Todos estão inseridos em algum tipo de sistema ou
sistemas. Esta palavra tem uma definição muito ampla e até complexa. Por isso,
serão dadas a seguir algumas definições que serão o norte para o que se quer
abordar neste texto. Segundo os dicionários, dentre outras definições, um sistema é um
conjunto de elementos interdependentes de modo a formar um todo organizado; conjunto
das instituições econômicas, morais, políticas, religiosas e profissionais de
uma sociedade a que os indivíduos se subordinam. Estes sistemas não
seguem um padrão de comportamento preestabelecido, normalmente operam
paralelamente ou inseridos no padrão adotado por estas instituições através de
seus regimentos, isto é, não é identificado superficialmente.
Em praticamente todos os setores da sociedade
existem os sistemas formados não de um dia para o outro, mas no decorrer de
anos. Para que todos entendam aonde se quer chegar, serão dados alguns exemplos
de sistemas. Sistema político brasileiro, que engloba todos aqueles que fazem
parte direta ou indiretamente da política em todas as esferas; a Imprensa onde
estão inseridos todos os jornalistas, emissoras de rádio e TV e todos aqueles
que oferecem o suporte para o seu pleno funcionamento; um órgão administrativo
seja ele público ou privado; uma federação esportiva com todos os seus atletas,
dirigentes; uma determinada categoria trabalhista; uma instituição
eclesiástica, etc. Poderia aqui exemplificar muitos outros, mas esta não é a
finalidade. Por que é tão difícil combater os sistemas ou aniquilá-los, nos
casos de sistemas perniciosos? Existem algumas especificidades nestes sistemas
que os tornam quase que indissolúveis.
Em primeiro lugar, ele não costuma ser comandado
apenas por uma pessoa. Não existe um chefe ou líder bem definido, normalmente a
sua linha de comando segue enraizada, não necessariamente na vertical, seguindo
uma cadeia hierárquica. No entanto, ele pode estar sob o domínio de um grupo na
horizontal que tenha um relacionamento interdependente. Destruir um inimigo invisível
se torna bem mais difícil.
Em segundo lugar, ele não obrigatoriamente será
fiel às leis, normas, estatutos, regimentos, etc., pois o seu surgimento em
algumas instituições é exatamente para intrujar os regulamentos e encurtar o
trajeto para chegar aos seus objetivos, sejam eles lícitos ou ilícitos. Pode
ser que um determinado sistema tenha na sua origem boas intenções, para
facilitar a vida de seus componentes, entretanto, infelizmente, quando
utilizamos a palavra “sistema” neste contexto, é sempre depreciativamente.
Todos os sistemas têm como característica a aparência de ser pautados
exclusivamente na lei, mas ao se examinar alguns deles mais a fundo,
constatar-se-á que existem manobras para torná-los legítimos. Podem até estar
baseados nas leis, entretanto, poderão não passar no crivo da ética e da
moralidade.
Em terceiro lugar, ele já nasce grande, com os seus
tentáculos entranhados por toda a parte, ficando inclusive muito difícil de ser
identificado onde se delimita o seu começo e o seu fim. Como arrancar uma
planta com raízes tão profundas? Não adianta apenas cortar-lhe o tronco, se a
raiz permanecer, logo ela brotará e, ainda, crescerá com mais força. Muitos têm
falhado em lutar contra o sistema, ao pensarem que, ao cortarem o seu tronco, sem
arrancar-lhes a raiz, poderão derrotá-lo; substituem algumas pedras do
tabuleiro, no entanto, não conseguem vencer o jogo.
Em quarto lugar, apesar de muitos sistemas terem se
formado sem nenhuma orquestração, quando ele se instaura acaba trazendo consigo
muitos interesses para um grupo considerado de pessoas pertencentes à
instituição. Estes interesses não se resumem apenas a pecúlio, mas em poder,
posição, facilitações das mais variadas possíveis, influências não apenas no
sistema em si, como também em outros sistemas interligados a outras
instituições. Acabar com o sistema implica em mexer na vida de muita gente;
implica em retirá-las da zona de conforto; implica em fazê-las buscar o
crescimento através da competência e do profissionalismo em detrimento da
influência, do conchavo; implica em acabar com os nepotismos, que apesar deste
termo ser específico para o meio político, pode ser empregado também para
outras instituições, inclusive religiosas, pois o fim é o mesmo.
Em quinto lugar, para se formar um sistema, é
necessário que a sua cúpula se torne interdependente, cúmplices, a fim de
manter esta ligação quase que de maneira escrava. Trabalha de tal modo que, se
atingir apenas um de seus integrantes, irá trazer muitos outros juntos como
efeito dominó, por isto, a tendência em um sistema é sempre haver o
corporativismo protecionista; uma blindagem quase impenetrável.
Estes “sistemas” a que se refere são excessivamente
danosos à sociedade, ao favorecerem alguns e trazem prejuízos a maioria;
impedem o crescimento de toda uma sociedade pelo ciclo vicioso que adota,
impedindo que os mais capacitados criem asas, evoluam, cresçam até chegar ao
seu limite e, assim contribuam muito mais para a coletividade; adoece muita
gente bem intencionada pelo sentimento de impotência e que buscam tão somente
vislumbrar um futuro melhor e mais igualitário; gente que sabe do potencial que
tem e que poderia ir muito além; a competividade desleal e seletiva impostas
pelos sistemas impedem o crescimento e o progresso das instituições.
Muitos já lutaram incansavelmente contra os
sistemas ao ponto de perderem as suas próprias vidas, não obstante,
pouquíssimos conseguiram vencê-lo definitivamente. Um exemplo claro e bem
presente é o caso do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Benedito Barbosa Gomes.
Quantos sonhos devem ter invadido a sua mente quando foi nomeado para o STF?
Sonhos de poder realizar as mudanças necessárias na sua instituição que
refletiriam positivamente para todo o país. Estes sonhos foram frustrados
quando se viu isolado e vencido. Mesmo sendo o presidente da mais alta corte da
república, não lhe restou outra opção senão abrir mão do seu cargo para não
tornar-se cúmplice de um sistema, no mínimo, perverso.
O que dá esperança em lutar contra estes gigantes é
saber que os homens de bem não estão sós. Em todas as instituições por este
Brasil afora existem pessoas íntegras, que não se renderão aos sistemas. Elas
continuarão lutando, até a morte, se preciso for, para colocarem na lona estes
“Golias” que desafiam o povo constantemente. Quando Joaquim Barbosa “jogou a
toalha”, todos os brasileiros se abateram e ficaram cabisbaixos. Eles sabiam da
sua importância ao ocupar aquela cadeira e como era um exemplo a ser seguido
por todos os brasileiros. No entanto, dentro de pouquíssimo tempo, Deus levanta
um SÉRGIO MORO, mostrando para todos que não estão sozinhos nesta
luta, que no fim, o bem sempre prevalecerá contra o mal.
Juvenal Oliveira


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