sexta-feira, 10 de agosto de 2018

FRANKENSTEIN ESPIRITUAL




De autoria de Mary Shelley, escritora britânica, “Frankenstein” é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico e considerado a primeira obra de ficção científica da história. Narra a história de um estudante de ciências que faz inúmeras experiências com cadáveres, querendo brincar de Deus; cria um ser a partir da junção de várias partes deles devidamente costuradas, um verdadeiro monstro. Tem muita gente em nosso meio que se parece, e muito, com esta criatura. Estão com as suas vidas todas remendadas.

A vida é maravilhosa, excitante, esplêndida, incomparável, não obstante, vivemos momentos difíceis e experimentamos dias de trevas. Enfrentamos gigantes. Somos golpeados e chegamos quase ao nocaute. Lutas internas com a nossa natureza humana e pecaminosa; lutas externas com inimigos diversificados que ora atingem o nosso corpo físico, ora a nossa estrutura emocional e até mesmo a espiritual, isto quando não atingem de uma só vez todas elas. O que queremos deve ser muito mais que simplesmente vencermos os inimigos, mas, sairmos ilesos da batalha, sem sequelas. Mas, nem todos conseguem sair sem cicatrizes. As lutas do dia a dia provocam marcas profundas. Existem aqueles que saem até dilacerados, como um ex-combatente de guerra, e parece que nunca mais serão os mesmos. Não foram à lona; não se apostataram da fé; não se deram por vencidos; mas, já não têm o mesmo vigor. Locomovem-se de forma mecânica; o seu sorriso já não é mais tão contagiante como antes; já não tem a mesma pegada e o mesmo vigor; desconfiam de tudo e de todos; tendem a se tornar saudosistas. E reconhecem que alguma coisa precisa ser feita; têm um profundo desejo de que tudo volte a ser como antes. Em alguns momentos, ficam sem saber o que fazer e, em outros, acabam tentando pegar um atalho, ou seja, o caminho mais fácil. Começam a costurar novamente aquele membro já morto, apodrecido, mutilado e aí é que começam a ficar parecidos com um Frankenstein. Suas vidas estão todas remendadas, com aparência de quem vive, mas estão mortas espiritualmente. O remédio certo ou o procedimento correto a ser tomado não é tentar costurar novamente aquilo que está se dissolvendo, como muitos fazem.

Deus chama o profeta Jeremias e manda uma mensagem para o povo. Em especial para aqueles que adoeceram. A palavra inicial foi a seguinte: “Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.” (Jr 18. 1-6).

Levantem-se desta posição de prostração; levantem-se não arrogantemente como se nada estivesse acontecendo; levantem-se não diante dos homens, mas diante das circunstâncias, dos desafios e dos problemas, encarando-os; levantem-se diante de Deus: Ele sabe quais são os seus verdadeiros estados.

Em seguida, o caminho para a cura, para a libertação, para a restauração, é um caminho de descida; momento de se despirem; abrirem mão de toda a arrogância; de toda a autossuficiência; momento de descobrirem a ferida; momento de entrega total.

“Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.” (Jr 18.4).

Logo, Deus é este oleiro, com plenos poderes para construir e reconstruir qualquer vaso. Este oleiro não é como aquele cientista que remendava as coisas, mas o seu agir é totalmente diferente. Ele quebra tudo e faz um novo. Quem sabe vocês também não estejam com as suas vidas deformadas, em frangalhos? Precisando descer hoje mesmo à casa deste oleiro a fim de serem reconstruídos e voltarem a ser aqueles vasos de honra para o louvor da glória de Cristo (2 Tm 2.21).

 

Juvenal Oliveira

 




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