sábado, 18 de fevereiro de 2017

UM INCONFORMADO PERSISTENTE




A realidade sombria do nosso país, dominado pela corrupção ética, moral e espiritual, mostra a face de um grupo considerável de pessoas inconformadas. Desde que haja razoabilidade, o inconformismo pode ser um grande aliado do homem no sentido de tirá-lo da sua zona de conforto e motivá-lo a lutar por seus ideais. Sair da inércia deve ser o primeiro passo, não obstante, deve-se ter o cuidado de não caminhar na direção errada ou lutar contra inimigos imaginários.

A inconformidade parece algo latente na vida humana, pois sempre haverá alguém insatisfeito com alguma coisa. Agora, alguns princípios devem ser observados. Primeiro, é justificável este sentimento, ou seja, será que os motivos são autênticos? Em segundo lugar, é ter discernimento e inteligência para fazer algo que realmente contribua para a mudança acontecer. E, em terceiro lugar, cada um deve perguntar a si mesmo se estaria disposto a ir até as últimas consequências para mudar aquilo que tanto o incomoda. Sendo mais claro, conseguiria morrer combatendo mesmo tendo a percepção de que não poderia mudar tal realidade? Mudar todo um sistema opressor? Uma luta que transcende os limites do visível e do mundo físico ou até mesmo mudar a sua própria natureza?

O apóstolo Paulo, escrevendo à Igreja em Roma, os orienta a que sejam inconformados (Rm 12.2). Inconformados com o pecado, pois o pecado é a única coisa que pode nos separar de Deus. Nem mesmo os demônios, com todo o poder que possuem, conseguem por si só nos separar de Deus (Is 59.2; Rm 8.38-39). Alguém que se conforma com o pecado está propenso à morte (Rm. 6.23; Tg. 1.15).

Inconformados com este sistema, chamado “mundo”, orquestrado por satanás, que vem ceifando a vida de milhares de pessoas através de suas ardilosas ciladas. Muitas vezes utilizando sempre as fraquezas humanas como isca, como, por exemplo, as drogas lícitas e ilícitas, que propiciam um prazer e uma alegria momentâneos, mas, o fim é a escravidão e a morte. A prostituição é outra arma predileta dele que age em conluio com a nossa natureza adâmica, banalizando o valor do corpo que a Bíblia chama de templo do Espírito Santo, tornando-o  apenas um objeto de consumo totalmente descartável. O Diabo age sutilmente até encontrar uma brecha para atingir os homens com toda a espécie de corrupção, tornando-os amantes de si mesmos e totalmente insensíveis à dor alheia. A violência, para ele, tem um valor superestimado por ver as pessoas, a imagem e semelhança de Deus, se destruindo umas às outras e a vida vai perdendo gradativamente o seu valor. 

Inconformados com o número de pessoas que carimbam diariamente o seu passaporte para o inferno, por ignorarem a voz de Deus que sussurra em seus ouvidos até o último suspiro, dizendo: Filho, eu te amo e quero te salvar da condenação eterna, basta se arrepender de seus pecados e crer em mim (Rm. 10.9).

Portanto, é este inconformismo que fará de cada cristão um pregador incansável até a volta de seu Senhor, pois o seu desejo é ver o máximo de pessoas experimentando a mesma graça, o mesmo perdão, o mesmo amor e a mesma salvação.

Soli Deo Glória

Juvenal Oliveira


sábado, 4 de fevereiro de 2017

“SE REVIRANDO NO TÚMULO”



Esta prosopopeia é muito utilizada para afirmar que as ideias e posicionamentos de uma pessoa já falecida estão sendo confrontados ou contrariados. Normalmente, esta figura de linguagem faz menção a alguém que exerceu algum tipo de influência sobre a sua geração ou gerações vindouras, como grandes pensadores, líderes das mais variadas áreas, inventores, atores, cantores e outros.

O apóstolo Paulo, também conhecido como Paulo de Tarso, foi um dos líderes mais proeminentes da história do cristianismo. Escreveu treze cartas com exposições doutrinárias e apologéticas que vêm norteando a vida de milhares de cristãos desde o seu encontro com Jesus, por volta do ano trinta e sete, até os dias atuais. Dentre a cristandade, independentemente da linha teológica adotada, ele é uma figura respeitada. Seus escritos são normalmente aceitos como inspiração divina, não obstante, o que se vê nos dias atuais é um grande número de “líderes cristãos” ensinando doutrinas totalmente contrárias às suas, dentre elas o “triunfalismo”. Este prega um cristianismo sem sofrimento, dor ou perseguição; alguns deles chegam ao extremo, afirmando que quando isto acontece na vida de um cristão é porque ele não tem fé suficiente ou está em pecado.

Logo no início de seu ministério, na sua primeira viagem missionária, o apóstolo Paulo, acompanhado por Barnabé, após ter pregado em várias cidades e ter feito muitos discípulos, resolveu visitar as cidades de Listra, Icônio e Antioquia com o objetivo de fortalecer-lhes a fé. Paulo fez questão de salientar que eles deveriam estar preparados para passar por muitas tribulações a fim de entrar no reino de Deus (Atos 14.22).

Paulo foi chamado para ser um pregador do evangelho e nem por isso foi poupado do sofrimento, pelo contrário, foi açoitado, perseguido, humilhado, sofreu naufrágios, passou fome, mas jamais ficou se lamuriando ou reclamando (Atos 9.16; 2 Coríntios 11.23–27). Quando escreve aos Filipenses, estando ele preso, o que mais dá ênfase é à alegria que sentia de poder servir a Cristo, pois tinha consciência da grande recompensa que o aguardava (Filipenses 1.4; 4.4, 10,11). Paulo nos dá o exemplo de que a nossa comunhão com Cristo e a certeza da vida eterna devem ser as nossas maiores motivações em servi-lo e não apenas a de ser poupado de sofrimentos neste mundo.

 Deste modo, utilizando esta expressão meramente como uma figura de linguagem, “Paulo deve estar se revirando no túmulo” pelas aberrações que andam ensinando por aí em seu nome.

 Sola Scriptura


Juvenal Oliveira