terça-feira, 30 de dezembro de 2025

MENSAGEM DE FIM DE ANO 2025–2026

 

        





Há anos mantenho o hábito de escrever algumas palavras por ocasião da virada do ano, não apenas como exercício de reflexão, mas como um chamado à consciência e ao exame espiritual. Mais do que reavaliar caminhos pessoais, somos convidados a discernir os tempos em que vivemos, pois a história não caminha ao acaso: ela está sob a soberania de Deus. Cada indivíduo vive experiências distintas, moldadas por circunstâncias próprias, mas há momentos em que o Senhor permite crises coletivas para confrontar uma nação inteira.

Existem diferentes formas de enxergar a realidade: com otimismo ingênuo, com pessimismo paralisante ou com realismo espiritual — aquele que reconhece os fatos à luz da verdade de Deus. À medida que as máscaras caem, torna-se cada vez mais evidente a grave condição moral, econômica e espiritual do nosso país. O descontrole dos gastos públicos, a opressão tributária e a corrosão do poder de compra são sintomas visíveis de um problema mais profundo: o afastamento dos princípios eternos que sustentam uma sociedade justa.

A Escritura é clara ao afirmar que “a justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos” (Provérbios 14:34). Quando a dependência do Estado substitui a responsabilidade individual, quando o trabalho perde valor e a esperança se desloca dos céus para estruturas humanas, colhemos frutos amargos. Programas de auxílio são necessários em situações emergenciais, mas não podem ocupar o lugar da dignidade, do esforço e da responsabilidade que Deus estabeleceu para o homem. Uma nação que se sustenta artificialmente caminha para o colapso, e isso não ocorre por acaso, mas como consequência espiritual.

Ainda mais alarmante é a deterioração do senso de justiça. Quando aqueles que deveriam guardar a lei a distorcem, a base da sociedade é abalada. A Bíblia nos adverte: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal” (Isaías 5:20). A insegurança jurídica que vivemos revela um tempo de inversão de valores, no qual o justo é perseguido e o ímpio é protegido. Onde a verdade é relativizada, a democracia não se sustenta. Quando o temor de Deus é removido dos tribunais, resta apenas a arbitrariedade dos homens.

A classe política, em grande parte, reflete essa mesma decadência moral. Escândalos sucessivos de corrupção não são exceções, mas sintomas de um sistema adoecido. O profeta Miqueias descreveu bem o nosso tempo: “Os seus chefes julgam por suborno, os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro” (Miqueias 3:11). O poder, quando desvinculado do temor do Senhor, torna-se instrumento de opressão.

Contudo, o juízo não começa apenas nos palácios ou tribunais, mas na própria sociedade. O povo, que segundo a Constituição deveria ser o verdadeiro detentor do poder, também se corrompeu. Preferiu as mentiras convenientes à verdade libertadora. Aceitou pequenas vantagens em troca da consciência. A Palavra de Deus declara que o coração humano é enganoso, e quando uma nação rejeita a verdade, Deus permite que ela colha os frutos de sua própria escolha.

Diante de um cenário tão sombrio, surge a pergunta inevitável: existe esperança? A resposta bíblica é clara: a esperança não vem dos homens, nem de soluções horizontais, mas do Senhor. Ao longo da história, Deus jamais restaurou uma nação por meio de acordos políticos, mas por meio de arrependimento genuíno.

No século VIII a.C., Deus levantou o profeta Jonas para anunciar juízo à cidade de Nínive. A maldade daquele povo era tamanha que havia chegado diante do trono do Altíssimo. Jonas resistiu ao chamado, pois os assírios eram inimigos cruéis de Israel, conhecidos por sua violência e brutalidade. Ainda assim, a ordem divina foi inequívoca: “Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída” (Jonas 3:4).

A mensagem não foi suavizada, nem adaptada para agradar ouvintes. Foi proclamada com fidelidade. O resultado foi um dos maiores avivamentos registrados nas Escrituras: do rei ao mais humilde cidadão, todos se humilharam, jejuaram, se arrependeram e clamaram a Deus. E a Bíblia afirma que o Senhor mudou o destino daquela cidade.

Minha oração é para que Deus levante, em cada cidade deste país, homens e mulheres com o espírito de Jonas — não para anunciar palavras agradáveis, mas para proclamar a verdade com amor e temor. Que o Senhor conceda arrependimento coletivo, quebrante os corações endurecidos e restaure os fundamentos espirituais da nossa nação. Que o ano que se inicia não seja apenas uma mudança no calendário, mas um marco de retorno a Deus, pois somente Ele é capaz de transformar destinos, curar a terra e renovar a esperança.

Um feliz 2026 para todos os nossos amigos!

Juvenal Oliveira


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

NATAL, O PRESENTE IMERECIDO DE DEUS

 



Dificilmente nos deparamos com uma pessoa insatisfeita ao receber um presente, não é mesmo? Ainda que o presente em si não seja exatamente aquilo que ela almejava, há alegria pelo gesto de amor e carinho demonstrado por quem o oferece.

O plano original de Deus para o ser humano era a vida eterna. Contudo, Ele não quis criar meros robôs, que agissem impositivamente, demonstrando uma obediência cega. O espetáculo da criação — com tudo o que os nossos olhos podem contemplar, conforme descrito no livro de Gênesis — estava incompleto até o quinto dia. O Eterno reservou para o final a sua obra-prima e, no sexto dia, criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1.25-27).

Adão e Eva, o primeiro casal, não souberam usufruir da liberdade que lhes foi concedida e escolheram o caminho da desobediência. Tal atitude trouxe a morte e condenou toda a humanidade, sem qualquer possibilidade de escape (Rm 5.12).

Yahweh jamais poderia ser surpreendido por algo que Ele mesmo havia criado. Assim, traçou um plano redentor para reconduzir a obra criada de volta a Si. Foram longos anos de espera. Os profetas anunciaram essa promessa, mas ela parecia inalcançável, uma vez que a morte continuava assolando a humanidade de forma implacável. Muitos partiram sem contemplar o cumprimento da promessa de um Salvador, mas foram alcançados, pois não duvidaram e perseveraram até o fim, conforme as Escrituras (Hb 11.2).

Retomando a reflexão inicial sobre como é bom receber presentes, podemos afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que Deus é o nosso maior presenteador. Tudo começa com o dom da vida, fruto de um processo extraordinário: milhares de espermatozoides são lançados, apenas centenas se aproximam do óvulo e, normalmente, apenas um o fecunda. Foi assim que eu e você chegamos a este mundo. Isso não é fantástico? Apesar de todos os dissabores que a vida nos impõe — causados, em grande parte, pelos efeitos do pecado — ainda assim, podemos afirmar que viver é algo maravilhoso. No entanto, de que adiantaria experimentar tantos momentos inesquecíveis se todos fossem apenas passageiros?

O Criador cumpriu a sua palavra ao enviar o maior de todos os presentes: o seu Filho unigênito. Jesus veio ao mundo para resgatar a humanidade perdida (Jo 3.16). Deus não poderia violar o seu senso de justiça nem ignorar as consequências do pecado, sendo a maior delas a morte eterna. Como é impossível ao ser humano viver imune ao pecado, alguém precisaria representar toda a humanidade. Assim, Jesus se fez homem e, sem jamais pecar, entregou-se na cruz por todos nós (Rm 5.18-20). Nenhum ser humano, descendente de Adão e, portanto, pecador, seria digno de tamanha graça divina.

Infelizmente, muitos ainda rejeitam esse maravilhoso presente, seja por não compreenderem o verdadeiro significado do Natal, seja por endurecerem o coração. Jesus nasceu trazendo consigo a esperança de vencermos o nosso inimigo mais temível e cruel: a morte. Por isso, podemos celebrar: “Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15.50-58).

Obrigado, Jesus, pelo incomparável presente da salvação.

Um feliz Natal a todos os nossos amigos!

Juvenal Oliveira