terça-feira, 30 de dezembro de 2025

MENSAGEM DE FIM DE ANO 2025–2026

 

        





Há anos mantenho o hábito de escrever algumas palavras por ocasião da virada do ano, não apenas como exercício de reflexão, mas como um chamado à consciência e ao exame espiritual. Mais do que reavaliar caminhos pessoais, somos convidados a discernir os tempos em que vivemos, pois a história não caminha ao acaso: ela está sob a soberania de Deus. Cada indivíduo vive experiências distintas, moldadas por circunstâncias próprias, mas há momentos em que o Senhor permite crises coletivas para confrontar uma nação inteira.

Existem diferentes formas de enxergar a realidade: com otimismo ingênuo, com pessimismo paralisante ou com realismo espiritual — aquele que reconhece os fatos à luz da verdade de Deus. À medida que as máscaras caem, torna-se cada vez mais evidente a grave condição moral, econômica e espiritual do nosso país. O descontrole dos gastos públicos, a opressão tributária e a corrosão do poder de compra são sintomas visíveis de um problema mais profundo: o afastamento dos princípios eternos que sustentam uma sociedade justa.

A Escritura é clara ao afirmar que “a justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos” (Provérbios 14:34). Quando a dependência do Estado substitui a responsabilidade individual, quando o trabalho perde valor e a esperança se desloca dos céus para estruturas humanas, colhemos frutos amargos. Programas de auxílio são necessários em situações emergenciais, mas não podem ocupar o lugar da dignidade, do esforço e da responsabilidade que Deus estabeleceu para o homem. Uma nação que se sustenta artificialmente caminha para o colapso, e isso não ocorre por acaso, mas como consequência espiritual.

Ainda mais alarmante é a deterioração do senso de justiça. Quando aqueles que deveriam guardar a lei a distorcem, a base da sociedade é abalada. A Bíblia nos adverte: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal” (Isaías 5:20). A insegurança jurídica que vivemos revela um tempo de inversão de valores, no qual o justo é perseguido e o ímpio é protegido. Onde a verdade é relativizada, a democracia não se sustenta. Quando o temor de Deus é removido dos tribunais, resta apenas a arbitrariedade dos homens.

A classe política, em grande parte, reflete essa mesma decadência moral. Escândalos sucessivos de corrupção não são exceções, mas sintomas de um sistema adoecido. O profeta Miqueias descreveu bem o nosso tempo: “Os seus chefes julgam por suborno, os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro” (Miqueias 3:11). O poder, quando desvinculado do temor do Senhor, torna-se instrumento de opressão.

Contudo, o juízo não começa apenas nos palácios ou tribunais, mas na própria sociedade. O povo, que segundo a Constituição deveria ser o verdadeiro detentor do poder, também se corrompeu. Preferiu as mentiras convenientes à verdade libertadora. Aceitou pequenas vantagens em troca da consciência. A Palavra de Deus declara que o coração humano é enganoso, e quando uma nação rejeita a verdade, Deus permite que ela colha os frutos de sua própria escolha.

Diante de um cenário tão sombrio, surge a pergunta inevitável: existe esperança? A resposta bíblica é clara: a esperança não vem dos homens, nem de soluções horizontais, mas do Senhor. Ao longo da história, Deus jamais restaurou uma nação por meio de acordos políticos, mas por meio de arrependimento genuíno.

No século VIII a.C., Deus levantou o profeta Jonas para anunciar juízo à cidade de Nínive. A maldade daquele povo era tamanha que havia chegado diante do trono do Altíssimo. Jonas resistiu ao chamado, pois os assírios eram inimigos cruéis de Israel, conhecidos por sua violência e brutalidade. Ainda assim, a ordem divina foi inequívoca: “Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída” (Jonas 3:4).

A mensagem não foi suavizada, nem adaptada para agradar ouvintes. Foi proclamada com fidelidade. O resultado foi um dos maiores avivamentos registrados nas Escrituras: do rei ao mais humilde cidadão, todos se humilharam, jejuaram, se arrependeram e clamaram a Deus. E a Bíblia afirma que o Senhor mudou o destino daquela cidade.

Minha oração é para que Deus levante, em cada cidade deste país, homens e mulheres com o espírito de Jonas — não para anunciar palavras agradáveis, mas para proclamar a verdade com amor e temor. Que o Senhor conceda arrependimento coletivo, quebrante os corações endurecidos e restaure os fundamentos espirituais da nossa nação. Que o ano que se inicia não seja apenas uma mudança no calendário, mas um marco de retorno a Deus, pois somente Ele é capaz de transformar destinos, curar a terra e renovar a esperança.

Um feliz 2026 para todos os nossos amigos!

Juvenal Oliveira


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

NATAL, O PRESENTE IMERECIDO DE DEUS

 



Dificilmente nos deparamos com uma pessoa insatisfeita ao receber um presente, não é mesmo? Ainda que o presente em si não seja exatamente aquilo que ela almejava, há alegria pelo gesto de amor e carinho demonstrado por quem o oferece.

O plano original de Deus para o ser humano era a vida eterna. Contudo, Ele não quis criar meros robôs, que agissem impositivamente, demonstrando uma obediência cega. O espetáculo da criação — com tudo o que os nossos olhos podem contemplar, conforme descrito no livro de Gênesis — estava incompleto até o quinto dia. O Eterno reservou para o final a sua obra-prima e, no sexto dia, criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1.25-27).

Adão e Eva, o primeiro casal, não souberam usufruir da liberdade que lhes foi concedida e escolheram o caminho da desobediência. Tal atitude trouxe a morte e condenou toda a humanidade, sem qualquer possibilidade de escape (Rm 5.12).

Yahweh jamais poderia ser surpreendido por algo que Ele mesmo havia criado. Assim, traçou um plano redentor para reconduzir a obra criada de volta a Si. Foram longos anos de espera. Os profetas anunciaram essa promessa, mas ela parecia inalcançável, uma vez que a morte continuava assolando a humanidade de forma implacável. Muitos partiram sem contemplar o cumprimento da promessa de um Salvador, mas foram alcançados, pois não duvidaram e perseveraram até o fim, conforme as Escrituras (Hb 11.2).

Retomando a reflexão inicial sobre como é bom receber presentes, podemos afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que Deus é o nosso maior presenteador. Tudo começa com o dom da vida, fruto de um processo extraordinário: milhares de espermatozoides são lançados, apenas centenas se aproximam do óvulo e, normalmente, apenas um o fecunda. Foi assim que eu e você chegamos a este mundo. Isso não é fantástico? Apesar de todos os dissabores que a vida nos impõe — causados, em grande parte, pelos efeitos do pecado — ainda assim, podemos afirmar que viver é algo maravilhoso. No entanto, de que adiantaria experimentar tantos momentos inesquecíveis se todos fossem apenas passageiros?

O Criador cumpriu a sua palavra ao enviar o maior de todos os presentes: o seu Filho unigênito. Jesus veio ao mundo para resgatar a humanidade perdida (Jo 3.16). Deus não poderia violar o seu senso de justiça nem ignorar as consequências do pecado, sendo a maior delas a morte eterna. Como é impossível ao ser humano viver imune ao pecado, alguém precisaria representar toda a humanidade. Assim, Jesus se fez homem e, sem jamais pecar, entregou-se na cruz por todos nós (Rm 5.18-20). Nenhum ser humano, descendente de Adão e, portanto, pecador, seria digno de tamanha graça divina.

Infelizmente, muitos ainda rejeitam esse maravilhoso presente, seja por não compreenderem o verdadeiro significado do Natal, seja por endurecerem o coração. Jesus nasceu trazendo consigo a esperança de vencermos o nosso inimigo mais temível e cruel: a morte. Por isso, podemos celebrar: “Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15.50-58).

Obrigado, Jesus, pelo incomparável presente da salvação.

Um feliz Natal a todos os nossos amigos!

Juvenal Oliveira

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

NATAL, O SALVADOR CHEGOU

 


Normalmente, quando as coisas ficam difíceis, logo as pessoas correm em busca de um “salvador da pátria”. Alguém com capacidade suficiente para solucionar ou amenizar a dor e o sofrimento a que todos nós estamos expostos neste mundo e não apenas isto, mas oferecer também boas perspectivas quanto ao futuro. Talvez essas motivações sejam as principais causas para o surgimento da maioria das religiões em todo o planeta. Somente os indianos creem e adoram centenas de deuses. Dentre tantas religiões existentes, uma se destaca: o cristianismo. Por que chegamos a esta conclusão?

Inúmeros profetas anunciaram em diferentes períodos a vinda de um salvador. Um deles, Isaías, chamado de o profeta messiânico, previu esse acontecimento com setecentos anos de antecedência. Outros deram detalhes específicos, identificando qual a cidade onde ele haveria de nascer e sua raiz ascendente, tudo isto para não deixar dúvidas sobre o cumprimento das profecias. Juntando todas as informações acerca do nascimento de Jesus, seu ministério intenso na terra com incontáveis demonstrações de sinais e maravilhas e a sua ressurreição dentre os mortos, fica evidente não haver outro que se assemelhe a ele. Seu corpo glorificado, após ter ressuscitado dentre os mortos, foi visto por mais de quinhentas testemunhas. O túmulo onde o sepultaram está vazio e jamais foram encontrados vestígios de seus restos mortais, outra prova cabal da sua vitória sobre a morte.

É bem verdade que a data de seu nascimento teria dificilmente sido no dia 25 de dezembro por inúmeras razões, mas isto não é o mais importante. Fato é que a humanidade escolheu esse dia para celebrar o seu nascimento. Quanta gente perdeu a noção do significado dessa festa! Não tenho nada contra a figura do “Papai Noel”, mas reverenciá-lo como se fosse o ator principal, considero um exagero.

Todos os homens, em algum momento de suas vidas, reconhecerão que precisam de um “salvador da pátria”, não com letras minúsculas na figura de um grande líder político, religioso ou megaempresário, ainda que estes possam oferecer algum suporte na hora do aperto. Hoje é um momento oportuno para gritarmos com toda a força de nossos pulmões que Cristo nasceu! Deus se fez carne e habitou entre nós. 

A cada ano, ao celebrarmos o Natal, estamos acendendo a chama da esperança de um Salvador que está sempre pronto a socorrer todos os aflitos.

 “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz."  (Isaías 9.6)

 

Um Feliz Natal para todos os nossos amigos!

Juvenal e família

terça-feira, 3 de setembro de 2024

ONDE HÁ ARREPENDIMENTO A MISERICÓRDIA SUPERABUNDA

 


Parece um paradoxo a Bíblia ser há mais de cinquenta anos o livro mais vendido e lido do mundo, segundo dados da Biblioteca Benedicto Monteiro, e, mesmo assim, ainda haver tanta ignorância a respeito do poder transformador de Deus em meio à fragilidade da natureza humana. Não são poucos os que defendem a premissa de que os “homens maus” são irrecuperáveis. Segundo matéria publicada pela BBC News Brasil, em 26 de janeiro de 2024, no último censo realizado em 2022, cerca de 55 países previam a pena de morte em suas legislações. A China lidera o ranking com o maior número de pessoas executadas. Pessoas cujas vidas foram ceifadas por serem consideradas imperdoáveis pelos crimes cometidos. No entanto, existem incontáveis relatos bíblicos sobre pessoas sendo transformadas por Deus a partir de um arrependimento sincero. Convido você a embarcar comigo na história de um homem alcançado pela misericórdia de Deus, apesar de ter cometido muitos atos cruéis (2 Rs 21; 2 Cr 33).

Manassés começou a reinar aos doze anos e permaneceu por cinquenta e cinco anos no trono. Ele não somente fez o que era mau perante o Senhor, como foi um dos piores reis da Tribo de Judá, Reino do Sul. Para aqueles que defendem a ideia de o homem ser resultado do meio, este é um dos muitos exemplos de que esta filosofia não é verdadeira. Seu pai, Ezequias, subiu ao trono, encontrando um povo totalmente desviado da presença de Deus, mergulhado na idolatria. Ele realizou uma grande reforma religiosa. Destruiu os ídolos e reparou o altar (2 Cr 29). Portanto, Manassés foi criado tendo como exemplo alguém que temia a Deus e guardava os seus mandamentos, mas optou por seguir um caminho avesso a tudo o que aprendera desde pequeno. Cometeu as maiores atrocidades possíveis, praticando coisas abomináveis, como feitiçaria, necromancia e adivinhações. Chegou ao fundo do poço espiritual quando queimou seus filhos em sacrifícios aos falsos deuses, aos quais ele adorava. Foi uma péssima influência para a sua nação, levando as pessoas a cometerem práticas ainda piores do que as cometidas pelas outras nações. Yahweh enviou profetas, mas aquele homem estava com o coração endurecido e não deu ouvidos. O Senhor continua hoje enviando pessoas para advertir aqueles cujos caminhos são tortuosos. Por amor a Manassés, o Senhor não desistiu e utilizou sua última ferramenta, o cárcere, o sofrimento e a dor. Quem sabe você, que chegou até aqui nesta leitura, também não esteja, como aquele rei, precisando de uma ação mais incisiva de Deus. Manassés se arrependeu, se humilhou e orou. O Senhor ouviu sua oração, perdoou os seus muitos pecados e lhe restituiu o trono (2 Cr 33.13). As atitudes daquele homem já não eram mais as mesmas, dando provas de um arrependimento legítimo e convincente (2 Cr 33.14-15).

 Isto posto, podemos afirmar que não há, absolutamente, uma pessoa sequer neste mundo inalcançável diante do grande amor de Deus. Aquilo que era impossível para os homens, o Eterno possibilitou, enviando seu único filho, Jesus, para morrer em nosso lugar (Rm 5.8). Não desprezemos os sinais e as inúmeras manifestações de amor advindos do céu, até mesmo aquelas que, a princípio, parecem vir para nos destruir.  Deus continuará insistindo, batendo à porta do nosso coração com o doce convite: “...Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;” (Mt 25.34). Para isto, a palavra-chave é “arrependei-vos”.

Juvenal Netto

quarta-feira, 17 de abril de 2024

A INTERDEPENDÊNCIA FAZ PARTE DA MISSÃO

 


Um dos grandes dilemas enfrentados pelos homens é compreender o significado de sua existência. Encontrar a resposta para essa indagação não é nada fácil. Entretanto, devido à sua relevância, quem a distingue automaticamente percebe que ela é a chave para inúmeras outras questões, as quais circundam a natureza humana. Identificar qual é a sua missão pode fazer toda a diferença, independentemente da fé ou religião que professe, pois ela é a mola propulsora capaz de manter o seu corpo e alma em movimento contínuo. Você já descobriu qual é a sua?

Moisés nasceu com a exímia função de libertar seu povo de uma escravidão, a qual já perdurava por mais de três séculos (Ex 12.40). Como por norma, quanto mais expressiva, maior será o seu nível de dificuldade. O primeiro obstáculo foi justamente sobreviver ao parto, pois o rei do Egito havia determinado para as parteiras hebreias que matassem todas as crianças do sexo masculino (Ex 1.15-20). No entanto, quem determina a tarefa se incumbe de oferecer todo o suporte necessário. Aquele bebê nasceu e, antes que completasse o quarto mês de vida, foi novamente submetido a outra grande prova, mas Deus estava cuidando de tudo, nos mínimos detalhes (Ex 2.1-10). Moisés obteve todas as ferramentas necessárias para capacitá-lo a cumprir o seu chamado.

Quando Deus viu que seu servo estava pronto, o designou mediante uma grande visão (Ex 3.1-10). A reação de Moisés foi colocar uma série de desculpas, todas no intuito de se esquivar da responsabilidade. Quem nunca fez isso que atire a primeira pedra! A última delas foi sua limitação quanto à fala. Não se sabe ao certo que dificuldade era essa, talvez uma gagueira. Seguindo o raciocínio lógico e meramente humano, diríamos: é fácil, basta apenas remover esse impedimento, afinal de contas, Deus pode todas as coisas, não obstante, ele não agiu desse modo. A resposta do Eterno para Moisés foi a seguinte: “...Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele falará muito bem... E tu lhe falarás, e porás as palavras na sua boca; e eu serei com a tua boca, e com a dele, ensinando-vos o que haveis de fazer. E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus.” (Ex 4.14-16)

À luz da experiência de Moisés, podemos assimilar alguns conceitos. Todos recebem pelo menos uma missão ao nascer. Quanto maior a relevância desta, maiores serão os empecilhos, por isso, é importante ter muita cautela ao desejar estar no mesmo “pódio” que seu irmão; está disposto a passar também por suas provas? Aliado ao ofício, você receberá toda a estrutura necessária, isto é, não haverá justificativa para se negar a cumprir. Finalmente, e não menos importante, Moisés aprendeu que o significado para sua existência estava exatamente em obedecer ao seu chamado e, para tanto, precisaria depender totalmente de Deus, mas não apenas isso. Ele não conseguiria fazer nada sozinho. Muitas vezes, cumprir sua missão envolverá também depender de outras pessoas. A formação desse triângulo interdependente na conexão entre Deus, homem e o seu próximo é imperativa para o êxito no comissionamento. Que cumpramos nossa missão, bem como sejamos instrumentos para que outros também alcancem este objetivo. 

 

Juvenal Netto

sábado, 9 de março de 2024

UM CONVITE INUSITADO

 


Normalmente, ninguém convida um amigo para algo aparentemente ruim, pois queremos fortalecer mais e mais os laços fraternos, principalmente pelo fato de ser tão difícil encontrar um que atenda nossos exigentes requisitos. Entretanto, como o reino de Deus está sempre em oposição aos poderes deste mundo caído, às vezes, o que é ruim sob o prisma deste, é motivo de gozo e contentamento, consoante os parâmetros estabelecidos por aquele.

O apóstolo Paulo escreve duas cartas pastorais para o seu filho na fé, Timóteo. Suas orientações, baseadas nas experiências vividas no campo missionário e na inspiração recebida pelo Espírito Santo, tinham por finalidade principal capacitar aquele novo obreiro de modo a poder cumprir com excelência o ministério que recebera do Senhor Jesus. Aparentemente, Timóteo, apesar de apresentar características que comprovariam seu chamado, mesmo assim necessitava ser supervisionado por alguém com uma bagagem como a que Paulo possuía. Na sua segunda carta, Paulo relembra seu aprendiz de como ele fora ungido e, automaticamente, capacitado para liderar aquele rebanho em Éfeso. Alguns estudiosos afirmam que Timóteo era muito tímido e precisava vencer essa limitação para prosseguir na missão de conduzir a igreja aos seus novos desafios. Para tanto, necessitaria de poder, intrepidez, derramados pelo Espírito Santo ao que o busca; amor pelas almas perdidas e equilíbrio emocional (2 Tm 1.6-7). Características fundamentais para enfrentar as perseguições que sempre assolaram a igreja cristã até hoje. Paulo não esconde nada de Timóteo. Abrindo um parêntese aqui, hoje, há uma tendência de romantizar demais o cristianismo, talvez quem assim o faça seja por receio de assustar e desencorajar os novos discípulos. Apresentam um evangelho triunfalista, onde não há possibilidade alguma para sofrimentos, exceto se essa pessoa estiver vivendo em desobediência a Deus, ou seja, uma meia verdade.

Paulo encoraja Timóteo, convidando-o a participar com ele dos sofrimentos oriundos da pregação do Evangelho (2 Tm 1.8). Jesus fez algo parecido com seus discípulos ao deixar bem claro para eles que, assim como o perseguiram, o difamaram e o maltrataram até a morte, e morte de cruz, também fariam o mesmo com todos os seus seguidores (Jo 15.20). Se Paulo simplesmente fizesse o convite sem expor as motivações, poderíamos dizer que ele estaria desanimando seu aluno, mas não é isso que acontece. Ele aponta novamente para Cristo, aquele que padeceu e morreu, mas ao terceiro dia ressuscitou, vencendo a morte de uma vez por todas e o mesmo acontecerá com todos que o seguirem (2 Tm 1.10-12).  

Desta forma, se sofrermos neste mundo por estar obedecendo à Palavra, buscando incansavelmente a santidade, não por vanglória ou por medo do inferno, mas com a admirável motivação de nos tornarmos cada vez mais parecidos com Cristo, glorificaremos a Deus em todo o tempo e seremos mais que vencedores (1Pe 2.19-25; 3.14-17).  

Juvenal Netto

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

BODAS DE ALEXANDRITA

Como agradecer a Deus por tudo aquilo que tem feito por nós? O dia vinte e quatro de janeiro, especificamente, a partir do ano de 1998, se tornou uma data sublime para mim e para a minha esposa. Nesse célebre dia, no templo da Primeira Igreja Batista em São Pedro da Aldeia-RJ, selamos nossa união diante de Deus e várias testemunhas. A motivação maior, a qual nos deu toda convicção para proferirmos reciprocamente no altar aquelas frases tão ilustres e, em simultâneo, tão desafiantes, foi o grande amor que o Senhor fez brotar em nossos corações mutuamente. Este sentimento tem sido um dos pilares para prosseguirmos firmes no cumprimento do juramento, o qual fizemos: “... até que a morte nos separe”. Não existe casamento perfeito, partindo do pressuposto quanto à imperfeição generalizada, característica inerente a todos os seres humanos. Por isso, existem outros pilares para solidificar gradativamente o relacionamento conjugal e devem ser observados atentamente. O maior deles é a presença daquele que instituiu a família, digo, o Deus criador de todas as coisas. Atitudes, como perdão, respeito, reconhecimento, altruísmo, enaltecimento das virtudes e acertos em detrimento das falhas e imperfeições, além de muitas outras. A Bíblia nos fornece ferramentas, em forma de orientações, voltadas exclusivamente para o matrimônio e cita as responsabilidades peculiares do marido e da esposa (Ef 5.22-33). Tudo isso só é exequível na vida do casal mediante estarem juntos aos pés de Cristo, mortificando diariamente sua natureza adâmica.

Hoje, completamos Bodas de Alexandrita, uma pedra preciosa rara e valiosa, conhecida por sua capacidade de mudar de cor dependendo da iluminação. Suas características nos ajudam a refletir sobre todos esses anos juntos. Como foi importante nos adaptarmos às diversas fases do relacionamento: sem filhos; com filhos pequenos, depois adolescentes e agora adultos. Nestes ajustes, compreendemos o quão importante é rever conceitos. Reconhecermos como as mudanças são extremamente necessárias, desde que visem sempre o aperfeiçoamento de ambos e corroborem para o fortalecimento do relacionamento. Nossas prioridades atuais não são mais as mesmas de fases já ultrapassadas e esse entendimento é imprescindível para manter a chama acesa. Neste período de transição, com as nossas filhas adultas e independentes, precisamos nos preparar para não sofrermos tanto o impacto do que chamam de “síndrome do ninho vazio”. A atenção total deve se voltar para o cônjuge, como era no início, pois os filhos, assim como os pássaros, criam asas e voam; que voem mesmo cada vez mais alto.

Por fim, concluímos, expressando mais uma vez toda nossa gratidão ao nosso Senhor e Mestre Jesus de Nazaré, por nos unir, fazer frutificar (Débora, Esther...), sustentar e renovar todos os sentimentos que nutrimos um pelo outro. Aproveitamos a oportunidade para testemunhar diante daqueles que nos circundam o quão magnífico é esse projeto chamado família, apesar de todas as nossas limitações e imperfeições. Quero declarar mais uma vez todo o meu amor e admiração que sinto por minha esposa, uma mulher virtuosa, com imensuráveis qualidades, motivos pelos quais percebo que a escolha como companheira foi uma decisão indubitável. Deus é bom!


Juvenal Netto

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

MENSAGEM DE FIM DE ANO 2023-24

 


Estamos atravessando mais um ciclo, 2023 passou como um relâmpago e quanta coisa vivenciamos. Os acontecimentos são tão intensos que a nossa mente já não consegue acompanhá-los. Alguns enxergam esse período com certo grau de misticismo, enquanto outros o veem apenas como uma mudança no calendário. O importante é respeitar o momento de cada um. Particularmente, considero a virada de ano um período muito propício para realizarmos uma parada estratégica com o intuito de rever conceitos, restabelecer metas e tentar corrigir os inúmeros erros, além de dar aquela respirada funda para buscar um oxigênio novo e revigorador para reiniciarmos essa nova fase. Preciso ser responsável para não transmitir uma mensagem fantasiosa, surreal, triunfalista, pois todos estão experimentando na pele a realidade deste mundo globalizado e cada vez mais inclinado para uma Nova Ordem Mundial, ainda que muitos a considerem pura teoria da conspiração. Também não quero expressar uma visão realista de futuro, tão somente baseada em fatos recentes, pois isso seria nostálgico e ninguém quer pensar dessa maneira num momento de festa e celebração como esse, então, empregarei algumas palavras que possam corroborar individualmente na aplicação para a chegada deste novo ano.

A primeira delas é a GRATIDÃO. É comprovado cientificamente que aqueles que a praticam com frequência experimentam como resultado uma melhor qualidade de vida e saúde mental. Paremos de focar naquilo que não alcançamos ou não obtivemos êxito e exercitemos a gratidão. Se você se esforçar um pouco, conseguirá perceber que, mesmo em meio às lutas, sempre há algo a agradecer. Obrigado, meu Deus, por nos conceder mais um ano de vida!

A segunda é a . Podemos constatar na prática diária que, em alguns momentos, nossa força, estratégia, inteligência e até mesmo o poder aquisitivo não serão suficientes para nos conduzir à vitória. Fé é a convicção absoluta de que existe um Deus Todo-Poderoso, que apesar da sua grandeza, sendo o criador de todas as galáxias, possui a capacidade e o interesse em ouvir a cada ser humano que o busque com um coração contrito e sincero. Capaz de reverter as situações mais inusitadas da vida.

A terceira é a ESPERANÇA. Coirmã da fé, ela nos proporciona ver os acontecimentos por uma lente otimista. As circunstâncias dizem que não tem solução e todas as portas parecem estar fechadas, mas a esperança insiste em contradizer tudo isso e nos fazer seguir em frente em pleno deserto, apesar das inúmeras vozes insistirem que o que vemos é apenas uma miragem.

A quarta é a PERSEVERANÇA, prima das duas anteriores. O mais importante não é começar bem, e sim concluir com êxito total. Para tanto, nosso olhar não pode se desviar do objetivo final e jamais se distrair ou se empolgar com metas secundárias alcançadas. O descanso é para ser usufruído apenas na linha de chegada, antes disso, pode ser indício de fracasso.

A quinta é o PROPÓSITO. Viver sem propósito é desperdiçar o tempo e tornar a vida sem sentido. Não há nada de errado em estabelecer metas, ainda que não as alcancemos. O propósito é o combustível da existência humana, sem ele, simplesmente, paralisamos e perdemos o entusiasmo. Viver sem propósito algum é ser apenas um vegetal. Por mais insignificante que ele pareça ser para os outros, o que importa é o quanto ele vai nos impulsionar.

A sexta é a RETIDÃO. Em especial, no Brasil, em todo o tempo somos tentados a pegar os atalhos. Nos rendermos ao “Sistema Corrupto”. Até mesmo os juízes, de onde deveria partir o exemplo, são os primeiros a agir com desonestidade e partidarismo. Em contrapartida, a justiça de Deus é simplesmente infalível. A conta de toda essa imundície vai chegar mais cedo ou mais tarde. Se conseguirem se safar neste mundo, certamente não escaparão no vindouro. No final, apenas ali, todos terão que reconhecer a lei da semeadura, isto é, o que se planta, colhe. Deus honrará todo aquele que permanecer firme, optando por uma vida reta, mesmo diante de tanta sedução.

A última palavra, não menos importante, é o AMOR. Não qualquer tipo de amor, pois até mesmo o significado dessa palavra vem ganhando outros sentidos totalmente antagônicos aos legítimos. O amor a ser alcançado e buscado como alvo para as nossas vidas deve ser o bíblico, descrito brilhantemente pelo apóstolo Paulo:

 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá.” (I Co 13.4-8)

 

Um Feliz e próspero 2024 para todos os nossos amigos.

Juvenal Netto e família

sábado, 14 de outubro de 2023

QUE TODOS SE CURVEM A ARTE DO ENSINO

 

O que seria da humanidade se não houvesse pessoas vocacionadas e empenhadas na nobre tarefa de transmitir conhecimento?  O mundo, através dos séculos, vem passando por transformações significativas, as quais impactam diretamente as populações, contribuindo para obtermos excelência na maneira de viver, e isso só é possível pela existência dos professores.

Alguns definem o ensino apenas como uma profissão. São as pessoas com propósito exclusivo de se dedicarem ao aprendizado de uma matéria, chegando ao ponto de conseguir dominá-la, e, assim, realizar a disseminação da mesma para outros, remuneradamente, fazendo desta o exercício de seu sustento. No entanto, tamanha é sua expressividade, não podemos deixar de encará-lo por outros ângulos. Ele pode ser definido também como um dom. Gente que nasceu com a capacidade intrínseca de ensinar com maestria. Pessoas com esta virtude tendem a conseguir maior êxito, por transmitirem as informações de maneira mais clara, obtendo como resultado um melhor aproveitamento de seus alunos. Quando a arte de ensinar extrapola o puro recebimento de um dom ou as questões meramente remuneratórias, movida por amor intenso, ela ganha uma nova conotação e se transforma em um ministério. Alguém com o coração em chamas, desejando ser instrumento de Deus com o intuito de ajudar outras pessoas a progredirem em determinada(s) área(s) de sua vida. O renomado escritor e médico psiquiatra, Augusto Cury, escreveu o livro “Mestre dos mestres”, cujo título se refere a Jesus de Nazaré, o Mestre por excelência. Os seus ensinamentos iam além de pensamentos filosóficos, ou apenas didáticos. Eles eram pedagógicos na essência, sempre com o propósito de bem servir ao próximo, alcançando a plenitude, isto é, seu corpo e alma/espírito. Além do mais, se perpetua por séculos a fio e continua norteando milhares de vidas na atualidade.

No sistema de energia elétrica, toda a carga é transmitida via fios condutores por quilômetros de distância, desde a sua origem até chegar ao destino.  Do mesmo modo, independentemente das classificações mencionadas anteriormente, o professor exerce um papel proeminente para a sustentação e avanço da sociedade. Ele é esse fio condutor, responsável por ligar gerações através dos séculos, fazendo chegar o conhecimento adquirido aos lugares mais longínquos da Terra.

Para expressar todo nosso reconhecimento, admiração e respeito por cada brasileiro, o qual se dedica à tarefa ímpar de transmitir seus aprendizados a outrem, com ou sem diplomas acadêmicos, conclamo a todos a aplaudirem de pé esses exímios educadores. Que Deus esteja revigorando as vossas forças, aperfeiçoando seus ministérios e os conduzindo de fé em fé até a trajetória final.  O maior bem que um ser humano pode deixar neste mundo, ao passar por ele, é o seu legado e vocês têm essa oportunidade. Façam isso sem medir esforços, pois a recompensa um dia virá.  Que Deus abençoe a todos os professores do nosso amado Brasil!

Juvenal Netto


sábado, 30 de setembro de 2023

SINGULARIDADES DO DISCÍPULO DE CRISTO (GENEROSIDADE – SÉRIE VI)

 


O universo todo espera com muita impaciência o momento em que Deus vai revelar o que os seus filhos realmente são (Rm 8.19). Estas foram palavras utilizadas pelo apóstolo Paulo escrevendo aos romanos. Existe uma grande responsabilidade delegada por Deus aos seguidores de seu Filho. Diante de tantos aspectos acerca da sua doutrina, um deles é o exercício da generosidade. O cristão não foi chamado apenas para ter seu nome escrito no livro da vida e andar numa redoma espelhada, admirando sua própria imagem constantemente.

O sentido da palavra “generosidade” possui inúmeras definições, no entanto, será observado nesta reflexão apenas o de se dispor a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem. A virtude de uma pessoa generosa não está, necessariamente, atrelada a ser adepta a uma religião. Até mesmo um ateu pode possuir habilidades e dons naturais que o caracterizem como tal. Todo ser humano possui certo grau de egoísmo inerente à sua natureza, uma das consequências do pecado. Não obstante, o que se espera daqueles que tiveram um encontro com o Mestre são atitudes predominantemente altruístas.

Para determinados cristãos, exercitar a compaixão não é tão difícil, tendo em vista que, mesmo antes de se converterem, já eram inclinados à prática de ajudar o próximo. Em relação a outros, é um desafio constante, uma luta travada entre sua natureza carnal e a ação do Espírito Santo. Para se tornar um aprendiz obediente, o discípulo de Cristo deve compreender que demonstrar amor pelas pessoas vai muito além de pregar-lhes o evangelho. O Mestre jamais deixou de ensinar prioritariamente seus ouvintes sobre o que deveriam fazer para herdar o reino do céu. Entretanto, demonstrava toda sua generosidade, pois entendia perfeitamente que sua obra deveria ser completa, alimentando corpo e alma/espírito. À semelhança de Cristo, somente seus discípulos estão habilitados a exercer esta virtude no sentido mais profundo.

O mundo pós-pandemia se tornou ainda mais enfermo, em especial, o acometimento de doenças que envolvem diretamente a mente. Os terapeutas têm contribuído sobremaneira, utilizando todo o conhecimento adquirido para prestar auxílio a esses cidadãos. Todavia, por muitas vezes, além dessa ajuda, necessitaremos da intervenção divina. As pessoas estão extremamente carentes, assustadas e desesperançadas. Os relacionamentos, hoje, predominantemente virtuais, não conseguem suprir as carências por serem frios, sem calor humano, portanto, ineficazes.  

Que o Espírito Santo nos encha de fervor espiritual, ajudando-nos a vencer a indiferença e a frieza que assolam o mundo. Não duvidamos de que esta é a vontade do Pai, pois fomos chamados para cumprir este propósito (Jo 15.16). Então, o que compete a cada um de nós (cristãos) é buscar incessantemente sua face, dispostos a sermos seus instrumentos para a glória de Jesus.

Juvenal Netto