Ao se estudar a história da Igreja cristã focando
neste assunto, percebe-se que foi uma experiência traumática vivida no passado
num tempo em que não havia separação entre ela e o Estado, pois perdera a sua
essência e trilhou por caminhos escuros e tenebrosos. Tal experiência acabou
gerando, por parte das lideranças, uma aversão em lidar com todas as questões
relacionadas à política. Nenhum líder eclesiástico queria ter seu nome
envolvido diretamente a este sistema. Esta realidade vem mudando gradativamente
nas últimas décadas, principalmente com o crescimento explosivo das igrejas
evangélicas, em especial, as neopentecostais.
É necessário que se tenha muito temor,
discernimento e, acima de tudo, muito equilíbrio no trato com este tema. O ser
humano possui uma enorme tendência em trilhar por caminhos extremistas, talvez
por ser mais fácil e simples de se lidar. Se houve excesso do envolvimento da
igreja no passado ao ponto de ela se difundir com o Estado, depois deste
período ela caminhou no sentido oposto e não mais quis sequer participar dos
debates políticos que envolvem, inclusive, as questões de fé da sociedade. Nos
últimos anos, ela começou novamente a se pronunciar e a se posicionar,
inicialmente de forma tímida, por começar a ser atingida diretamente pelo
surgimento de propostas de leis que vêm de encontro a princípios básicos
adotados e ensinados por ela. Ultimamente, ela tem se manifestado de forma mais
contundente, talvez por perceber o perigo que estava correndo em perder espaços
que foram conquistados com muito trabalho, suor e sangue. Mas quais seriam os
limites para este envolvimento?
Uma coisa é certa, os líderes das igrejas não podem
cometer o erro de transformar o púlpito, o qual é um lugar sagrado e exclusivo
para adoração a Deus, em um palanque. Os templos, com os seus fiéis, não devem
ser transformados em currais eleitorais. Não há nada de errado em um pastor,
bispo, etc., se candidatar a qualquer cargo político, desde que não utilize a
sua influência para promover a sua candidatura; neste caso, ele deve
desvincular a sua imagem eclesiástica do cargo que estará concorrendo,
inclusive, efetuando o registro da sua candidatura sem a menção do seu título
religioso. Além disto, o pretenso candidato deve saber separar muito bem as
funções exercidas por ele na igreja com as outras relacionadas à política,
durante e após a campanha, se for eleito. Talvez ele até tenha que optar entre
uma atividade e outra. Não é por meio da formação de bancadas políticas, como
acontece com alguns grupos empresariais, que a igreja conseguirá cumprir o seu
papel na sociedade; as suas armas não são carnais, mas espirituais, poderosas
em Deus para destruir fortalezas (2 Co 10.4). O ideal mesmo é que o candidato
que possui algum título eclesiástico, ao ser eleito a qualquer cargo político
que seja, desvincule a sua imagem da igreja. Porque, a partir de então, ele
passa a ser um funcionário do povo e não deve limitar as suas ações somente às
pessoas que compartilham da mesma fé.
A igreja não deve e não pode fazer acordos com
candidatos ou partidos políticos em troca de benefícios, pois esta atitude não
é condizente com os ensinamentos do nosso Mestre e, mesmo que não seja ilegal,
é, no mínimo, imoral, sem sombra de dúvidas.
Portanto, o envolvimento da igreja com questões
políticas não é errado, desde que se restrinja a orientações gerais por parte
das lideranças. Não devem ser mencionados nomes de candidatos ou partidos
políticos no intuito de trazer esclarecimentos quanto a princípios éticos,
morais e comportamentais que devem ser observados pelos fiéis ao escolherem
qualquer candidato que seja.
Juvenal Oliveira



