Yahweh escolheu um homem para ser seu amigo íntimo
e lhe fez muitas promessas, dentre elas a de ser pai de muitas nações (Gn
17.1-8). Só havia um pequeno obstáculo para que esta promessa se cumprisse:
Abraão já tinha noventa e nove anos de idade e a sua esposa, também idosa, já
havia encerrado o seu ciclo menstrual, quer dizer, humanamente impossível (Gn
18.11-14). Como todo casal, ter um filho deveria ser o grande sonho da vida
deles e, apesar de toda a riqueza que possuíam, não se sentiam plenamente
realizados. Após um ano, nasceu Isaque, primeiro fruto das inúmeras promessas
concedidas àquele grande patriarca. Finalmente, a alegria havia chegado àquele
lar (Gn 21.6).
Passados alguns anos, Abraão recebe uma ordem do
Senhor que abalaria as suas estruturas. Ele pede em sacrifício aquele a quem
mais amava, Isaque, o filho da promessa (Gn 22.1-2). Como assim, Deus? Não foi
o Senhor mesmo que me deu? O Senhor completou a nossa alegria para depois
retirá-la? O que será da minha esposa? Ela simplesmente vai morrer de tanto
desgosto? Abraão tinha razões de sobra para fazer todas estas indagações. Mas,
ele não fez nenhuma delas, obedeceu prontamente, crendo que o mesmo Deus que havia
concedido Isaque poderia até mesmo ressuscitá-lo dentre os mortos (Gn 22.3-10;
Hb 11.17-19). Que fé é esta, minha gente! Que amor incondicional ao Eterno é
este! Se Deus é onisciente, por que será então que ele pediu tal prova a este
homem, deixando-o chegar tão perto de concretizar o sacrifício de seu filho?
Talvez quisesse estabelecer um padrão de relacionamento entre criatura e
criador e escolheu como protótipo aquele que seria considerado o pai da fé e de
muitas nações. Aquele que, diante de tantas virtudes que possuía, se destacou
pelo amor demonstrado ao Senhor sobre todas as demais coisas.
Dentre todos os mandamentos da tábua de Moisés que
regiam o povo em todo o período velho testamentário, Jesus os resume em dois,
sendo o primeiro o seguinte: “... Amarás o Senhor teu Deus de
todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.” (Mt
22.37).
Portanto, Deus nunca admitiu e jamais admitirá
ficar em segundo plano na vida de alguém. E a pergunta que não quer calar é a
seguinte: Qual é o seu e o meu Isaque hoje? O que tem se tornado mais
importante do que o próprio Deus em nossa vida? Seria um familiar; um
relacionamento; o trabalho; estudos; um entretenimento qualquer, seja ele um
esporte, internet, jogos de azar, programas televisivos, etc.; ou até mesmo um
ativismo religioso. Abraão nos deixa um grande testemunho de como devemos agir
diante dos “Isaques” que surgem cotidianamente em nossas vidas, muitas vezes,
com uma ajudazinha do inimigo de nossas almas. Devemos rebaixá-lo, retirá-lo do
trono, trono este que deve ser exclusividade do Altíssimo (Is 42.8; Mt 6.33; Gl
2.20; Fl 3.7-9; Tg 4.5).
Juvenal Oliveira


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