Nestas horas de dor e sofrimentos alheios, surgem
aqueles que querem a todo custo desvendar os mistérios ou descobrir as razões
pelas quais aquele povo vem passando por tamanhas adversidades. Enquanto uns
tentam culpar a Deus, outros afirmam que o próprio povo deve ser o culpado por
algum ato de desobediência ou rebeldia cometido. Na verdade, o que menos
importa neste momento são as suas causas, mas a situação em que eles se
encontram. Precisam de ajuda urgente; precisam sair deste estado de miséria
física, emocional e espiritual.
Ainda que cheguemos a uma conclusão hipotética de
que os haitianos não têm buscado em Deus a solução para os seus problemas, o
amor dEle é tão grande que jamais os abandonaria, como já demonstrou inúmeras
vezes com civilizações passadas; um exemplo deste amor incondicional foi
demonstrado aos assírios. Em um determinado momento da história (750 a.C.),
eles se tornaram tão terríveis que eram temidos por todos os demais povos, pois
os matavam com crueldade. Deus ordena a um homem chamado Jonas para ir à
cidade de Nínive e anunciar a todos os seus moradores que eles precisavam se
arrepender e mudar o seu estilo de vida. A mensagem do profeta provocou
mudanças severas em toda a população que foi perdoada e regenerada. A intenção
aqui não é comparar os ninivitas com os haitianos, mas revelar a extensão do
amor de Deus capaz de usar de todos os mecanismos para resgatar um povo, por
mais desprezível que pareça ser e por mais distante que esteja dEle.
Enquanto no Brasil as igrejas evangélicas lutam por
espaços decrescentes, o Haiti clama por profetas que, assim como Jonas, venham
também a anunciar-lhes o caminho do arrependimento e da salvação. É
indiscutível que todo o auxílio é bem-vindo, eles precisam muito de ajuda
humanitária, de recursos financeiros para poderem reconstruir o seu país,
todavia, toda esta ajuda terá um efeito meramente temporário se não forem
trabalhadas neles outras questões de ordem emocional e espiritual. A igreja
brasileira pode e deve fazer isto, ao invés de ficarmos construindo templos nos
mesmos quarteirões, poderíamos investir em outros lugares onde há reais
necessidades da pregação do evangelho. A igreja contemporânea está para o Haiti
assim como Jonas estava para Nínive.
Desta maneira, se visualiza o mesmo Deus, com a
mesma intensidade de longanimidade e amor, querendo mudar a sorte dos haitianos,
a fim de poderem experimentar dias melhores, mais esperançosos, com menos
tempestades. Para isto, a sua ferramenta hoje é a sua igreja, a noiva do
Cordeiro.
Juvenal Oliveira


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