quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A PROSPERIDADE A LUZ DO EVANGELHO



Mais nefasta que uma mentira é uma meia verdade. A igreja cristã, desde a sua origem, tem lutado contra os falsos ensinos. Uma mentira é logo rechaçada, mas uma meia verdade pode enganar muita gente. O apóstolo Paulo, em suas cartas às igrejas, advertiu inúmeras vezes sobre o perigo dos ensinos fraudulentos em relação ao evangelho de Cristo. (Gl 1.8; Rm 16.17-18; Fl 3.17–21; 1 Tm 1.3-7, 6.3-10).

Dentre tantos ensinos perniciosos no meio cristão na atualidade, está a chamada “Teologia da Prosperidade”. Esta doutrina ensina que todo cristão deve prosperar, dando ênfase ao enriquecimento, ao acúmulo de bens e à busca por um estilo de vida com toda a abastança. Ensina ainda que aqueles que não conseguem ser bem-sucedidos é porque têm pouca fé ou porque “semeiam pouco”, uma expressão utilizada para aqueles que não contribuem com a sua igreja de maneira satisfatória, ou seja, quanto maior for a contribuição, segundo eles, maiores serão as bênçãos recebidas. Este conceito menospreza a salvação, deixando-a em segundo plano; pouco fala sobre a vida eterna nos céus, o seu evangelho é terreno. Cita como exemplo alguns personagens bíblicos que foram ricos para sustentar a sua tese. Os líderes deste movimento procuram ostentar, vivendo um padrão de vida acima da média, a fim de persuadir os seus fiéis.

Não existe fundamento algum para tal ensino. Toda a base para o Cristianismo está estabelecida nos ensinamentos do próprio Cristo e não em outros personagens, por mais importantes e significativos que tenham sido. O nosso mestre nasceu numa manjedoura, disse que não tinha onde reclinar a sua cabeça, inclusive, este foi um dos motivos que levaram os judeus a o rejeitarem, pois, eles esperavam um Messias cheio de pompa, assentado em um trono terreno (Lc 9.58). Ensinou que não deveríamos acumular riquezas neste mundo, onde a traça, a ferrugem e os ladrões as consomem, mas, nos céus (Mt 6.19-21). Contou uma parábola para os seus discípulos sobre um homem que vivera em função de acumular riquezas e a advertência para ele foi a seguinte: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?” Jesus sabe o perigo da busca desequilibrada por riquezas e a possibilidade do homem se tornar avarento e escravo da mesma (Lc 12.13–20). Disse para um grupo de publicanos que não deveriam pedir mais do que lhes estava ordenado, mas que deveriam se contentar com os seus soldos (Lc 3.13–14). Após o contato com um jovem rico que não quis abrir mão de suas riquezas para segui-lo, alertou os seus ouvintes do quanto é difícil um rico entrar no reino dos céus, pois a tendência humana é colocar o seu coração nas riquezas (Mt 19.16–30). Em nenhum momento Jesus prometeu para aqueles que o seguissem, obter enriquecimento milagroso, sem trabalhar honestamente e arduamente; não prometeu para os seus discípulos que usufruiriam “o melhor desta terra”, pelo contrário, reagiu a uma multidão interesseira dizendo: “trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo”.

Cristo veio a este mundo com único objetivo: saldar a nossa dívida, salvando a todos quanto o reconhecerem como Senhor e Salvador. Reconduzir o homem perdido novamente a Deus e não simplesmente lhe oferecer riquezas terrenas (Mt 18.11; Jo 3.17; Cl 2.13–14; 1 Tm 1.15; Hb 9.15).

Sendo assim, compreendemos que Cristo em nenhum momento faz apologia à pobreza ou inibe as pessoas de prosperarem financeiramente. Entretanto, faz questão de enfatizar a busca pelo Reino de Deus em primeiro lugar e, como consequência desta atitude, tudo o que for necessário para termos uma vida digna, Ele nos dará (Mt 6.33). A isto sim podemos chamar de uma verdadeira vida próspera.

 

Soli Deo Glória! 

Juvenal Oliveira

 


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