Começaram a disseminar a ideia de que disciplina é
sinônimo de cerceamento de liberdade e outras definições ainda piores. Na
concepção deles, disciplina é coisa de milico e, utilizando como pano de fundo
o período do governo militar, tentavam associá-la ao excesso do uso da força e
à intolerância, em todos os aspectos. Até mesmo as famílias foram alvo destas
investidas, onde pais foram questionados por recorrerem a métodos utilizados
por várias gerações passadas na educação de seus filhos. Diga-se de passagem,
métodos estes que, de uma maneira geral, se demonstraram bastante eficientes,
até então.
A igreja, como está inclusa neste contexto social,
também começou a sofrer estas influências. Chegou-se ao ponto de haver
questionamentos quanto à necessidade de se disciplinar alguém. Seja afastando-o
de todas as suas funções por um determinado período de tempo ou ainda, chegar
ao extremo de ter que desligá-lo do rol de membros pela gravidade da situação
gerada ou por ter optado voluntariamente em permanecer na prática do pecado.
Tudo isto, após ter sido orientado e admoestado pela liderança, traz como
consequência escândalo para o Corpo de Cristo (Mt 18.7; ICo 10.32; IICo
6.3; Lc 17.1). Isto sem mencionar as questões jurídicas, onde a igreja, ao
invés de se preocupar tão somente em temer a Deus e a obedecer a sua Palavra,
agora está também preocupada com as possíveis ações impetradas por ímpios
transvestidos de crentes junto ao poder judiciário. O mais importante é
sabermos o que a Bíblia nos orienta em relação a este assunto. Olhem o que está
escrito na carta aos Hebreus:
“E já vos
esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não
desprezes a correção do Senhor, e não desmaies quando por ele fores
repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe
por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que
filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos
são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos.” (Hb 12.5-8).
Deus nos ama tanto ao ponto de entregar o seu
próprio filho para morrer por nós, não obstante, ele afirma que jamais deixará
de aplicar sobre os seus, a disciplina, se preciso for (Jó 5.17; Pv 27.5; Ec
7.5; Pv 3.11, 12.1, 15.10, 29.15). O que diriam do apóstolo Paulo hoje, os
liberais, numa assembleia ordinária, se ouvissem novamente o que disse sobre um
suposto crente que vivia mundanamente entre os irmãos na igreja de Corinto,
cometendo pecados piores do que os dos ímpios? No mínimo, seria tratado como
atitude radical e desprovida de amor.
“Geralmente
se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os
gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais
ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido
dentre vós tirado quem cometeu tal ação. Eu, na verdade, ainda que ausente
no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se
estivesse presente, que o que tal ato praticou, em nome de nosso Senhor Jesus
Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo,
seja, este tal, entregue a satanás para destruição da carne, para que o
espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. Não é boa a vossa jactância. Não
sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do
fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento.
Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa,
não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com
os ázimos da sinceridade e da verdade. Já por carta vos tenho escrito, que não
vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com
os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os
idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora
vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for
devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com
o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão
de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de
fora. Tirai pois dentre vós a esse iníquo.” (I Co 5.1-13).
A igreja deve sim utilizar a disciplina, afastando
da linha de frente quem esteja comprovadamente enfermo na alma até que esta
pessoa esteja sarada, isto é verdadeira demonstração de amor e zelo pela Noiva
de Cristo. E, mais, após terem se esgotado todos os recursos para resgatar uma
pessoa que esteja distante do Senhor, a igreja não deve ficar preocupada ou com
a consciência pesada em aplicar a disciplina rígida. Neste caso, seria o seu
desligamento do rol de membros, pois talvez esta seja a única forma de esta
pessoa cair em si e entender que precisa se arrepender, mudar de vida, para ser
religada à comunhão formal com a igreja local. Pois, muitas vezes, o fato de
estarem com os seus nomes na lista de membros produz uma falsa sensação de
segurança, como se isto fosse o bastante para se entrar no reino do céu. Todos
nós sabemos que este não é um requisito para se obter a salvação.
Portanto, a igreja não pode e não deve ser
influenciada por qualquer que seja o ensino, modismo ou ideologia moderna que
venha a se contrapor à Palavra de Deus. A disciplina faz parte do tratamento de
Deus para com o homem e aplicá-la, quando for necessário, não significa que Ele
ou nós, no caso da igreja, não amamos esta pessoa, pelo contrário, significa
que temos desvelo e que queremos vê-la nos céus conosco.
Juvenal Oliveira
Soli Deo Glória!