segunda-feira, 17 de agosto de 2015

BEM AVENTURADOS OS QUE CHORAM...

Os seres humanos são os únicos que choram mesmo na fase adulta. A ciência ainda não foi capaz de desvendar completamente os mistérios da mente em relação ao choro, muito menos de afirmar, com certeza, se existe algum benefício terapêutico nele. O que se ouve dos profissionais da área é que os estudos ainda não são conclusivos.

Existem inúmeros motivos que levam uma pessoa a chorar: alegria, tristeza, arrependimento, piedade, dor, sofrimento, entre outros. No entanto, gostaria de refletir sobre esse tema à luz das palavras de Jesus em seu Sermão do Monte (Mt 5.4): “Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados”.

A partir dessa afirmação, compreendemos que esse choro não se refere à alegria, mas à dor. Ao dizer que “serão consolados”, Jesus aponta para alguém que chora por estar aflito, angustiado ou em sofrimento.

O sofrimento é uma realidade profundamente significativa na experiência humana. Ele expressa dor, seja física ou emocional, passageira ou prolongada, intensa ou moderada. O que mais nos chama a atenção, porém, é que o sofrimento nos incomoda e é algo que ninguém deseja experimentar.

À primeira vista, essa declaração de Jesus soa como um paradoxo. Se fosse dita por qualquer outra pessoa, poderia ser facilmente contestada. Mas foi o Filho de Deus quem a pronunciou. Como entender, então, que felizes são os que choram?

Quando o ser humano reconhece os seus pecados e compreende que eles criam uma barreira imensa entre a criatura e o Criador, sua reação natural é o quebrantamento. A maior de todas as tragédias é justamente a separação daquele que nos criou. Ainda assim, Jesus chama esses de bem-aventurados, ou seja, verdadeiramente felizes. Porque chegaram à consciência de sua condição espiritual. Infelizmente, muitos ainda não despertaram para essa realidade, cujas consequências são eternas.

Nesse contexto, o sofrimento manifestado pelo choro pode ter um efeito restaurador. Ele abre os olhos para a eternidade e conduz o homem a enxergar além do presente, pela fé. A mensagem de Jesus sempre esteve voltada para a eternidade. Para o destino final da humanidade e para a vida junto ao Criador (Mc 8.36).

Aqueles que ainda não tiveram uma experiência real com Cristo tendem a viver de forma independente. Muitos se tornam altivos, insensíveis, prepotentes, endurecidos de coração.

O choro consciente, porém, nos leva ao reconhecimento de nossa fragilidade. Ele quebra o orgulho, desfaz a prepotência e nos lembra de que somos pó. Ao compreender isso, passamos a enxergar quem realmente somos: pecadores necessitados de graça. E, diante dessa realidade, percebemos que há apenas um caminho, submeter-nos inteiramente ao senhorio de Cristo. Somente n’Ele encontramos a verdadeira felicidade.

Portanto, felizes são todos aqueles que confessam a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas, ainda que esse caminho passe pela dor e pelo sofrimento. O futuro que os aguarda é glorioso: um lugar onde não haverá mais pranto, nem dor, nem morte, nem lágrimas.

Soli Deo Gloria!

Juvenal Oliveira

 

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