sábado, 10 de outubro de 2015

PROMOTORES DE ESCÂNDALOS



Nunca na história deste país se viu tanta corrupção. Diante de fatos tão contundentes, ainda há pessoas que argumentam que a corrupção sempre existiu. Isto é uma meia verdade, pois ela sempre existiu, sim, entretanto, não de forma institucionalizada como ocorre atualmente.

O Poder Judiciário, responsável pelos julgamentos de quem transgride as leis, composto por juízes que deveriam julgar com imparcialidade, infelizmente não é mais confiável. Exemplo disso é a realidade da mais alta corte deste país, o STF, que possui hoje, em sua maioria, juízes a serviço de partidos políticos, pautando suas decisões não no cumprimento da lei, mas para atender aos anseios desses políticos insaciáveis por poder e dinheiro.

Nos últimos dias, o tema “corrupção” domina as principais manchetes dos telejornais, mas quero me deter apenas ao caso de um grande político que vem sendo acusado de possuir contas na Suíça, com valores exorbitantes e de origem duvidosa. Esse político vem sendo massacrado pela mídia, em razão da importância do cargo que ocupa, podendo, inclusive, ser decisivo em um possível processo de impeachment. Contudo, creio que há um fator que o torna ainda mais exposto: ele faz parte da chamada “bancada evangélica”.

A sociedade sempre espera que pessoas tidas como “religiosas”, independentemente de sua vertente, deem o exemplo, pelo fato de afirmarem ser praticantes dos ensinamentos contidos na Bíblia.

Esse político ainda não foi julgado, mas há fortes indícios de sua culpabilidade. Por isso, vemos jornalistas, políticos de oposição, críticos da igreja e até mesmo religiosos virem com todo o ímpeto contra ele. A pergunta que faço é a seguinte: sem querer, de forma alguma, defendê-lo, pois também acredito que ele esteja envolvido nesse lamaçal, quem tem moral para massacrá-lo, falar de seu caráter ou julgá-lo?

A corrupção independe de valores. Talvez existam pessoas que não se corromperam por quantias elevadas, mas será que já não o fizeram por valores muito menores? (Mateus 25.21). O que nos preocupa não é o fato de o nome desse político aparecer na Operação Lava Jato, mas sim a associação feita entre ele e o evangelho de Cristo Jesus, denegrindo a imagem de todos os cristãos.

É preciso esclarecer, para aqueles que não pertencem a nenhuma igreja e que também não conhecem as Escrituras, que há diferença entre ser cristão e ser um mero frequentador de igreja. Jesus disse que nem todos os que o chamam de Senhor entrarão no Reino dos céus (Mateus 7.21-23; Lucas 6.46-47). Ele também contou a parábola intitulada “O Joio e o Trigo”, na qual explica que nem todos os que estão na igreja pertencem, de fato, a ela (Mateus 13.24–30).

Muitos afirmam: “Eu sou religioso”, “eu pertenço à igreja tal” ou ainda “eu sou evangélico”. À luz da Bíblia, essas afirmações não têm valor algum. O que realmente importa é ser uma nova criatura: aquele que roubava não roube mais; aquele que adulterava não adultere mais; aquele que fornicava não fornique mais; aquele que era um pecador contumaz não viva mais dominado pelo pecado (2 Coríntios 5.17; 1 João 3.1-10).

Jesus faz uma séria advertência àqueles que afirmam ser seus seguidores e se envolvem em escândalos, pois, além de si mesmos, podem arrastar muitos para o abismo (Mateus 18.6-9).

As pessoas ainda testemunharão muitos integrantes da chamada “bancada evangélica”, bem como de outras vertentes cristãs, corrompendo-se das mais variadas maneiras. Todavia, desafio esse mesmo grupo a encontrar corruptos entre aqueles que verdadeiramente seguem a Cristo.

É evidente que nenhum homem na terra conseguirá imitá-lo em sua totalidade ou alcançar a perfeição. No entanto, aqueles que o buscam com sinceridade e inteireza de coração tornar-se-ão cada vez mais semelhantes a Ele, a ponto de se tornarem exemplos para esta sociedade afundada no pecado.

O apóstolo Paulo era um homem com defeitos, como qualquer um de nós; ainda assim, teve a coragem de dizer: “Sede meus imitadores, como eu também sou de Cristo.” (1 Coríntios 11.1).

Portanto, não sejamos promotores de escândalos, principalmente se fazemos parte de uma comunidade eclesiástica. Antes, tornemo-nos verdadeiros discípulos de Cristo, ou seja, aqueles que procuram imitá-lo em sua maneira de viver.

Quero concluir com uma ilustre frase do Pr. Ralph Waldo Emerson: “O que você é fala tão alto, que não consigo ouvir o que você diz”.

Soli Deo Gloria!

Juvenal Oliveira

 

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