Apesar de ter sido utilizada como introdução a
menção da audição no seu sentido literário, a intenção real desta breve
meditação não é esta e sim fazer alusão a dois outros tipos de surdez que podem
causar ao homem um prejuízo ainda mais assustador.
Por volta do ano 58 d.C., numa carta escrita para
cristãos em Roma, o apóstolo Paulo afirma que nenhum homem pode simplesmente
dizer que não conhece a Deus porque ninguém falou a respeito dEle (Romanos
1.18-27). A tese que ele utiliza para fazer tal afirmação é a de que a própria
criação, com as suas riquezas insondáveis e magníficas, é suficiente para
revelar ao homem acerca da existência de um Deus criador de todas estas coisas.
Infelizmente, apesar de este Deus se revelar a cada nascer do sol, utilizar
inúmeras outras formas para se comunicar com os homens, alguns ainda estão
surdos. Conseguem ouvir e distinguir inúmeros sons e notas musicais,
entretanto, ignoram a sua voz que ecoa a todo instante em seu coração dizendo:
Filho(a) eu te amo; quero caminhar contigo; oferecer aquilo que você tem
buscado a vida inteira e não conseguiu encontrar; preencher o vazio existencial
que você já tentou ocupar com drogas lícitas e ilícitas, com a prostituição,
com o acúmulo de riquezas, com o trabalho e muitas outras coisas; oferecer a
tão sonhada paz que lhe trará sossego mesmo vivendo em meio a terríveis
tempestades, pois confiará que estarei sempre no controle de sua vida e lhe
protegerei sempre. Este é o segundo tipo de surdez, a de homens que teimam em
viver sem Deus ou pensam que podem viver com Ele sem abandonar as coisas que o
desagradam.
Outro tipo de surdez é aquela que acomete homens
que experimentaram apenas uma religião ou acreditam que Deus pode ser domado,
enjaulado, detido apenas a rituais, dogmas e preceitos meramente humanos.
Pessoas que descansam no berço esplêndido desta “religião” ignoram a sua missão
e a da igreja; menosprezam os sem religião como se estivessem em um patamar
muito mais elevado; acreditam que trabalhar para este Deus é coisa para pastor
e demais oficiais da congregação ou apenas assumir um “cargo”; pensam que o
cristianismo serve apenas para livrá-los do inferno, curar as suas doenças,
oferecer-lhes benesses sem medida. Este tipo de surdez talvez seja ainda mais
terrível, pois constantemente Deus está usando os púlpitos, os seus servos e a
sua Palavra para lhes mostrar o que devem fazer e como se comportar para
estarem no centro da sua vontade.
Diante de tudo isto, a boa notícia é que Jesus de
Nazaré pode fazer novamente o que outrora fizera na cidade de Decápolis a um
homem surdo e que ainda tinha a língua presa quando disse “EFATÁ” e o
homem não só passou a ouvir, como também a falar desembaraçadamente (Marcos
7.31-37). Esta palavra é a transliteração de um termo aramaico que quer dizer “ABRE-TE”.
Que todos os ouvidos sejam abertos para ouvir nitidamente a voz do Deus de
Israel e as línguas soltas para anunciarem com toda a intrepidez que Jesus está
às portas.
Soli Deo Glória!!!
Juvenal Oliveira


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