domingo, 26 de agosto de 2018

ANOREXIA ESPIRITUAL




Anorexia se define por uma perda de apetite que leva as pessoas ao emagrecimento e, até, à morte. Mas, na maioria das vezes, quando nos referimos a esta palavra, na verdade estamos falando sobre anorexia nervosa, que se trata de uma enfermidade de ordem emocional onde as pessoas têm a ilusão de serem gordas e estarem fora do padrão corporal exigido pela sociedade. Aqui, especificamente, será empregada a palavra no sentido metafórico, de alguém que perdeu o estímulo, o desejo, o interesse pelas coisas espirituais.

Quando as pessoas perdem o interesse pelo Reino de Deus e começam a viver uma espiritualidade rasa, superficial e aparente, elas entram na mesmice da religiosidade e começam a sofrer as consequências desta vida dúbia; os milagres se tornam cada vez mais difíceis de serem experimentados; as frustrações se agigantam, ofuscando qualquer agir do Pai; as derrotas começam a fazer parte de sua história. Surge uma série de sintomas que ajudam a diagnosticar alguém que esteja passando por tal situação.

O primeiro sintoma apresentado pelo anoréxico espiritual é a fraqueza. Pode chegar ao ponto de não ter mais vontade de ler a Bíblia, orar e desempenhar a função pela qual Deus o chamou. Esta pessoa passou a ser uma mera frequentadora de igreja, sem qualquer compromisso com a noiva de Cristo. Sua vida espiritual passou a se restringir apenas aos horários das reuniões congregacionais.

O segundo sintoma é o comprometimento da visão. O anoréxico vê o problema sempre maior que o poder do seu Deus; já não se empolga tanto com a possibilidade de, no futuro, estar no céu com o Senhor; sua visão se tornou absolutamente terrestre, atrofiada, míope.

O terceiro sintoma é que ele fica exposto a todo o tipo de enfermidades, principalmente as de ordem emocional e espiritual, através de influências malignas. Quanta gente enferma nas igrejas, feridas na alma, decepcionadas, frustradas, amarguradas. Gente cheia de esquisitices e verdadeiras paranoias. Gente que precisa ser removida urgentemente para uma UTI espiritual.

O quarto sintoma desta pessoa é se tornar dependente de alguém, como se fosse um aleijado; não consegue caminhar sozinho; vive mendigando oração dos outros como se não tivesse mais livre acesso ao Pai. Sua espiritualidade está apoiada no seu líder espiritual, cônjuge, pais, filhos, amigos, etc.

O quinto sintoma do anoréxico espiritual é que vive tendo vertigens.  Ele perde a noção das coisas e começa a brincar com o pecado como fez Sansão; como a definição literal da palavra (vertigem), ele tem a ideia de que tudo deve girar em torno de si mesmo e de que tudo deve ser exatamente do seu jeito.

O sexto sintoma desta anorexia é a sensação de tremores. Uma pessoa que se tornou extremamente insegura e incapaz de exercer qualquer ministério na igreja; sempre acha que tem alguém que fará as coisas melhor do que ela.

O sétimo e último sintoma do anoréxico aqui apresentado é que ele acaba se tornando incapaz de ingerir um alimento mais sólido. Torna-se sensível demais e já não gosta de ouvir uma palavra mais dura de seu líder, ainda que seja oriunda das Sagradas Escrituras.

Destarte, se estes sintomas têm feito parte de sua vida, é sinal de que você tem se alimentado de maneira errada e pode estar sofrendo desta síndrome; quem sabe não se equivocou com o real sentido da religião e a buscou como fonte; pode ser também que você tenha conhecido a Deus apenas no seu intelecto, ou seja, de ouvir falar e não tenha tido uma experiência real com Ele. Se esta for a sua condição hoje, eu lhe convido a buscar o verdadeiro pão que poderá saciar verdadeiramente a sua alma, Jesus Cristo de Nazaré.

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pãoviverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.” (Jo 6.47,48 e 51).

Juvenal Oliveia 

 


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

FRANKENSTEIN ESPIRITUAL




De autoria de Mary Shelley, escritora britânica, “Frankenstein” é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico e considerado a primeira obra de ficção científica da história. Narra a história de um estudante de ciências que faz inúmeras experiências com cadáveres, querendo brincar de Deus; cria um ser a partir da junção de várias partes deles devidamente costuradas, um verdadeiro monstro. Tem muita gente em nosso meio que se parece, e muito, com esta criatura. Estão com as suas vidas todas remendadas.

A vida é maravilhosa, excitante, esplêndida, incomparável, não obstante, vivemos momentos difíceis e experimentamos dias de trevas. Enfrentamos gigantes. Somos golpeados e chegamos quase ao nocaute. Lutas internas com a nossa natureza humana e pecaminosa; lutas externas com inimigos diversificados que ora atingem o nosso corpo físico, ora a nossa estrutura emocional e até mesmo a espiritual, isto quando não atingem de uma só vez todas elas. O que queremos deve ser muito mais que simplesmente vencermos os inimigos, mas, sairmos ilesos da batalha, sem sequelas. Mas, nem todos conseguem sair sem cicatrizes. As lutas do dia a dia provocam marcas profundas. Existem aqueles que saem até dilacerados, como um ex-combatente de guerra, e parece que nunca mais serão os mesmos. Não foram à lona; não se apostataram da fé; não se deram por vencidos; mas, já não têm o mesmo vigor. Locomovem-se de forma mecânica; o seu sorriso já não é mais tão contagiante como antes; já não tem a mesma pegada e o mesmo vigor; desconfiam de tudo e de todos; tendem a se tornar saudosistas. E reconhecem que alguma coisa precisa ser feita; têm um profundo desejo de que tudo volte a ser como antes. Em alguns momentos, ficam sem saber o que fazer e, em outros, acabam tentando pegar um atalho, ou seja, o caminho mais fácil. Começam a costurar novamente aquele membro já morto, apodrecido, mutilado e aí é que começam a ficar parecidos com um Frankenstein. Suas vidas estão todas remendadas, com aparência de quem vive, mas estão mortas espiritualmente. O remédio certo ou o procedimento correto a ser tomado não é tentar costurar novamente aquilo que está se dissolvendo, como muitos fazem.

Deus chama o profeta Jeremias e manda uma mensagem para o povo. Em especial para aqueles que adoeceram. A palavra inicial foi a seguinte: “Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.” (Jr 18. 1-6).

Levantem-se desta posição de prostração; levantem-se não arrogantemente como se nada estivesse acontecendo; levantem-se não diante dos homens, mas diante das circunstâncias, dos desafios e dos problemas, encarando-os; levantem-se diante de Deus: Ele sabe quais são os seus verdadeiros estados.

Em seguida, o caminho para a cura, para a libertação, para a restauração, é um caminho de descida; momento de se despirem; abrirem mão de toda a arrogância; de toda a autossuficiência; momento de descobrirem a ferida; momento de entrega total.

“Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.” (Jr 18.4).

Logo, Deus é este oleiro, com plenos poderes para construir e reconstruir qualquer vaso. Este oleiro não é como aquele cientista que remendava as coisas, mas o seu agir é totalmente diferente. Ele quebra tudo e faz um novo. Quem sabe vocês também não estejam com as suas vidas deformadas, em frangalhos? Precisando descer hoje mesmo à casa deste oleiro a fim de serem reconstruídos e voltarem a ser aqueles vasos de honra para o louvor da glória de Cristo (2 Tm 2.21).

 

Juvenal Oliveira