Ufa! Parece que chegamos ao fim de mais um ano que, para muitos, não foi apenas mais um, mas “o ano”. Um período marcado por grandes adversidades, especialmente no campo político, com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff e o enfraquecimento de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT), envolvido em um dos maiores escândalos de corrupção da história do país.
As consequências também atingiram fortemente a economia, gerando diversas outras instabilidades, como o aumento do desemprego, o fechamento de pequenas e médias empresas, a recessão, atrasos no pagamento do funcionalismo público em alguns estados e municípios e o corte de verbas em áreas vitais como saúde e educação. Tudo isso contribuiu para um cenário de crise jamais visto por muitos brasileiros, superando, segundo alguns economistas renomados, até mesmo períodos históricos de grande estagnação econômica.
Foi também um ano em que, mais uma vez, um juiz federal ganhou destaque nacional por seu combate incansável contra um sistema de corrupção institucionalizado que, segundo Sérgio Moro, desviou trilhões de reais dos cofres públicos.
Foi ainda o ano em que a chamada “Casa do Povo”, a Câmara dos Deputados, alterou, durante a madrugada, o conteúdo das dez medidas anticorrupção apresentadas pelos procuradores do Ministério Público Federal — propostas que contavam com o apoio de mais de dois milhões de assinaturas da população. Em vez de manter a proposta original, foi apresentado outro projeto de lei, de caráter antagônico, que muitos interpretaram como uma tentativa de proteger parlamentares investigados pela Operação Lava Jato.
Nessas horas, somos naturalmente tentados a procurar culpados. A tendência é sempre apontar o erro do outro. No entanto, todos nós temos uma parcela de responsabilidade por serem os próprios cidadãos que elegem seus governantes.
Podemos considerar também que um dos fatores que contribuem para esse tipo de colapso social é o afastamento do ser humano de Deus e de seus ensinamentos. Quando o homem se distancia de princípios espirituais, torna-se mais suscetível a atitudes egoístas, insensíveis, imorais e corruptas.
Ao falar disso, não me refiro necessariamente à religião institucional, mas a um relacionamento sincero com Deus — aquele que consegue transformar o caráter humano. Foi Ele quem nos concedeu o discernimento para distinguir o certo do errado, independentemente das leis humanas ou das influências religiosas que possamos ter recebido.
Olhando por outro prisma, porém, nem tudo aquilo que parece ruim à primeira vista é necessariamente algo destrutivo. Muitas grandes civilizações passaram por momentos de caos antes de crescer, evoluir e amadurecer.
Um exemplo é o Japão, que após sofrer ataques nucleares devastadores conseguiu se reconstruir e se tornar uma das nações mais desenvolvidas do mundo moderno. Outro exemplo é Israel, que ao longo da história perdeu seu território, enfrentou perseguições, peregrinações e até mesmo o horror do Holocausto, mas conseguiu se reerguer, reconquistar seu direito como Estado e hoje é respeitado internacionalmente.
O brasileiro, por sua vez, é muito bem visto no mundo por sua alegria e carisma — características que realmente possuímos. No entanto, muitas vezes nos falta senso de responsabilidade, pensamento crítico e visão de longo prazo. Frequentemente, nos concentramos apenas em entretenimentos superficiais, como futebol, carnaval e telenovelas, enquanto deixamos de prestar atenção a acontecimentos importantes que podem impactar profundamente o nosso futuro.
Talvez precisássemos passar por um momento como este para despertarmos e começarmos a mudar nossa postura como sociedade. Precisamos compreender que Deus não aprova o chamado “jeitinho brasileiro”, essa tentativa constante de levar vantagem em tudo, algo que infelizmente se tornou parte de nossa cultura.
Precisamos nos voltar para Ele e permitir que cure esse mal que tanto nos aflige. É necessário ir além da religiosidade superficial, pois, para muitos, nem mesmo a religião foi suficiente para transformar verdadeiramente o caráter.
Mais uma vez podemos olhar para o exemplo da nação de Israel, que ao longo de sua história viveu períodos de prosperidade e também de profunda crise. Sempre que se afastavam de Deus, enfrentavam derrotas e dificuldades. Mas, em meio às adversidades, lembravam-se dEle, arrependiam-se e voltavam ao caminho correto e Deus, em sua misericórdia, restaurava novamente a sua sorte.
Se quisermos experimentar dias melhores nos próximos anos, precisamos aprender com essas lições da história.
Mas afinal, o que esperar do novo ano que se aproxima? Do ponto de vista humano, as perspectivas podem parecer pouco animadoras. Ainda assim, existe uma palavra de esperança para o seu coração. Há uma maneira de vencermos os obstáculos e superarmos toda visão pessimista sobre o futuro. Sabe qual é? Estar debaixo da nuvem. Deixe-me explicar. Em determinado período da história, a nação de Israel caminhava em direção à terra prometida por Deus, mas para isso precisou atravessar o deserto durante quarenta anos. Todos sabem como é um deserto: escassez, calor intenso durante o dia e frio extremo durante a noite.
Eles conseguiram sobreviver porque permaneciam sob a nuvem, símbolo da presença de Deus entre eles. Durante a noite, essa nuvem os protegia do frio intenso; durante o dia, servia como proteção contra o sol escaldante. Além disso, ela também lhes dava direção e garantia provisão para suas necessidades.
Estar debaixo da nuvem significava proteção, orientação e sustento. Sair debaixo dela significava enfrentar a morte no deserto. Permanecer sob essa presença era a garantia de vencer os desafios e alcançar o objetivo final: Canaã, a terra prometida.
Da mesma forma, se quisermos vencer os desafios que ainda virão, precisamos, assim como Israel, permanecer debaixo dessa nuvem. Assim seremos moldados em nosso caráter, protegidos em meio às dificuldades e conduzidos até o destino final.
Para os judeus, essa presença era conhecida como Yahweh. Para nós, cristãos, ela se revela em Jesus Cristo de Nazaré.
Um feliz 2017 para todos os nossos amigos!
Juvenal, Nilcéia, Débora e Esther.





