Não
é por acaso que, ao completarmos vinte e oito anos de casamento, celebramos as bodas
de hematita — uma pedra rara, também conhecida como diamante negro.
Suas características singulares dialogam com a história de um casal que caminha
junto há quase três décadas. Antes de avançar, aproveito este momento para
refletir sobre essas propriedades e aplicá-las ao nosso matrimônio, fazendo,
para isso, algumas considerações iniciais.
O
sentimento que transborda em meu coração, num instante tão singular, é a
gratidão. Gratidão a Ti, Senhor, que selaste a nossa união e nos sustentaste
dia após dia ao longo de todos esses anos. Gratidão a Ti, Pai, pelos inúmeros
frutos gerados desse enlace, em especial aqueles concebidos no ventre de minha
esposa — Débora e Esther — verdadeiras pérolas confiadas por Ti às nossas mãos
para serem lapidadas com amor, cuidado e temor. E como não lembrar de tantos
outros frutos nascidos de relacionamentos construídos, fortalecidos e
alicerçados por meio de nossas vidas?
O
enlace matrimonial é, sem dúvida, uma bênção. Isso, porém, não o torna imune às
lutas, aos desafios e até mesmo às crises. O sábio Salomão, inspirado por Deus,
discorre sobre o valor da cooperação e da comunhão entre os homens. Ainda que
suas palavras não sejam direcionadas especificamente ao casamento, seus
princípios encontram nele pleno abrigo. Por isso, faço questão de transcrever o
texto na íntegra:
“Melhor é serem dois do que um, porque têm
melhor paga do seu trabalho. Porque, se caírem, um levanta o companheiro; ai,
porém, do que estiver só, pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se
dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará? Se
alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três
dobras não se rebenta com facilidade.”
(Eclesiastes 4.9–12)
Retomando
as características da hematita e sua aplicação no cotidiano do convívio a dois,
talvez não possamos afirmar que as vivenciamos em sua totalidade. Ainda assim,
é sempre oportuno refletir sobre elas e buscar, a partir de agora, aplicá-las
com maior intencionalidade onde for necessário.
A
hematita é um mineral forte e resistente — assim como a nossa união, que
atravessou adversidades e permaneceu firme, sustentada pela graça de Deus. Sua
durabilidade e solidez também nos refletem. Chegar até aqui, mesmo conscientes
da longa jornada que ainda pode nos aguardar, conforme o tempo que nos for
concedido, permite-nos testemunhar o quanto o Senhor tem consolidado o nosso
matrimônio. Foram muitas as batalhas vencidas; cada uma delas nos fortaleceu
ainda mais. E, pela fé, seguimos crendo na vitória sobre aquelas que, certamente,
ainda surgirão.
Superar
o desgaste — absolutamente natural nos relacionamentos humanos, e no casamento
não é diferente — é um desafio comum a todos, sem exceção. Nosso propósito
diário tem sido preservar o brilho no olhar que existia quando éramos apenas
“candidatos ao namoro”, sabendo que hoje esse brilho é mais verdadeiro, despido
pelas rotinas do convívio diário, onde não há espaço para máscaras. Nosso alvo
vai além das quatro paredes do lar: desejamos que esse brilho testemunhe à
sociedade o quanto Deus se importa com a saúde do matrimônio.
As
bodas de Hematita celebram nossos 28 anos de casamento, marcados por um amor
maduro, forte e duradouro — fruto de um cuidado mútuo exercido dia após dia. O
brilho, a beleza e a resistência desse diamante só se revelam sob intensa
pressão. Assim também Deus tem nos ensinado, juntos, a atravessar os
“processos”, compreendendo que aquilo que Ele realiza em nós gera beleza e faz
irradiar Sua luz por onde quer que passemos.
"Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois em uma carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” (Mt 19:4-6)

