A aquisição,
cópia, venda ou distribuição de material sem o pagamento dos direitos autorais, a chamada pirataria moderna, causa um prejuízo
somente no Brasil estimado em R$ 115 bilhões por ano, conforme informação do
presidente do Fórum Nacional de Combate à Pirataria (FNCP). No mundo inteiro,
são milhares de pessoas que perdem o seu emprego devido a tal prática.
Não se pretende aqui entrar na parte jurídica da
questão, por acreditarmos ser de conhecimento de todos que a pirataria
constitui-se em uma prática delituosa, prevista no Código Penal Brasileiro (Art.
184 — Lei nº 10.695 de 1º/07/2003; Art. 180 e Lei nº 9.610 de 19/02/1998).
Já que é algo ilegal e, portanto, indiscutivelmente reprovável à luz da Bíblia,
por que tantas pessoas que frequentam assiduamente uma igreja “cristã” ainda se
envolvem com isto sem o menor peso na consciência?
A maior argumentação que utilizamos para nos
justificar é que os produtos originais são demasiadamente caros, fora da
realidade. Outra desculpa que normalmente damos é que no Brasil todos fazem
isto, inclusive as autoridades. Mas será que estes motivos são mesmo
convincentes ou admissíveis? Certa feita, um grupo de religiosos chamados
fariseus tentou por Jesus em cheque, perguntando-lhe se era lícito pagar
tributo ao imperador romano. Ele respondeu estonteantemente: Que imagem está
impressa na moeda, a de César? Então, deem a César o que é de César e a Deus o
que é de Deus (Mateus 22.15-22).
O motivo que deve levar os cristãos a não participarem
da pirataria deve ser não apenas pelo fato de estar previsto nas leis dos
homens. O apóstolo Paulo, escrevendo para a igreja de Corinto, afirma que tudo
é lícito para o cristão, mas nem tudo lhe convém ou traz edificação para a sua
vida. Ele continua e vai ao ponto-chave da questão: “Ninguém busque o
seu próprio interesse, e sim o de outrem” (I Coríntios 10.23-24).
Deus nos dá liberdade de fazermos as nossas
escolhas, tanto isto é fato que, apesar de existirem inúmeras leis com as suas
respectivas punições no país, somos a quarta maior população carcerária do
mundo, segundo dados divulgados em 2014 pelo Ministério da Justiça.
Podemos fazer o que quisermos e, por que não devemos então piratear,
simplesmente baseados no CPB? Não apenas por isto, mas porque, ao fazer isto,
estaremos trazendo enormes prejuízos para outras pessoas. O próprio Cristo
colocou uma condição para aqueles que desejam segui-lo: “… se alguém quer vir
após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16.24). Negar
a si mesmo é não ser egoísta ao extremo; é pensar no coletivo; é ser altruísta;
é pensar e amar ao próximo. Outra forte razão para nós, cristãos, não sermos
participantes da prática de pirataria é o escândalo que ela proporciona a todos
aqueles que estão à nossa volta (Mateus 18.6-7; Hebreus 12.1).
Em vista disso, foram expostos nestas linhas alguns
motivos para nos fazer refletir sobre este assunto e revermos os nossos
conceitos sobre esta tratativa que tem trazido muito prejuízo para as nossas
vidas espirituais e a de muitas outras pessoas. Pense nisto!
Soli Deo Glória!
Juvenal Oliveira
“Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça e
os seus aposentos, sem direitos! Que se vale do serviço do seu próximo, sem
pagar, e não lhe dá o salário.” (Jeremias 22.13).
“Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude.”
(Salmos 101.7).
“Chegar-me-ei a vós outros para juízo; serei
testemunha veloz contra… os que defraudam o salário do jornaleiro…” (Malaquias
3.5).
“Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal
adquiridos…” (Habacuque 2.9).


























