A vida é maravilhosa, excitante, esplêndida,
incomparável, não obstante, vivemos momentos difíceis e experimentamos dias de
trevas. Enfrentamos gigantes. Somos golpeados e chegamos quase ao nocaute.
Lutas internas com a nossa natureza humana e pecaminosa; lutas externas com
inimigos diversificados que ora atingem o nosso corpo físico, ora a nossa
estrutura emocional e até mesmo a espiritual, isto quando não atingem de uma só
vez todas elas. O que queremos deve ser muito mais que simplesmente vencermos
os inimigos, mas, sairmos ilesos da batalha, sem sequelas. Mas, nem todos
conseguem sair sem cicatrizes. As lutas do dia a dia provocam marcas profundas.
Existem aqueles que saem até dilacerados, como um ex-combatente de guerra, e
parece que nunca mais serão os mesmos. Não foram à lona; não se
apostataram da fé; não se deram por vencidos; mas, já não têm o mesmo vigor.
Locomovem-se de forma mecânica; o seu sorriso já não é mais tão contagiante
como antes; já não tem a mesma pegada e o mesmo vigor; desconfiam de tudo e de
todos; tendem a se tornar saudosistas. E reconhecem que alguma coisa precisa
ser feita; têm um profundo desejo de que tudo volte a ser como antes. Em alguns
momentos, ficam sem saber o que fazer e, em outros, acabam tentando pegar um
atalho, ou seja, o caminho mais fácil. Começam a costurar novamente aquele
membro já morto, apodrecido, mutilado e aí é que começam a ficar parecidos com
um Frankenstein. Suas vidas estão todas remendadas, com aparência de quem vive,
mas estão mortas espiritualmente. O remédio certo ou o procedimento correto a
ser tomado não é tentar costurar novamente aquilo que está se dissolvendo, como
muitos fazem.
Deus chama o profeta Jeremias e manda uma mensagem
para o povo. Em especial para aqueles que adoeceram. A palavra inicial foi a
seguinte: “Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as
minhas palavras.” (Jr 18. 1-6).
Levantem-se desta posição de prostração;
levantem-se não arrogantemente como se nada estivesse acontecendo; levantem-se
não diante dos homens, mas diante das circunstâncias, dos desafios e dos
problemas, encarando-os; levantem-se diante de Deus: Ele sabe quais são os seus
verdadeiros estados.
Em seguida, o caminho para a cura, para a
libertação, para a restauração, é um caminho de descida; momento de se
despirem; abrirem mão de toda a arrogância; de toda a autossuficiência; momento
de descobrirem a ferida; momento de entrega total.
“Como o
vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele
outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.” (Jr 18.4).
Logo, Deus é este oleiro, com plenos poderes para
construir e reconstruir qualquer vaso. Este oleiro não é como aquele cientista
que remendava as coisas, mas o seu agir é totalmente diferente. Ele quebra tudo
e faz um novo. Quem sabe vocês também não estejam com as suas vidas deformadas,
em frangalhos? Precisando descer hoje mesmo à casa deste oleiro a fim de serem
reconstruídos e voltarem a ser aqueles vasos de honra para o louvor da glória
de Cristo (2 Tm 2.21).
Juvenal Oliveira


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