terça-feira, 10 de maio de 2016

A PÓS-MODERNIDADE E O SURGIMENTO DOS “PROFISSIONAIS DO PÚLPITO”




Diante de um público cada vez mais exigente neste período pós-moderno, os líderes das igrejas evangélicas no Brasil têm procurado inovar tanto na maneira como se portam quanto no teor das mensagens a serem transmitidas nos púlpitos de suas igrejas. Cabe primeiramente ressaltar que este tipo de exigência a qual se faz referência não tem relação com a luta por uma exposição fidedigna às escrituras, mas a uma mensagem que traga algum tipo de êxtase, que dê uma injeção de ânimo aos mais prostrados e desanimados, como uma autoajuda disfarçada. Querem ouvir somente coisas boas que não os confrontem, como aqueles textos das caixinhas de promessas que só possuem garantia de bênçãos e mais nada.

Como consequência desta exigência, surgem os chamados “profissionais do púlpito”, apóstolos, bispos, pastores, pregadores itinerantes e outros títulos mais, dados a homens que pregam de acordo com o gosto do freguês, como que para agradar a pessoas e não a Deus. Apesar de ter sido mencionada na introdução a questão da premissa por mensagens cada vez mais atrativas, existem outros motivos pelos quais tem levado muitos pregadores a se tornarem “profissionais”.

Um ministério bem-sucedido hoje é medido exclusivamente pelo número do seu rebanho. Esta realidade pode mexer muito com a autoestima de um líder ao ponto de fazê-lo mudar o seu modo de pregar para atrair mais pessoas para o seu aprisco. Hoje existem estilos para todos os gostos, animadores de plateia, figurinistas, comediantes, personagens dos mais variados, desde boiadeiro a pop star. Não há nada de errado em cada um ter o seu próprio estilo na maneira de transmitir a mensagem. Se for autêntico, fiel às escrituras e tiver como único propósito o de trazer edificação para todos que o ouvem.

O ministério da Palavra para um considerável grupo de líderes já deixou há muito tempo de ser ministério e se tornou um mero emprego como outro qualquer. Para estes, o que lhes importa é tão somente agradar àqueles que irão lhes oferecer o seu sustento; o que mais importa não é o estado da ovelha, e sim se ela está sendo fiel no seu dízimo e assim manter as contas da congregação em dia e garantir o seu emprego. Não se deseja, em hipótese alguma aqui, ir de encontro ao ensinamento bíblico sobre o dízimo e sim sobre a ênfase que muitos dão a este assunto em detrimento de outros muito mais sérios e comprometedores descritos nas Escrituras.

A falta de temor a Deus tem sido também uma das causas do surgimento destes profissionais. Pessoas que estudaram tanto e que se sentem tão capacitadas que desprezaram a humildade e a dependência de Deus. A falta de temor faz com que elas se achem no direito de falar qualquer coisa; veem com naturalidade pregar em cima de um esboço sem sequer perguntar a Deus se é isto mesmo que Ele deseja falar àquele público, naquele momento; acham desnecessário gastar horas em oração se preparando para pregar o seu sermão. O Apóstolo Paulo, um homem extremamente culto, quando escreve à Igreja de Corinto, afirma que pregava não baseado na sua intelectualidade, mas na experiência vivida diuturnamente na presença de Jesus (1ª Coríntios 2.4-5). Jonathan Edwards pregou um sermão que foi considerado o maior de todos os tempos, que tinha como tema: “Pecadores nas mãos de um Deus irado”. A história conta que Edwards leu todo o seu sermão escrito e que, no fim, mesmo sem ter feito apelo algum, as pessoas vinham aos prantos ao altar entregando suas vidas a Jesus. Se alguém pegar este mesmo sermão hoje e pregá-lo, será que terá o mesmo efeito? Certamente que não, pois na verdade não foi o conteúdo de seu sermão apenas, e sim a sua intimidade para com Deus adquirida através de horas de oração que produziu tamanho efeito.

É lamentável para cristãos fiéis chegarem à conclusão de que seus líderes se tornaram meros “profissionais do púlpito”. O que muitos cristãos gostariam de falar para estes homens e muitas vezes não têm oportunidade e nem coragem para fazê-lo? Acredita-se que seria mais ou menos o seguinte:

— Mesmo sabendo que são imperfeitos, gostaria de vê-los se esforçando mais para viver exatamente aquilo que pregam (1ª Coríntios 9.27).

— Façam tudo debaixo da direção de meu Deus e não para me agradar, pois fazendo assim estarão me conduzindo na direção certa e me ajudando a chegar aos céus (Jeremias 3.15).

— Me corrijam, me admoestem, me repreendam, mas sempre discretamente, dentro dos seus gabinetes e nunca indiretamente em público de cima do púlpito, a não ser que a mensagem de repreensão seja para todos de uma forma geral.

— Não subjuguem a minha inteligência e o meu discernimento, pois o Espírito que os ilumina é o mesmo que habita em mim e a Palavra que usam como referência, eu também a tenho em minhas mãos e a conheço (1ª Coríntios 12.9).

— Me tratem sempre simplesmente como ovelha, não como cliente, opositor, crítico, ou qualquer outra coisa que seja, ainda que pensem diferente, só Deus conhece o meu coração (2ª Timóteo 2.24-25).

— Nunca tentem me impressionar com gritos, gestos e outros recursos externos, pois a unção é invisível e perceptível para aqueles que estão em espírito (Atos 4.13).

— Priorizem sempre pessoas e não compromissos ou outros afazeres ligados ou não à religião. Saibam distinguir e dar prioridades às questões humanas e administrativas.
— Temam sempre a Deus, sejam autênticos e não se deixem vencer pela vaidade e a prepotência (Provérbios 9.10; 16.18).

— Gastem tempo na meditação da Palavra e na oração, pois, fazendo assim, sempre terão um alimento sólido a me oferecer e me ajudar na caminhada cristã (Ezequiel 34.1-5).

Portanto, o púlpito é o único lugar onde não há espaço para “profissionais”, ou seja, para encenações, hipocrisias ou qualquer outra metodologia humana utilizada com o único propósito de atrair ou agradar irresponsavelmente as pessoas; inflar o ego; passar uma imagem ilusória sobre si mesmo; ou até mesmo ganhar dinheiro. O Apóstolo Paulo orienta o seu filho na fé, o jovem Pastor Timóteo, dizendo o seguinte: “Pregue a palavra, inste a tempo e fora de tempo, redargua, repreenda, exorte, com toda a longanimidade e doutrina.” (2ª Timóteo 4.2). Acrescenta-se a esta afirmativa o seguinte: mesmo que não haja um belo púlpito e uma considerável plateia, o pregador deve agir e viver da mesma maneira sempre, sendo, independentemente de títulos, simplesmente um “homem de Deus".

Soli Deo Glória!

Juvenal Oliveira

 

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