Existem inúmeros motivos que levam uma pessoa a
chorar: alegria, tristeza, arrependimento, piedade, dor, sofrimento, entre
outros. No entanto, gostaria de refletir sobre esse tema à luz das palavras de
Jesus em seu Sermão do Monte (Mt 5.4): “Bem-aventurados os que choram, pois
serão consolados”.
A partir dessa afirmação, compreendemos que esse
choro não se refere à alegria, mas à dor. Ao dizer que “serão consolados”,
Jesus aponta para alguém que chora por estar aflito, angustiado ou em
sofrimento.
O sofrimento é uma realidade profundamente
significativa na experiência humana. Ele expressa dor, seja física ou
emocional, passageira ou prolongada, intensa ou moderada. O que mais nos chama
a atenção, porém, é que o sofrimento nos incomoda e é algo que ninguém deseja
experimentar.
À primeira vista, essa declaração de Jesus soa como
um paradoxo. Se fosse dita por qualquer outra pessoa, poderia ser facilmente contestada.
Mas foi o Filho de Deus quem a pronunciou. Como entender, então, que felizes
são os que choram?
Quando o ser humano reconhece os seus pecados e
compreende que eles criam uma barreira imensa entre a criatura e o Criador, sua
reação natural é o quebrantamento. A maior de todas as tragédias é justamente a
separação daquele que nos criou. Ainda assim, Jesus chama esses de
bem-aventurados, ou seja, verdadeiramente felizes. Porque chegaram à
consciência de sua condição espiritual. Infelizmente, muitos ainda não
despertaram para essa realidade, cujas consequências são eternas.
Nesse contexto, o sofrimento manifestado pelo choro
pode ter um efeito restaurador. Ele abre os olhos para a eternidade e conduz o
homem a enxergar além do presente, pela fé. A mensagem de Jesus sempre esteve
voltada para a eternidade. Para o destino final da humanidade e para a vida
junto ao Criador (Mc 8.36).
Aqueles que ainda não tiveram uma experiência real
com Cristo tendem a viver de forma independente. Muitos se tornam altivos,
insensíveis, prepotentes, endurecidos de coração.
O choro consciente, porém, nos leva ao
reconhecimento de nossa fragilidade. Ele quebra o orgulho, desfaz a prepotência
e nos lembra de que somos pó. Ao compreender isso, passamos a enxergar quem
realmente somos: pecadores necessitados de graça. E, diante dessa realidade,
percebemos que há apenas um caminho, submeter-nos inteiramente ao senhorio de
Cristo. Somente n’Ele encontramos a verdadeira felicidade.
Portanto, felizes são todos aqueles que confessam a
Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas, ainda que esse caminho passe pela
dor e pelo sofrimento. O futuro que os aguarda é glorioso: um lugar onde não
haverá mais pranto, nem dor, nem morte, nem lágrimas.
Soli Deo Gloria!
Juvenal Oliveira


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