Não tenho conhecimento de que haja em outro lugar,
tão grande concentração de relatos nos quais o homem é estupefato pelo
sobrenatural, quanto na Bíblia. Centenas de pessoas que estavam prestes a
aceitar a derrota final foram surpreendidas pelo agir de Deus.
A vida é muito bela, cheia de momentos
alegres, experiências indescritíveis, não há nada mais precioso do que isto.
Apesar desta beleza toda, nem tudo são flores e, na mesma proporção, somos
obrigados a lidar com desafios, obstáculos e com as tempestades que surgem
inopinadamente. A maioria das dificuldades que enfrentamos é contornável, ou
seja, conseguimos resolver com as ferramentas disponíveis neste mundo. O grande
dilema não são os obstáculos ou as vicissitudes, e sim quando elas se tornam
“impossíveis” de ser vencidas, pelo menos pelo prisma humano.
O Dr. Lucas, em sua narrativa, fala sobre a
história de uma viúva que havia perdido a esperança, pois a única coisa que
havia lhe restado na vida, ela acabara de perder, o seu filho único (Lc
7.11-17). Naquela época, tornar-se viúva era muito difícil, pois ainda não
havia sistema previdenciário ou pensão. Perder o filho para ela era como se o
chão tivesse fugido dos seus pés. Surgiram diante dela as impossibilidades.
Impossibilidade de reverter o seu sofrimento, dor e de voltar a ser feliz;
incapacidade de ter alguém que pudesse cuidar dela e lhe prover o seu sustento;
enfim, inviabilidade de ter o seu filho de volta.
Uma multidão acompanhava o cortejo fúnebre na
tentativa inútil de lhe demonstrar apoio e tentar amenizar a sua dor. Durante o
percurso, talvez ela, ao caminhar, pensasse que tudo havia terminado; que não
havia mais qualquer razão para viver. Talvez ela tivesse indagado: por que,
Senhor, ele e não eu? Agora ela se depara com outra multidão que, diferente da
que a seguia, parecia experienciar uma situação totalmente antagônica, pois as
pessoas estavam esperançosas, alegres e confiantes. Em poucos segundos, ela
deve ter pensado: qual seria a razão de tamanha euforia? À frente daquela
multidão havia um Homem-Deus que operava sinais e prodígios, por isso tanta
gente o seguia. Pessoas que, assim como aquela mulher, já haviam recebido
alguma sentença, mas criam que somente Jesus poderia mudar as suas histórias de
vida.
Jesus, ao se encontrar com aquela viúva
desesperada, frágil, desafortunada, sentenciada, teve compaixão dela, ignorou o
caixão que representava a impossibilidade, tocou no defunto, ressuscitando-o
dentre os mortos.
Por conseguinte, a experiência vivida por esta viúva
prova que no dicionário de Deus não existe a palavra “impossível”.
Incentiva-nos a não desistir facilmente, mesmo diante de toda inverossimilhança
humana, tendo também o equilíbrio para compreender que Deus não é obrigado a
intervir sempre, mas que Ele sabe o que é melhor para nós e que a última
palavra será sempre Dele. (Gn 18.10-14; Is 43.13; Mt 7.7-8; 28.18; Lc
1.37; Jo 11.25,40).
Soli Deo Glória!
Juvenal Oliveira


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