Por outro lado, a nossa fama também tem o seu lado
negativo. Tivemos recentemente um dos maiores escândalos de corrupção da
história mundial; temos a quarta maior população carcerária do mundo; lideramos
o ranking de homicídios e latrocínios; somos um dos maiores consumidores de
drogas; temos uma das maiores despesas com políticos do mundo; somos um dos
povos que mais desrespeita e tenta burlar as suas leis; somos um país onde se
tem um dos maiores números de feriados, talvez insinuando a realidade de um
povo que não gosta muito de trabalho. Temos uma enorme desigualdade social e
uma péssima distribuição de renda, apesar de toda a propaganda e discursos dos últimos
governos afirmando o contrário. Prova disto são os milhares de comunidades
carentes espalhadas por todo o território sem a menor infraestrutura urbana,
vivendo abaixo da linha da pobreza.
Com todos os defeitos, mazelas e desafios, ainda
amo este solo, pois foi Deus que nos deu. Mas, se dissesse que estou
satisfeito, estaria mentindo. Gostaria de ver um país diferente ou, pelo menos,
trabalhar muito para as gerações futuras usufruírem dias mais promissores. O
Brasil que gostaria de ver seria mais ou menos assim:
Começando pelas diversas autoridades constituídas
dentre tantos cargos do alto escalão existentes nos três poderes da República,
que elas fossem mais competentes, honestas, altruístas e patriotas, que
colocassem em primeiro lugar o povo e não os seus interesses particulares
meramente egoístas e medíocres.
Que tivéssemos uma carga tributária mais suave e
justa. Temos hoje uma das maiores do mundo. Se outros países conseguem, até
mesmo os mais pobres, por que nós não poderíamos? Alguma coisa está errada,
vocês não acham? E o pior, se tivesse o retorno adequado com serviços públicos
de alta qualidade, ainda se poderia até justificar, mas isto não acontece.
Outro problema gerado com todos estes impostos é a sonegação por parte de
muitas empresas e a falência de outras, aumentando os índices de desemprego.
Que os grandes empresários e comerciantes sejam
menos ambiciosos. Eles se acostumaram a obter uma margem excessiva de lucro em
cima dos produtos comercializados, chegando ao extremo de ganharem 100% na
venda de cada item. Um verdadeiro absurdo!!!
Que todos os brasileiros tenham acesso a um
tratamento de saúde digno, como uma das necessidades básicas de todo ser
humano. O Sistema Único de Saúde (SUS) é precário e ineficiente e empurra parte
da população para os planos de saúde privados, os quais são muito caros e
deixam muito a desejar na qualidade dos serviços prestados. Prova disto é a
enorme quantidade de ações na justiça movidas por cidadãos insatisfeitos. Não
tenho nada contra os planos privados, desde que eles ofereçam um serviço de
qualidade a preços justos e que estejam ao alcance de todas as classes sociais
e não apenas sendo privilégio para uma minoria. Se o governo quer apoiar este
grupo empresarial, então que fiscalize e exija qualidade nos serviços
prestados, e, ainda, estabeleça um salário mínimo que dê condições a todos os
cidadãos de pagarem por estes planos. Ou então, que disponibilizem acesso
gratuito para toda a população a hospitais, clínicas, consultas e centros de
tratamento de qualidade.
Que o governo invista mais de nosso PIB em
educação. Se analisarmos este investimento de forma geral, o Brasil aparece bem
no ranking mundial, mas, se comparado este mesmo investimento por aluno, ele
cai para 35º, de acordo com estudo divulgado pela Organização de Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OECD). Mas, não adianta apenas injetar dinheiro, ele
precisa ser bem empregado com uma boa gestão por profissionais competentes sem
ideologias partidárias. A começar pelos salários dos professores, que são
depreciativos. Esta classe precisa ser valorizada e estimulada. O governo deve
estabelecer tetos salariais mínimos em todo o território nacional e investir em
cursos e intercâmbios a fim de melhorar a qualificação destes educadores. Eles
devem passar por avaliações periódicas a fim de verificar os seus desempenhos.
Devem ser proibidos de ensinar ideologias, sejam elas quais forem, partidárias,
religiosas, sociológicas, etc. Eles não estão em sala de aula para emitirem
pensamentos pessoais e sim para transmitir o conhecimento de forma abrangente e
imparcial.
Precisamos de uma revolução no sistema de ensino;
não adianta aprovar um aluno sem que o mesmo alcance os índices mínimos de
aprendizado para aquela série, pois, se o fizerem, prejudicarão todo um grupo
no ano seguinte, obrigando o professor a diminuir o ritmo de ensino e obrigá-lo
a ter que nivelar a turma por baixo.
A realidade das famílias neste período pós-moderno
é a de pai e mãe trabalhando fora para terem condições de suprir as
necessidades do lar. Esta realidade traz à tona um terrível problema. Os filhos
ficam na maior parte do tempo com avós, parentes, babás ou em creches. O
resultado disto, na prática, tem sido horrível. Filhos educados ineficazmente
serão péssimos cidadãos em todos os sentidos. O que pode ser feito? O governo
poderia programar um sistema de estudo integral, onde os alunos passariam o dia
todo nas escolas tendo variadas atividades, todas voltadas para a educação.
Outra medida seria a redução da carga horária de trabalho para famílias com
filhos de até sete anos de idade, onde ambos trabalham fora; esta fase é
considerada pelos psicólogos como fundamental para a formação do caráter dos
seres humanos. Incentivos e punições severas para os pais que deixarem de levar
os seus filhos para a escola durante a fase da menoridade. Em relação às
instituições de ensino particular, as mesmas citadas acima sobre a saúde. Ou o
governo estabelece escolas públicas no mesmo padrão de eficiência das privadas
ou concede condições salariais para que todos tenham condições de custear
estas. Não tem como fugir desta realidade, o trajeto que o país precisa
percorrer até alcançar o progresso desejável terá obrigatoriamente que passar
pelo investimento pesado no sistema de educação. Isto para obtermos resultados
a médio e longo prazo, para as próximas gerações, pois esta já está
contaminada.
Gostaria de ver uma reforma profunda no sistema
prisional a fim de poder cumprir o seu papel na ressocialização desta enorme
população carcerária. Presos recebendo instrução, ocupando o seu tempo
produzindo algo que possa ajudar a manter as suas despesas e ao mesmo tempo
aprendendo uma profissão que lhes possa servir para quando estiverem em
liberdade. Acabar com as reduções de pena em casos de crimes hediondos, reincidentes,
etc. Alterar as leis em relação à maioridade penal e, ao mesmo tempo,
responsabilizar de alguma forma os pais por crimes cometidos por menores de
quatorze anos; existe uma multidão de crianças largadas pelas ruas sem qualquer
acompanhamento de um adulto, sendo aliciadas cada vez mais cedo pelo tráfico de
drogas e pelos cafetões. Uma verdadeira reforma no Código Penal, com leis mais
duras e menos brechas para coibir as ações dos escritórios de advocacia que
enriquecem exercendo a função de verdadeiros “advogados do Diabo”.
Gostaria de ver um país mais igualitário onde todos
tenham as mesmas oportunidades, independentemente de cor, opção sexual, credo
religioso ou condição socioeconômica. As cotas estipuladas pelo governo só
trazem mais segregação, ao insinuarem que as pessoas afrodescendentes são menos
capazes que as demais. O brasileiro é um povo de etnia diversificada e não tem
como fazermos distinção alguma entre as famílias. Existem filhos brancos com
pais negros e vice-versa. Esta política só aumenta o racismo, o preconceito e a
intolerância.
Gostaria de ver um país com uma imprensa livre e
imparcial. Hoje, a grande mídia brasileira não é confiável. Ela é tendenciosa,
má e astuta. Incentiva a violência, o uso de drogas, a promiscuidade e a
segregação com seus programas de entretenimento. Ela vive tentando colocar a
população contra os policiais. Parece que a sua ideologia é o quanto pior,
melhor, como urubus em busca de carniça. Ela só não consegue realizar um
estrago ainda maior em nosso país por causa das redes sociais que nos mostram
outras realidades e ampliam a nossa visão.
Gostaria de ver um país onde políticos e
empresários pudessem dar as mãos e se preocupassem mais em gerar novos
empregos; em atrair o capital estrangeiro; em melhorar a qualidade de seus
produtos, tornando-os mais competitivos no comércio internacional. Na mesma
proporção, gostaria também de ver os governantes acabando com os programas
“assistencialistas” que só mascaram o problema. Adotar aquela máxima antiga do
'não dê simplesmente o peixe, mas dê uma vara e o ensine a pescar'.
Sendo assim, poderia aqui citar ainda uma
infinidade de coisas que gostaria de ver neste país, mas quero me deter por
aqui, pois acredito que estas aqui citadas são básicas e, se fielmente
cumpridas, serão suficientes para que todos os cidadãos estejam aptos a
contribuir para um país melhor.
Que
Deus nos abençoe!
Juvenal
Oliveira Netto
“Precisamos deixar um Brasil melhor para os nossos
filhos ou deixarmos filhos melhores para o nosso Brasil?”