvez tivessem pensado: — Isto não é problema meu. Alguém
vai aparecer para ajudá-lo. Ou então: — Deve ser consequência da vida de pecado
que ele vive e Deus está por castigá-lo. Ou ainda: — Quando chegar ao templo,
vou orar por ele para que Deus faça uma grande obra em sua vida. Uma frase
muito empregada por estes “cristãos” que vivem se omitindo é: “Vamos orar”.
Mas, eles falam isto apenas para se verem livres do problema ou lançar toda a
responsabilidade em Deus. Quanta omissão em nossos arraiais!!! “Eu não vou
fazer.” “Não irei decidir.” “Esta responsabilidade não é minha.” “Alguém chame
os responsáveis, por favor.”
Portanto, Jesus ensina aquele doutor da lei que não
basta ter um profundo conhecimento acerca de Deus e das suas leis, mas que é
preciso ir além; ter um coração sensível e disposto a lhe obedecer e fazer a
sua vontade. As palavras finais do Mestre para aquele catedrático, que servem
para todos nós hoje: “Vai e procede tu de igual modo” (Lc 10.37).


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