domingo, 15 de maio de 2016

DEUS ESTÁ NO CONTROLE



Algumas histórias concernentes à raça humana sempre se repetem. Há muito tempo, por volta do ano 600 a.C., um homem chamado Habacuque encontra-se inconformado diante de uma decadência moral e espiritual em que seus contemporâneos viviam em um reino denominado Judá. Muitos conflitos internos e externos roubam o sono daquele homem de fé. Por que Deus não fazia algo para mudar aquela triste realidade? Por que os seus escarnecedores não eram devidamente punidos? Por que tanta imoralidade? Por que tanta corrupção na sociedade, abrangendo todas as áreas sociológicas? Habacuque rasga o seu coração diante de Deus:

“Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que razão me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida.” (Habacuque 1.2-4).

Muita coisa aconteceu neste mundo desde esta época vivida por Habacuque até os dias de hoje, em especial neste solo que chamamos de Brasil, entretanto, parece que vivemos as mesmas mazelas; os mesmos conflitos; as mesmas inquietações, diante de uma realidade cruel em que nos deparamos com tantas desvirtuações. Hoje existem centenas de pessoas que não se renderam a este sistema imoral, blasfemo, que, assim como Habacuque, grita em direção aos céus: Por Deus? Tanta frieza; tanto desdém com a vida humana; tanto egoísmo; tanta luxúria; tanto relativismo, onde nada, absolutamente nada, é absoluto, principalmente os valores.

A resposta ao clamor daquele homem de Deus vem contundentemente:

“Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” (Habacuque 2.20).

O aparente caos social não significa que Deus tenha perdido o controle sobre os acontecimentos, muito pelo contrário, significa que tudo está caminhando de acordo com o que Ele mesmo já preanunciara na sua Palavra:

“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores. Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mateus 24.6-13).

Diante da resposta de Deus, Habacuque teve duas reações. A primeira foi em se alegrar em saber que Deus não estava surdo, inerte, insensível a toda aquela realidade e mais, fazia questão de afirmar que Ele não havia perdido o controle da situação. A segunda foi angustiante, saber que o remédio seria amargo, que as consequências seriam desastrosas para aqueles incrédulos, desobedientes, apóstatas, pois pagariam um alto preço, com muita dor, sofrimento e, por conseguinte, a morte eterna, sendo chamada de inferno.

Habacuque termina o seu diálogo com Deus estupendamente, palavras que ecoam pelos séculos e que, para os fiéis contemporâneos, são um bálsamo diante de tristes realidades em que somos obrigados a testemunhar no dia a dia:

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.” (Habacuque 3.17-19).

Dessarte, meus amigos, é tempo de decidirmos. De que lado nós queremos estar? Do lado daqueles que se corromperam e não se arrependeram, recebendo como recompensa o castigo eterno. Ou do lado daqueles que permanecem fiéis aos ensinamentos e mandamentos de Deus. Estes, que, mesmo em meio ao martírio, ao sofrimento e à dor, sorrirão, como Habacuque, crendo que Deus está no controle de tudo, e terão uma justa recompensa por se submeterem inteiramente à sua vontade.

Soli Deo Glória!

Juvenal Oliveira

 

terça-feira, 10 de maio de 2016

A PÓS-MODERNIDADE E O SURGIMENTO DOS “PROFISSIONAIS DO PÚLPITO”




Diante de um público cada vez mais exigente neste período pós-moderno, os líderes das igrejas evangélicas no Brasil têm procurado inovar tanto na maneira como se portam quanto no teor das mensagens a serem transmitidas nos púlpitos de suas igrejas. Cabe primeiramente ressaltar que este tipo de exigência a qual se faz referência não tem relação com a luta por uma exposição fidedigna às escrituras, mas a uma mensagem que traga algum tipo de êxtase, que dê uma injeção de ânimo aos mais prostrados e desanimados, como uma autoajuda disfarçada. Querem ouvir somente coisas boas que não os confrontem, como aqueles textos das caixinhas de promessas que só possuem garantia de bênçãos e mais nada.

Como consequência desta exigência, surgem os chamados “profissionais do púlpito”, apóstolos, bispos, pastores, pregadores itinerantes e outros títulos mais, dados a homens que pregam de acordo com o gosto do freguês, como que para agradar a pessoas e não a Deus. Apesar de ter sido mencionada na introdução a questão da premissa por mensagens cada vez mais atrativas, existem outros motivos pelos quais tem levado muitos pregadores a se tornarem “profissionais”.

Um ministério bem-sucedido hoje é medido exclusivamente pelo número do seu rebanho. Esta realidade pode mexer muito com a autoestima de um líder ao ponto de fazê-lo mudar o seu modo de pregar para atrair mais pessoas para o seu aprisco. Hoje existem estilos para todos os gostos, animadores de plateia, figurinistas, comediantes, personagens dos mais variados, desde boiadeiro a pop star. Não há nada de errado em cada um ter o seu próprio estilo na maneira de transmitir a mensagem. Se for autêntico, fiel às escrituras e tiver como único propósito o de trazer edificação para todos que o ouvem.

O ministério da Palavra para um considerável grupo de líderes já deixou há muito tempo de ser ministério e se tornou um mero emprego como outro qualquer. Para estes, o que lhes importa é tão somente agradar àqueles que irão lhes oferecer o seu sustento; o que mais importa não é o estado da ovelha, e sim se ela está sendo fiel no seu dízimo e assim manter as contas da congregação em dia e garantir o seu emprego. Não se deseja, em hipótese alguma aqui, ir de encontro ao ensinamento bíblico sobre o dízimo e sim sobre a ênfase que muitos dão a este assunto em detrimento de outros muito mais sérios e comprometedores descritos nas Escrituras.

A falta de temor a Deus tem sido também uma das causas do surgimento destes profissionais. Pessoas que estudaram tanto e que se sentem tão capacitadas que desprezaram a humildade e a dependência de Deus. A falta de temor faz com que elas se achem no direito de falar qualquer coisa; veem com naturalidade pregar em cima de um esboço sem sequer perguntar a Deus se é isto mesmo que Ele deseja falar àquele público, naquele momento; acham desnecessário gastar horas em oração se preparando para pregar o seu sermão. O Apóstolo Paulo, um homem extremamente culto, quando escreve à Igreja de Corinto, afirma que pregava não baseado na sua intelectualidade, mas na experiência vivida diuturnamente na presença de Jesus (1ª Coríntios 2.4-5). Jonathan Edwards pregou um sermão que foi considerado o maior de todos os tempos, que tinha como tema: “Pecadores nas mãos de um Deus irado”. A história conta que Edwards leu todo o seu sermão escrito e que, no fim, mesmo sem ter feito apelo algum, as pessoas vinham aos prantos ao altar entregando suas vidas a Jesus. Se alguém pegar este mesmo sermão hoje e pregá-lo, será que terá o mesmo efeito? Certamente que não, pois na verdade não foi o conteúdo de seu sermão apenas, e sim a sua intimidade para com Deus adquirida através de horas de oração que produziu tamanho efeito.

É lamentável para cristãos fiéis chegarem à conclusão de que seus líderes se tornaram meros “profissionais do púlpito”. O que muitos cristãos gostariam de falar para estes homens e muitas vezes não têm oportunidade e nem coragem para fazê-lo? Acredita-se que seria mais ou menos o seguinte:

— Mesmo sabendo que são imperfeitos, gostaria de vê-los se esforçando mais para viver exatamente aquilo que pregam (1ª Coríntios 9.27).

— Façam tudo debaixo da direção de meu Deus e não para me agradar, pois fazendo assim estarão me conduzindo na direção certa e me ajudando a chegar aos céus (Jeremias 3.15).

— Me corrijam, me admoestem, me repreendam, mas sempre discretamente, dentro dos seus gabinetes e nunca indiretamente em público de cima do púlpito, a não ser que a mensagem de repreensão seja para todos de uma forma geral.

— Não subjuguem a minha inteligência e o meu discernimento, pois o Espírito que os ilumina é o mesmo que habita em mim e a Palavra que usam como referência, eu também a tenho em minhas mãos e a conheço (1ª Coríntios 12.9).

— Me tratem sempre simplesmente como ovelha, não como cliente, opositor, crítico, ou qualquer outra coisa que seja, ainda que pensem diferente, só Deus conhece o meu coração (2ª Timóteo 2.24-25).

— Nunca tentem me impressionar com gritos, gestos e outros recursos externos, pois a unção é invisível e perceptível para aqueles que estão em espírito (Atos 4.13).

— Priorizem sempre pessoas e não compromissos ou outros afazeres ligados ou não à religião. Saibam distinguir e dar prioridades às questões humanas e administrativas.
— Temam sempre a Deus, sejam autênticos e não se deixem vencer pela vaidade e a prepotência (Provérbios 9.10; 16.18).

— Gastem tempo na meditação da Palavra e na oração, pois, fazendo assim, sempre terão um alimento sólido a me oferecer e me ajudar na caminhada cristã (Ezequiel 34.1-5).

Portanto, o púlpito é o único lugar onde não há espaço para “profissionais”, ou seja, para encenações, hipocrisias ou qualquer outra metodologia humana utilizada com o único propósito de atrair ou agradar irresponsavelmente as pessoas; inflar o ego; passar uma imagem ilusória sobre si mesmo; ou até mesmo ganhar dinheiro. O Apóstolo Paulo orienta o seu filho na fé, o jovem Pastor Timóteo, dizendo o seguinte: “Pregue a palavra, inste a tempo e fora de tempo, redargua, repreenda, exorte, com toda a longanimidade e doutrina.” (2ª Timóteo 4.2). Acrescenta-se a esta afirmativa o seguinte: mesmo que não haja um belo púlpito e uma considerável plateia, o pregador deve agir e viver da mesma maneira sempre, sendo, independentemente de títulos, simplesmente um “homem de Deus".

Soli Deo Glória!

Juvenal Oliveira