Nunca
na história deste país se viu tanta corrupção. Diante de fatos tão
contundentes, ainda há pessoas que argumentam que a corrupção sempre existiu.
Isto é uma meia verdade, pois ela sempre existiu, sim, entretanto, não de forma
institucionalizada como ocorre atualmente.
O Poder Judiciário, responsável
pelos julgamentos de quem transgride as leis, composto por juízes que deveriam
julgar com imparcialidade, infelizmente não é mais confiável. Exemplo disso é a
realidade da mais alta corte deste país, o STF, que possui hoje, em sua
maioria, juízes a serviço de partidos políticos, pautando suas decisões não no
cumprimento da lei, mas para atender aos anseios desses políticos insaciáveis
por poder e dinheiro.
Nos últimos dias, o tema
“corrupção” domina as principais manchetes dos telejornais, mas quero me deter
apenas ao caso de um grande político que vem sendo acusado de possuir contas na
Suíça, com valores exorbitantes e de origem duvidosa. Esse político vem sendo
massacrado pela mídia, em razão da importância do cargo que ocupa, podendo,
inclusive, ser decisivo em um possível processo de impeachment. Contudo, creio
que há um fator que o torna ainda mais exposto: ele faz parte da chamada
“bancada evangélica”.
A sociedade sempre espera que
pessoas tidas como “religiosas”, independentemente de sua vertente, deem o
exemplo, pelo fato de afirmarem ser praticantes dos ensinamentos contidos na
Bíblia.
Esse político ainda não foi
julgado, mas há fortes indícios de sua culpabilidade. Por isso, vemos
jornalistas, políticos de oposição, críticos da igreja e até mesmo religiosos
virem com todo o ímpeto contra ele. A pergunta que faço é a seguinte: sem
querer, de forma alguma, defendê-lo, pois também acredito que ele esteja
envolvido nesse lamaçal, quem tem moral para massacrá-lo, falar de seu caráter
ou julgá-lo?
A corrupção independe de
valores. Talvez existam pessoas que não se corromperam por quantias elevadas,
mas será que já não o fizeram por valores muito menores? (Mateus 25.21). O que
nos preocupa não é o fato de o nome desse político aparecer na Operação Lava
Jato, mas sim a associação feita entre ele e o evangelho de Cristo Jesus,
denegrindo a imagem de todos os cristãos.
É preciso esclarecer, para
aqueles que não pertencem a nenhuma igreja e que também não conhecem as
Escrituras, que há diferença entre ser cristão e ser um mero frequentador de
igreja. Jesus disse que nem todos os que o chamam de Senhor entrarão no Reino
dos céus (Mateus 7.21-23; Lucas 6.46-47). Ele também contou a parábola
intitulada “O Joio e o Trigo”, na qual explica que nem todos os que estão na
igreja pertencem, de fato, a ela (Mateus 13.24–30).
Muitos afirmam: “Eu sou
religioso”, “eu pertenço à igreja tal” ou ainda “eu sou evangélico”. À luz da
Bíblia, essas afirmações não têm valor algum. O que realmente importa é ser uma
nova criatura: aquele que roubava não roube mais; aquele que adulterava não
adultere mais; aquele que fornicava não fornique mais; aquele que era um
pecador contumaz não viva mais dominado pelo pecado (2 Coríntios 5.17; 1 João 3.1-10).
Jesus faz uma séria advertência
àqueles que afirmam ser seus seguidores e se envolvem em escândalos, pois, além
de si mesmos, podem arrastar muitos para o abismo (Mateus 18.6-9).
As pessoas ainda testemunharão
muitos integrantes da chamada “bancada evangélica”, bem como de outras
vertentes cristãs, corrompendo-se das mais variadas maneiras. Todavia, desafio
esse mesmo grupo a encontrar corruptos entre aqueles que verdadeiramente seguem
a Cristo.
É evidente que nenhum homem na
terra conseguirá imitá-lo em sua totalidade ou alcançar a perfeição. No
entanto, aqueles que o buscam com sinceridade e inteireza de coração
tornar-se-ão cada vez mais semelhantes a Ele, a ponto de se tornarem exemplos
para esta sociedade afundada no pecado.
O apóstolo Paulo era um homem
com defeitos, como qualquer um de nós; ainda assim, teve a coragem de dizer:
“Sede meus imitadores, como eu também sou de Cristo.” (1 Coríntios 11.1).
Portanto, não sejamos
promotores de escândalos, principalmente se fazemos parte de uma comunidade
eclesiástica. Antes, tornemo-nos verdadeiros discípulos de Cristo, ou seja,
aqueles que procuram imitá-lo em sua maneira de viver.
Quero concluir com uma ilustre
frase do Pr. Ralph Waldo Emerson: “O que você é fala tão alto, que não consigo
ouvir o que você diz”.
Soli Deo Gloria!
Juvenal Oliveira


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