segunda-feira, 11 de março de 2019

DISCIPLINAR TAMBÉM É AMAR


O Brasil, nas últimas décadas, vem passando por inúmeras mudanças, principalmente na área comportamental e sociológica. Tudo fruto de maçantes investidas por parte de grupos que chegaram ao poder no final do século passado. Com o objetivo espúrio de se manterem nele a qualquer preço, para isto, utilizaram como estratégia a adoção de suas ideologias de forma tão sutil que muitos só foram cair em si após vários anos e outros ainda se encontram hipnotizados por estas ideias maquiavélicas.

 Começaram a disseminar a ideia de que disciplina é sinônimo de cerceamento de liberdade e outras definições ainda piores. Na concepção deles, disciplina é coisa de milico e, utilizando como pano de fundo o período do governo militar, tentavam associá-la ao excesso do uso da força e à intolerância, em todos os aspectos. Até mesmo as famílias foram alvo destas investidas, onde pais foram questionados por recorrerem a métodos utilizados por várias gerações passadas na educação de seus filhos. Diga-se de passagem, métodos estes que, de uma maneira geral, se demonstraram bastante eficientes, até então.

 A igreja, como está inclusa neste contexto social, também começou a sofrer estas influências. Chegou-se ao ponto de haver questionamentos quanto à necessidade de se disciplinar alguém. Seja afastando-o de todas as suas funções por um determinado período de tempo ou ainda, chegar ao extremo de ter que desligá-lo do rol de membros pela gravidade da situação gerada ou por ter optado voluntariamente em permanecer na prática do pecado. Tudo isto, após ter sido orientado e admoestado pela liderança, traz como consequência escândalo para o Corpo de Cristo (Mt 18.7; ICo 10.32;  IICo 6.3; Lc 17.1). Isto sem mencionar as questões jurídicas, onde a igreja, ao invés de se preocupar tão somente em temer a Deus e a obedecer a sua Palavra, agora está também preocupada com as possíveis ações impetradas por ímpios transvestidos de crentes junto ao poder judiciário. O mais importante é sabermos o que a Bíblia nos orienta em relação a este assunto. Olhem o que está escrito na carta aos Hebreus:

 “E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, e não desmaies quando por ele fores repreendido; Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos.” (Hb 12.5-8).

 Deus nos ama tanto ao ponto de entregar o seu próprio filho para morrer por nós, não obstante, ele afirma que jamais deixará de aplicar sobre os seus, a disciplina, se preciso for (Jó 5.17; Pv 27.5; Ec 7.5; Pv 3.11, 12.1, 15.10, 29.15). O que diriam do apóstolo Paulo hoje, os liberais, numa assembleia ordinária, se ouvissem novamente o que disse sobre um suposto crente que vivia mundanamente entre os irmãos na igreja de Corinto, cometendo pecados piores do que os dos ímpios? No mínimo, seria tratado como atitude radical e desprovida de amor.

 “Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação. Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, seja, este tal, entregue a satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade. Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai pois dentre vós a esse iníquo.” (I Co 5.1-13).

 A igreja deve sim utilizar a disciplina, afastando da linha de frente quem esteja comprovadamente enfermo na alma até que esta pessoa esteja sarada, isto é verdadeira demonstração de amor e zelo pela Noiva de Cristo. E, mais, após terem se esgotado todos os recursos para resgatar uma pessoa que esteja distante do Senhor, a igreja não deve ficar preocupada ou com a consciência pesada em aplicar a disciplina rígida. Neste caso, seria o seu desligamento do rol de membros, pois talvez esta seja a única forma de esta pessoa cair em si e entender que precisa se arrepender, mudar de vida, para ser religada à comunhão formal com a igreja local. Pois, muitas vezes, o fato de estarem com os seus nomes na lista de membros produz uma falsa sensação de segurança, como se isto fosse o bastante para se entrar no reino do céu. Todos nós sabemos que este não é um requisito para se obter a salvação.

 Portanto, a igreja não pode e não deve ser influenciada por qualquer que seja o ensino, modismo ou ideologia moderna que venha a se contrapor à Palavra de Deus. A disciplina faz parte do tratamento de Deus para com o homem e aplicá-la, quando for necessário, não significa que Ele ou nós, no caso da igreja, não amamos esta pessoa, pelo contrário, significa que temos desvelo e que queremos vê-la nos céus conosco.

 Juvenal Oliveira

Soli Deo Glória!

 

sexta-feira, 1 de março de 2019

SER RADICAL É COISA DE CRISTÃO?



Em um tempo de tremendo relativismo e generalizações, quando alguém ouve falar sobre uma pessoa com atitudes radicais, logo é discriminada e tida como um perigo para a sociedade.  Hoje, normalmente, ela é associada a algum grupo extremista, seja ele de ordem religiosa, política ou ideológica, sempre com uma conotação negativa e danosa. Tem muita gente surfando nesta onda, talvez pela grande influência que a mídia global exerce sobre todos. Será mesmo tal classificação um adjetivo pejorativo? Quais as definições que os dicionários dão ao sentido real da palavra “radical”? Precisamos rever os conceitos quanto ao uso indevido de determinadas palavras, principalmente pela complexidade que é a nossa língua portuguesa.

 As principais definições para a palavra radical segundo alguns dicionários são: Relativo ou pertencente à raiz; que parte ou provém da raiz; relativo à base, ao fundamento, à origem de qualquer coisa; básico; fundamental. Baseados nestas definições, podemos afirmar que, dependendo de que origem estejamos a nos referir, ser um radical pode indicar uma grande qualidade de um indivíduo.

 Em relação à fé cristã, quando utilizamos esta palavra no sentido mais profundo, estamos afirmando que esta pessoa continua fiel aos princípios ensinados por Cristo; que ela não abre mão destas verdades; que está disposta a lutar por esta causa até o fim; que não permitirá que nada mude estes fundamentos; que não cederá, em hipótese alguma, a tentativas de mudar a sua essência; por fim, que não aceitará intermediários, pois seu desejo é e sempre será permanecer ligado diretamente à raiz, que, neste caso, é e sempre será, Jesus Cristo.

 Infelizmente, muitos cristãos se influenciaram e se contaminaram por ensinos pagãos. Quando olhamos a maneira de pregar e de viver desta grande massa, parece que existem dezenas de “cristos”, tamanha a disparidade. Muitos cristãos, se é que podemos chamá-los assim, não estão mais ligados à raiz. Estão ligados a uma religião ou líder religioso; a um dogma; a conceitos meramente filosóficos; a ensinos de demônios (I Co 10.20-21).

 O apóstolo Paulo exerceu enorme influência entre os cristãos e ainda exerce pelo seu expressivo teor doutrinário, contido no Novo Testamento, não obstante, jamais tentou usurpar a posição que é tão somente de Cristo. Ele, escrevendo aos coríntios, os adverte, pois em dado momento estavam divididos entre a sua liderança e a de Apolo, se esquecendo de que eles eram apenas instrumentos nas mãos daquele que é o cabeça. Afirmou o seguinte para eles: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” (I Co 3.11).

 Desse modo, podemos afirmar que o desejo de Cristo é que sejamos radicais em nossa fé e não abramos mão de tudo aquilo que Ele mesmo nos ensinou. Ou somos pequenos cristos neste mundo pagão ou então seremos meros farsantes, adulterados por outros ensinos que não possuem a Cristo como raiz. Que sejamos cristãos radicais sempre e não nos preocupemos com o que o “mundo” vai achar de nós. 

 Juvenal Oliveira

Solus Christus!

 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

EVANGÉLICOS NÃO PRATICANTES?!!



O Brasil possui a maior população católica do mundo, segundo pesquisa realizada em 2010 pelo Pew Research Center, um centro de pesquisa com sede em Washington. Acredita-se que esta realidade foi fruto do trabalho intenso realizado por missionários portugueses desde a chegada deles aqui por volta do ano de 1500. Não querendo desmerecer, em hipótese alguma, a influência exercida pelos católicos no Brasil, mas um dado importante deve ser considerado ao se realizar um censo como este. Existe um grande percentual de pessoas que afirmam pertencer à igreja católica, talvez por vergonha de assumirem que não seguem a nenhuma religião, não obstante, comparecem esporadicamente aos templos e pouco sabem sobre a sua religião e doutrina. Estes se autodenominam “católicos não praticantes”. Este termo, até bem pouco tempo atrás, era exclusividade deles. Todo aquele que afirmava ser um cristão protestante, já estava implícito que era praticante.

Nas últimas décadas, houve um crescimento exorbitante das igrejas protestantes no país, surgindo também uma nova forma de denominá-las. Hoje, apesar das incontáveis ramificações, nomes e doutrinas, normalmente elas são intituladas como “evangélicas”. Só fazendo um parêntese, muitas delas não poderiam ser consideradas como tal pelas divergências teológicas proeminentes que apresentam. Toda esta expressão numérica mexeu com a cultura e até mesmo com o linguajar dos brasileiros, que, até então, eram influenciados somente pelos católicos. Em meio a esta explosão numérica, surge também uma nova categoria de “cristãos”, os evangélicos não praticantes. É isto mesmo, parece mentira, mas é verdade! Pessoas que, ao serem questionadas sobre qual seria a sua religião, respondem ser “evangélicas”, mesmo sem estarem comprometidas com qualquer que seja a denominação religiosa. Daí advém a seguinte pergunta: É possível alguém ser um evangélico não praticante?

 A intenção aqui não é entrar no mérito da soteriologia, a doutrina da salvação, pois isto é muito peculiar. Um exemplo disto é a experiência de um dos ladrões crucificados com Jesus que recebera a redenção nos seus últimos instantes de vida (Lc 23.43). Mas, é, no mínimo, intrigante ver uma pessoa afirmar ser uma seguidora de Cristo, entretanto, sem ter compromisso algum com Ele e com a sua noiva, a igreja. Se esta falta de prática se resumisse apenas à frequência nos cultos, algo que também por si só já é bem questionável, mas normalmente vai além desta inconstância (Hb 10.25). Um não praticante tende a voltar às velhas práticas mundanas e abomináveis aos olhos de Deus (1Jo 2.15-17). Seu comportamento tende a ficar cada vez mais parecido com o daqueles que não o temem e já não se nota diferença alguma entre ambos. Pior ainda do que isto, é a perda gradativa da comunhão com o Senhor, pois esta pessoa já não ora e nem lê a Bíblia mais com frequência como dantes. O resultado é o esfriamento, mesmo estando consciente de todas as implicações que envolvem a vida daqueles que se distanciam do Eterno.

 Por conseguinte, chega-se à conclusão de que as pessoas que se enquadram neste grupo estão andando na corda bamba e correm sério risco de serem recebidas pelo Noivo no dia do Juízo com a seguinte saudação: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mt 7.23).

 

Juvenal Oliveira

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

QUE LIDERANÇA INSPIRADORA!




Numa sociedade extremamente competitiva e em busca a todo instante por superações, se torna cada vez mais imprescindível o surgimento da figura de um autêntico líder para coordenar os diversos grupos representativos. Alguns iluminados já nascem com esta predisposição para exercer a liderança, outros precisam se debruçar em cima de muitos manuais para conseguirem aprender esta tão nobre missão e nem sempre conseguem. Aí, alguém argumentará: ­Mas aquele que está à frente de uma determinada equipe mesmo sem ter conseguido desenvolver esta capacidade? Este será apenas um “chefe”, no sentido de ter sido investido de autoridade para ocupar um cargo ou função. Como diferenciar, então, o chefe do líder?

 Jesus, o maior líder de toda a história, questionou inúmeras vezes um grupo de religiosos judeus que exerciam cargos de destaque na sociedade de sua época. Ele chegou a ser mais inclemente com estes do que com os cobradores de impostos e as prostitutas, duas classes bastante discriminadas. A Bíblia diz que as multidões ficavam maravilhadas com Jesus porque ele as ensinava como quem possui autoridade, diferente dos escribas e fariseus, que apesar de todo o conhecimento que possuíam e da função que exerciam, já não conseguiam despertar interesse das pessoas em segui-los. Chegamos à conclusão de que todo líder é um chefe, mas, infelizmente, nem todo chefe será um líder (Mt 7.29).

 O que uma pessoa que foi imbuída de algum cargo de chefia deve observar para se tornar um líder? Deve, assim como o Mestre, possuir autoridade, que será demonstrada através da observância de alguns princípios. Primeiro, tem autoridade quem domina o conhecimento na sua área de atuação. O líder sempre estará um passo à frente na sapiência. Ele demonstra firmeza nos assuntos análogos. Jesus, aos doze anos de idade, já estava entre os doutores da lei, fazendo perguntas e respondendo a outras (Lc 2.42). Quando ele começou o seu ministério, por volta dos trinta anos, já dominava o conhecimento sobre as Escrituras (Mt 4.1-11). O líder responde à pergunta de imediato, enquanto o chefe sempre precisará consultar alguém ou algum manual.

 Segundo, tem autoridade quem dá o exemplo na prática e não fica apenas em meras palavras (Mt 5.20). Algum autor desconhecido disse a ilustríssima frase: “A palavra convence, o exemplo arrasta.”  Muitas pessoas jamais serão líderes porque nunca estarão dispostas a fazer tudo aquilo que ensinam, mandam ou falam. Uma frase que jamais pode ser realidade na vida daquele que almeja a liderança é a seguinte: “Faça o que eu digo e não aquilo que eu faço.” Jesus não disse apenas que nos amava, mas demonstrou isto ao se entregar voluntariamente para morrer na cruz no meu e no seu lugar (Rm 5.8). Quer ser um líder, faça primeiro e depois então exija dos outros!

 Terceiro, tem autoridade quem sabe aonde quer chegar. Jesus nunca demonstrou dúvida quanto aos seus objetivos. Ele tinha tudo calculado e sob controle (Jo 14.2). Demonstra isto nitidamente quando está dormindo em meio a uma terrível tempestade que assolava o seu barco. Os seus discípulos estão desesperados e o acordam achando que também ficaria atemorizado, mas ele os surpreende ao mandar que o mar e o vento se aquietassem (Mc 4.35). Ele sabia aonde chegaria e que nenhuma tempestade conseguiria impedi-lo. Quer liderar? Aponte o caminho e siga em frente, sem pestanejar, não deixando dúvida de onde você almeja chegar. Quem vai se arriscar a seguir alguma pessoa indecisa?

 Quarto, tem autoridade quem tem sensibilidade (Lc 7.37). Apesar de toda a sua fama e das multidões que o cercavam constantemente, Jesus tinha tempo para atender com exclusividade. Fora sensível ao toque de uma pobre mulher que há doze anos padecia de uma enfermidade incurável (Mt 9.20). O chefe lida com as pessoas como se fossem simples objetos fáceis de serem substituídos a qualquer momento, enquanto o líder estará sempre preocupado com o ser humano e o considera superior àquilo que poderá fazer ou a oferecer.

 Quinto, tem autoridade quem está disposto a empenhar toda a sua energia em prol do seu objetivo (Lc 22.44). No Getsêmani, enquanto os seus discípulos estavam dormindo, Jesus estava orando insistentemente ao ponto de seu suor se transformar em gotas de sangue. Enquanto o chefe se poupa ao máximo, o líder se doa ao extremo e este ato encoraja os outros a também fazerem o mesmo. E o resultado é fantástico!

 Destarte, o exemplo de vida do Senhor Jesus Cristo tem sido motivo de inspiração para milhares e milhares de pessoas ao longo da história. Vidas que foram instrumento de Deus para conduzir outras ao caminho da verdade. Não se contente em ser apenas um chefe. Dê um passo adiante e seja um líder para esta geração tão perdida! 

  Juvenal Oliveira